INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A FAMA DA INCOMPETÊNCIA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

Quem dizer que nunca ouviu ou viu "a fama da incompetência" talvez esteja a faltar com a verdade. Isto porque, nos últimos tempos a fama da incompetência tem estado ligada a nós regularmente. Lembra-se da famosa frase do então senador americano Hiram Johnson, que diz:

-"A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade". Pois bem, a referência a referida frase deve-se ao facto de que, nos últimos tempos quase todas sociedades parecem estar ligadas a um novo tipo de sociedade(passa a redundância) "no caso a sociedade virtual" descrita no livro Pensar Social, Exercer Cidadania.

Mas alguns talvez dirão:

- Mas nós não estamos em guerra!

Pois bem; infelizmente quem assim pensar está enganado. Sim estarão enganados, os que assim pensarem. E como redigia, infelizmente estamos em guerra sim!

Estamos na guerra da informação; dai o recurso a famosa frase do então senador americano Hiram Johnson.

Estamos em guerra sim! E quase pelo mesmos motivos que originaram as grandes guerras, no caso a ambição pelo poder.

Se a primeira guerra mundial teve como pretexto de fundo a insatisfação da partilha das então colônias, por parte de alguns países na época considerados como grandes potências mundiais, hoje devido a ligação ao mundo virtual, as grandes potências, assim como os países emergentes, incluindo os países em via de desenvolvimento, todos arrolados no mundo das tecnologias de informação e comunicação e pela ambição do poder confrontam-se numa grande guerra para o controlo da informação mundial.

Lembra-se? Informação é poder.  Assim sendo, é com base nesta mesma busca, para o domínio da informação, isto é, para serem detentores do poder, para poderem influenciar as sociedades, é com base nesta ânsia do poder da informação que nos deparamos com uma guerra sob a capa da instauração da democracia, promovida pela arma revolucionária designada "internet" e as suas inovações constantes designadas "redes sociais" que nos submetemos a fama da incompetência.

Mas se a fama da incompetência se parece tão famosa, porquê que muitos apesar de já terem convivido com ela, como podem afirmar não a conhecerem? O que é a fama da incompetência?

A fama da incompetência é nada mais, nada menos, do que as falsas informações produzidas e partilhadas na internet. Dai o paralelismo a célebre frase "A primeira vítima, quando começa a guerra, é a verdade"; pois porque em tempos da guerra da informação, onde "todos parecem falar ao mesmo tempo, produzindo ruido" somos muitos os utilizadores da internet, que é subsequentemente a plataforma das redes sociais, onde muitos entre nós utilizadores destas tecnologias, nos esquecemos de auto nos questionar, sobre como são construídas as informações que recebemos e quase que roboticamente as partilhamos sem avaliar-mos a veracidade das mesmas, ou não, e consequentemente, nos esquecemos de reflectir sobre a dimensão e as consequências que tais informações podem ter quando partilhadas por cada um de nós.

É neste frenetismo quase como inconsciente que nos encaramos, sobre pretexto da partilha de informação, que nos tornamos gratuitamente soldados promotores da fama da incompetência!

Partilhamos vídeos, partilhamos informações resultantes de boatos e falsidades, evocamos de forma desmedida o nome do senhor, desenvolvemos irracionalmente o ódio, construímos falsos amores virtuais, sem percebermos que estamos no meio de uma guerra "a guerra das sociedades da informação, onde o nosso inimigo somos nós mesmos, isto em cada instante que agimos como máquinas sem refletirmos que informação devemos consumir nas redes sociais, sem fazermos o mínimo de esforço, em pensar porquê que devo partilhar esta ou aquela informação?

E sem percebermos somos assim os promotores da fama da incompetência, porque muitas vezes acabamos por promover a mentira ideológica que nada mais é, do que a busca para conquistar o consentimento público por parte de quem emite tais informações.

É nesta realidade da fama da incompetência, por não se reflectir sobre que tipo de informações consumimos durante o processo da formação da nossa opinião, que acaba por ser uma promotora da incompetência!

*Bento José dos Santos.
Comunicólogo, Assessor Político e Social; Pesquisador e Escritor.*

sábado, 25 de novembro de 2017

*A ESPIRAL DO SILÊNCIO NO CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO ANGOLANO EM TEMPOS DA NOVA REPÚBLICA* 

Por: Bento dos Santos

Hoje, recebi uma chamada que motivou-me a escrever o presente texto. Durante a chamada fui inquerido se certa pessoa podia ou não opinar sobre os diversos assuntos de cariz politico e social, que tem ocorrido nos últimos tempos.

Como sabemos, isto porque foi o que muitos vivenciamos durante as eleições, apesar das inúmeras manifestações sépticas, era previsível que a realização das eleições de 23 de Agosto do presente ano (2017) iria provocar uma mudança no paradigma político e social no contexto da sociedade angolana. E para afastar os receios vigentes na ocasião das eleições, nos parece que os últimos factos decorrentes no contexto político e social angolano, acabaram por nos liberar das mais profundas necessidades de realizarmos incursões com longas abordagens, que a nosso entender, mais seriam para avivar qualquer mente, antes sépticas, caso o assunto actual a abordar for “exonerações”. 

Com as alterações que estão a ser realizadas no xadrez governativo, nos parece que o adágio “ver para querer” tem afastado os septicíssimos até então vigentes nas memórias de muitos cidadãos.

Porém, a mudança do paradigma político actual, e aqui destacamos o facto da regularidade que se dá actualmente a palavra “paradigma” que parece estar em voga na nossa sociedade intelectual, pois agora na boca dos bons falantes 《》escuta-se com regularidade "novo paradigma para aqui, “novo paradigma para acóla” enfim, como transcrevíamos, o novo paradigma político e social tem dado origem a vários cenários, entre os quais, para nós importa destacar o da formação da opinião pública.

Com a actual abertura promovida pelo recém-eleito e investido, Presidente da República, João Lourenço, nos parece que uma pergunta tem inquietado muitos militantes, amigos, simpatizantes e até mesmo opositores do partido maioritário. A pergunta é: 

- Devemos falar, ou não?!

- Será que já é o momento ideal para emitir a nossa opinião, ou ainda é cedo para tal, o que nos levaria a tecer opiniões desconcertadas?

- Onde e quando devemos falar?

- Porquê que devemos falar?

Entenda-se, o falar que fazemos referência, trata-se propriamente de opinar sobre os diversos assuntos de interesse público, actualmente circulantes na esfera pública.

Todavia, para uma melhor elucidação, achamos conveniente subsidiarmos a nossa reflexão com base numa das teorias das ciências da comunicação, no caso a teoria da espiral do silêncio, proposta, em 1973, pela socióloga alemã Elisabeth Noelle-Neumann.

A teoria da espiral do silêncio, ou teoria do silêncio se assim preferirem, cujo conteúdo incide sobre a relação entre os meios de comunicação e a opinião pública e que representou uma nova ruptura com as teorias dos efeitos limitados, pressupõe os seguintes pressupostos: as pessoas temem o isolamento, buscam a integração social e gostam de ser populares; por isso, as pessoas têm de permanecer atentas às opiniões e aos comportamentos maioritários e procuram expressar-se dentro dos parâmetros da maioria. 

Noelle-Neumann “defendeu também que a formação das opiniões maioritárias é o resultado das relações entre os meios de comunicação de massas, a comunicação interpessoal e a percepção que cada indivíduo tem da sua própria opinião quando confrontada com a dos outros. Ou seja, a opinião é fruto de valores sociais, da informação veiculada pela comunicação social e também do que os outros pensam.”

A socióloga admite a existência de dois tipos de opinião e de atitudes: as estáticas, que radicam, por exemplo, nos costumes, e as geradoras de mudança, como as opiniões decorrentes das filosofias de acção. Nesta corrente, as pessoas definir-se-iam em relação às primeiras por acordo e adesão ou por desacordo e afastamento. Porém, em relação às opiniões e atitudes configuradoras de mudança, os indivíduos, desejosos de popularidade e com o objectivo de não se isolarem, seriam bastante cautelosos. Assim, se a mudança se estivesse a dar no sentido das suas opiniões e se sentissem que haveria receptividade pública para a expressão dessas opiniões, as pessoas não hesitariam em expô-las.

Contudo, se as mudanças estivessem a decorrer em sentido contrário ou se as pessoas sentissem que não haveria receptividade pública para a exposição das suas opiniões, tenderiam a silenciar-se. “O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como a atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à excepção dos duros de espírito, que persistem na sua opinião, que quanto a nós nos parece existirem poucos (...) 

E como estamos a reflectir sobre comunicação, também nos importa integrar os meios de comunicação social. Com relação ao assunto, estes tendem a consagrar mais espaço às opiniões dominantes, reforçando-as, consensualizando-as e contribuindo para “calar” as minorias pelo isolamento e pela não referenciação. 

O que estamos a afirmar é que os meios de comunicação social, tendem a privilegiar as opiniões que parecem ser dominantes, fazendo com que essas opiniões pareçam consensuais quando de facto não o são.  

Portanto, somos de opinião que apesar da abertura politica que foi promovida pelo novo Presidente da República, que visa estimular as pessoas para terem uma comunicação pública mais participativa e responsável, a verdade que se constata é que muitos cidadãos continuam presos na espiral do silêncio. Para muitos, os tais silenciosos parecem que não estão emitir qualquer opinião propriamente dita, mas na verdade estão emitir outras opiniões através do silêncio. 

Razão que nos leva a reflectir; será que quem cala, realmente consente?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

REACÇÕES EUFÓRICAS E AS ACÇÕES DAS MASSAS

Por: Bento dos Santos
As manifestações eufóricas resultantes da "onda de exonerações" protagonizadas pelo Presidente da República nos últimos dias, tem vindo a certificar mais uma vez o comportamento de "massa" que chegou a ser descrito de forma brilhante pelos estudos desenvolvidos pelos pesquisadores da escola alemã de Frankfurt, onde célebres intelectuais desenvolveram a conhecida Teoria Crítica da Sociedade. Entre os seus principais integrantes destacamos nomes sonantes como: Theodor Adorno, Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Leo Lowenthal, Erich Fromm, Jurgen Habermas, entre outros.
Para estes pensadores, a indústria cultural actua como uma forma de padronização dos gostos e desejos dos seres humanos, voltando-os para o consumo, aqui falamos em particular do consumo da informação.
A referência ao consumo da informação se estende a vida para o trabalho e a diversão como forma de alienação, caracterizada pela forma das pessoas não conseguirem reconhecer que são retirados da sua própria existência em função das influências produzidas pelo consumo de informação proveniente dos meios de comunicação social. A mídia e a propaganda actuam como principais elementos de massificação dos sujeitos. Pela mídia todos desejam imitar “as figuras públicas ou procuram seguir e fazer aquilo que esta na moda; seguindo uma onda que os identifica com aqueles que aparentemente representam a opinião da maioria e que supostamente a maioria aprova, mas que na realidade, na esfera pública taís  aparências ou percepções são apenas resultados da disseminação da informação difundida pela mídia, onde se cria uma percepção de que aquilo de está a ser dito é o melhor para todos, ou seja é a opinião pública"...
Apesar da comunicação ter uma visão macro da cultura de massa, e individualmente, da cultura popular, partindo do princípio de que cada ser tem seu próprio pensamento, a realidade é que as pessoas geralmente reagem em função do comportamento dos seus guias ou das suas "estrelas" entenda-se, as pessoas agem influenciadas directa ou indirectamente em função das reacções daqueles que eles elegem e credibilizam como seus formadores de opiniões, isto em função do protagonismo público que estes têm na esfera pública.
Para exemplificar podem ver o número de reacções ou "comentários" que tem nos posts de alguns jornalistas, analistas ou políticos, como Ismael Mateus, Reginaldo Silva, Celso Malavoloneke, Luísa Rogério, Graça Campos, João Pinto e tantos outros líderes de opinião da nossa esfera pública.
Porém, o conceito de massa ou da indústria cultural é aqui abordado em função das reacções massivas onde a febre da aparente satisfação parece ter deslumbrado vozes antes "omissas" mas que faziam eco ao adágio popular "quem cala consente"!
Talvez devemos entender o motivo de tanta euforia, centrados na propagação
dos efeitos da mídia pela forma que deu cobertura a matérias ligadas a empresa pública Sonangol que pelo seu posicionamento na economia angolana e muito dos seus assuntos acabam por ser de interesse público, pois as acções dai resultantes tem efeitos primários na vida dos cidadãos.
Por exemplo, quando se aumenta o preço da gasolina, geralmente toda estrutura de preços no mercado nacional, sofrem alterações. E mais se pode ver com relação ao preço do barril de petróleo no mercado internacional, que tem reduzido as perspectivas de vida melhor, pela escassez de divisas, entenda-se dólar ou euro.
Mas, no meio de tanta euforia, o que está mesmo a passar como se nada fosse são os outros assuntos que entre tantos, alguns serão discutidos na sessão plenária da assembleia a ser realizada no dia 17/11/017, onde se pretende avaliar a aprovação da pauta aduaneira revista, que para muito de nós, esta pauta tem sido a pauta das reprovações, e que infelizmente muitas das políticas ai constantes não se ajustam a nossa actual realidade. Mas como o assunto ainda não está na moda...quem sabe não ficará para depois (...);
Outra situação que parece ter ficado também "adormecida" é a questão do aumento da criminalidade. Por termos novos assuntos que dominam os temas de interesse público, a pressão que se vinha fazendo, sobre a necessidade de se conter os índices da ascensão da criminalidade parece que ficaram por baixo da mesa na euforia das abordagens da mídia e dos cidadãos.
Perante a tanta euforia três lições podem ser apreendidas.
1- A maioria geralmente dança a música que esta na moda, e procuram dar os toques da dança que esta na moda;
2- Para muitos nem sempre o prioritário é o mais importante;
3- A maioria nunca escolhe o que quer realmente, geralmente escolhe o que os outros lhes dizem ser melhor e esquecem o que lhes poderá ser útil no futuro;
Infelizmente por assim ser, muitos são os que acabam por não validar as suas opiniões em detrimento da opinião publicada.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

DISSERTAÇÃO COMUNICAÇÃO E DISPUTAS POLÍTICAS UMA VISÃO SÍNTESE SOB OS CONCEITOS E SLOGANS DAS CAMPANHAS POLÍTICAS NAS ELEIÇÕES DE 2017 EM ANGOLA


COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA/LIVRO DE BENTO JOSÉ DOS SANTOS

COMUNICAÇÃO E OPINIÃO PÚBLICA é a segunda obra literária do autor Bento José dos Santos. Publicada no ano 2016 a obra passou a estar disponível para o público em Janeiro do ano 2017. Comunicação e Opinião Pública é um livro científico resultante de um trabalho de pesquisa exploratória de campo, de natureza aplicada qualificativa que analisou a participação dos cidadãos nos meios radiofônicos durante o processo da formação da opinião pública.
A pesquisa até então inédita no campo das ciências da comunicação social angolana, procurou dar respostas as seguintes questões: A Opinião Pública é Realmente Proveniente do Público? Os Meios de Comunicação Social Formam a Opinião Pública? Quem é Figura Pública? O que é a Imagem No Contexto da Opinião Pública? Como Se Forma o Estado de Opiniões e Comentários No Contexto da Opinião Pública? A Sua Opinião é Opinião Pública? (...); e muito mais.
Com uma tiragem de mais de 1500 exemplares a obra  requer já uma nova tiragem dada a elevada procura por parte do público leitor. Comunicação e Opinião Pública aborda a necessidade da mudança de paradigma do modelo de jornalismo angolano que caracteriza-se pelo protecionismo institucional, onde as informações são geralmente extraídas de reportes institucionais, mudando para um modelo de jornalismo mais factual e actuante caracterizado pela investigação jornalística.
Disponível nas livrarias Irmãs Paulinas, Mensagem e na Discoteca Valódia o livro Comunicação e Opinião Pública, se apresenta como um contributo válido de leitura obrigatória para os profissionais da comunicação, assim como do campo científico, estudantes do curso de Comunicação Social e Ciências da Comunicação, e os demais profissionais das áreas das ciências humanas, psicólogos, sociólogos, juristas, economistas entre outras áreas do saber.
Compre e Léia!
Comunicação e Opinião Pública; A Sua Opinião Na Participação Social.

PENSAR SOCIAL, EXERCER CIDADANIA/LIVRO DE BENTO JOSÉ DOS SANTOS


O livro Pensar Social, Exercer Cidadania é uma obra do género metaficção cujo conteúdo aborda problemas sociais sobre a criminalidade, a sinistralidade rodoviária, a perca dos valores morais e sociais e consequentemente apresenta propostas de soluções. Considerada a primeira obra do autor apresentada na esfera pública, a mesma contou com uma tiragem de 2000 exemplares, tendo atingido o macro de vendas de 230 livros no dia da sua apresentação pública. 
Publicada no ano de 2015, o livro Pensar Social, Exercer Cidadania foi considerado pioneiro no mercado literário angolano com estilo gráfico narrativo intercalando os temas entre a ficção e a realidade.    
Entre os capítulos de destaque dá-se realce aos seguintes temas:  Mina Nuclear Lá No Bairro; A Justiça deve Alcançar a Justeza; Quem Foi a Fonte? Sangue no Asfalto; Por Baixo do Capacete; O Discurso do Morto; e muito mais!
Pensar Social, Exercer Cidadania.
Porque Somos Cidadãos Devemos Participar.
                         

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

*PARA QUANDO O FIM DOS DITOS "ESFORÇOS"* 

Por: Bento dos Santos

Talvez eu não seja o único. Talvez alguns tantos como eu já pensaram que não é correcto alguém assumir uma determinada responsabilidade pública ou política, e depois procurar justificativas perante a ausência das suas acções, depois procura justificativas para a ausência do cumprimento do escopo das suas atribuições.

Talvez eu e você não sejamos os únicos, que ao irmos ao hospital, que até onde sabemos foi construído com o objectivo de dar tratamento as enfermidades das pessoas que ai recorrem, mas quando lá chegamos acabamos por ficar estupefactos. Pois quando lá chegamos o tido médico ou medica, nos diz com a arrogância de quem nos faz um favor indisposto: -"nada posso fazer"; e em seguida vem a palavra mágica que o mesmo esta a fazer um esforço para nos atender.

Talvez eu e você não sejamos os únicos que ao recorrer os serviços da Polícia, os agentes e o tal de oficial olham para nós e geralmente nos dizem:
-"não podemos fazer nada, não temos carro, e tambem não temos combustíveis para quando comprarem os carros; se puderem tragam cá o gatuno, porque nós já estamos a fazer um esforço de cá estar"!...

Talvez eu e você não sejamos os únicos a olhar para ela, e impávidos dissemos, ou minha senhora assim também já é demais, o dinheiro é meu, eu só vim cá depositar porque os gatunos lá no bairro são tantos, que agora já não os confundimos com os gatos, agora estamos a confundir os gatunos com a nossa própria sombra. E em seguida perdemos a calma e gritamos eu quero o meu dinheiro, não me interessa se o teu tio sistema não está  ou não eu quero o meu dinheiro agora! O meu filho esta doente e eu preciso do meu dinheiro! Não goza comigo; o dinheiro é meu!

E ficamos assim impávidos!

E ficamos ainda mais impávidos!

Só nos olhamos nos olhos!

E assim vamos. Tipo nada esta a acontecer, afinal as noticias são outras. Afinal os nossos cambas aqueles madiés que preparam a "agenda seting" pensam bué; e sempre nos dão uma esquindiva daqui, e outra "a saia dela tipo nada"...

E ainda ficamos assim...

Só nos olhamos nos olhos!

Até porque construímos as nossas casas, sem nenhum apoio de infraestrutura; a estrada depende da lagoa, a energia só acende o candeeiro de petróleo, a água só do camião do amigo cubano, mas ainda assim inventaram uma tal de "AGT" para nos cobrar porque o espaço do nosso quintal é muito grande!

E assim tipo nada, vamos indo. E quando assistimos ou ao ouvirmos os jornais noticiosos, vimos os titulares do poder executivo a se justificarem que estão a fazer um grande esforço para isto e para aquilo...entenda-se estão a fazer um esforço para cumprirem com algo pelo qual eles juraram fazer e pelo qual até podem ser responsabilizados criminalmente, partindo do princípio que tal pode ocorrer por ser um dever de estado ou mesmo uma obrigação para com a Pátria.

Mas se aqueles que têm a responsabilidade de velar ou até mesmo garantirem as acções do governo, dizem "estarem a fazer um esforço" para nós termos luz, porque a barragem secou, porque agora até já há inovação, e a justificativa mais actual é que a energia vai continuar a falhar por causa do atraso do ciclo hidrológico, e nós ficamos assim... ficamos assim, nós o povo, nós que já fizemos um esforço de requisitar os serviços daqueles que enquanto estado pensamos serem eles que  deviam nos garantir  a assistência, prestando serviços públicos a população!

Mas assim o esforço é de quem?!

É nosso enquanto povo, ou é deles que até foram indicados para sobre nossa vontade exercerem o poder?!

Pois saibam, que entre nós, somos muitos os  que não gostamos dos vossos "ditos esforços", considerando que geralmente as pessoas fazem esforços quando as suas forças estão no limite das suas capacidades.

Por isso ilustres Camaradas, parem de fazer os ditos esforços, e ponham sim as vossas competências e atribuições a serviço de quem vos dá o direito de exercer o poder, no caso parem de suscitar apanágios quando na realidade o que vocês devem fazer é nada mais do que cumprirem com as vossas obrigações!!!

E mais nada pá!

terça-feira, 3 de outubro de 2017

AGORA ESTAMOS ASSIM…SÓ SE OLHAMOS NOS OLHOS

Por: Bento dos Santos

Nos últimos tempos tem sido assim. Depois de alguns entre muitos terem feito uso dos seus direitos e deveres, exercendo assim a cidadania votando, começa-se a se sentir o retorno sobre as primeiras acções formais do recém eleito e investido, o Sr. Presidente da República, João Lourenço.

As reacções que parecem ser as mais notórias, são as partilhadas nas redes sociais, isto para quem é cidadão virtual; isto para quem interage e faz uso destes meios tecnológicos. As razões de tal presunção, aliam-se ao facto das redes sociais facilitarem o utópico espaço da real liberdade para qualquer manifesto de opinião.

Assim sendo, as redes sociais são encontradas como um recurso para se fazerem ouvir, e temos que ter em atenção que quanto menos espaços houverem para as pessoas se fazerem ouvir, maior será a busca pelos espaços alternativos, no caso, maior será o uso das redes sociais.

As referidas alusões podem ser sustentadas pelo facto de muitas mensagens partilhadas nas redes sociais terem sido partilhadas sem constar a identidade do emissor; muitas informações tem vindo a circular nas redes sociais, como manifesto público das reacções as primeiras acções do actual governo.

E assim tem sido; os olhos dos outros tem visto e analisado as acções, e tudo porque também tem o direito de emitir as suas opiniões; assim tem sido porque dos seus olhos vêm os nossos olhos. E pelo que parece a maior parte das opiniões circulantes, vêm carregadas de um certo péssimismo; podemos também dizer que muitas das informações circulantes estão carregadas de cepticismo!

Na realidade, talvez não podia ser diferente, isto porque as mudanças, geralmente requerem espaço e tempo, para as adaptações, e agravam estes requisitos quando são avaliadas por pessoas que já transportam experiências menos boas nas suas memórias, que acaba por os tornar mais cautelosos, jogando no seguro, e muitas vezes fazendo recurso ao adágio  popular: - “É preciso ver para crer”!

E assim tem sido. Foram nomeados os membros do governo, que ainda não sabemos se voltará a designação de “executivo” ou se nos manteremos no uso da tradicional designação de “governo” a verdade é que dos olhos dos outros, para os nossos olhos, muitos dos nomeados depois da tomada de posse, começaram as suas actividades já enfrentando as câmaras dos nossos meios de comunicação social, e entre o reforço e a renovação das “promessas” uns tantos já deixaram escapar que ainda estão muito longe do que se lhes espera; resumindo, não disseram nada de novo  em relação as grandes expectativas suscitadas.

E como agora está em voga 《nós dos muitos》podermos gingar a fezada que nos deram, para também podermos falar mesmo, assim mesmo sem papás na língua, por formas a participarmos na busca do “melhorar o que está bem e na ânsia de corrigir o que está mal” e aproveitando a raiva de muitos que não foram nomeados, e tantos outros que nos encontraram aqui na bancada, onde só olhamos, agora estamos todos assim; cada um a olhar nos olhos do outro!

E como mágica, agora cada um tem muito a dizer, já uns tantos, ainda agora já têm saudades do protocolo do então, Camarada Presidente; outros tantos, ensaiam ainda os seus olhos, para verem bem como vão dizer, o que vão dizer, onde vão dizer, porquê vão dizer, isto para virem a ser aceites; pois como se diz, “a esperança é a última a morrer” e na realidade, ainda faltam cargos para serem ocupados, e a ideia dos olhos dos outros é verem tudo mexido, tudo trocado, afinal para muitos tudo estava mal…hoje já... só porque lhes exoneraram, agora também já são nossos colegas e dizem serem nossos amigos, assim mesmo de se olhar nos olhos!

Mas nós estamos aqui; assim mesmo como antes; recebendo todos. A nossa filosofia é como a dos campos santos. Todos podem vir, o buraco é igual, com urna, sem urna, tendo sido rico, pobre, Doutor ou analfabeto, aqui todos são importantes; aqui todos são iguais; aqui todos nos olhamos nos olhos!

E nós continuamos aqui; na bancada; só a olhar com os nossos olhos; até o meu camba Finesto que se contentava com tudo, já se fartou e perguntou: - “Epá! Mas quando é que estes camaradas vão parar de fazer promessas e passarem a fazer?”

Eu e os outros novos inquilinos daqui da bancada, não lhe dissemos nada. Aliás… acho que lhe respondemos sim; porque só lhe olhamos nos olhos, e ele ficou assustado e nos disse: - Xé! Só os vossos olhos, nos olhos dos outros!

E mais nada pá!

domingo, 1 de outubro de 2017

A HORA DO JORNALISMO FACTUAL

Por: Bento dos Santos

Na passada quinta-feira (29/09/017) foi divulgada a composição e as respectivas nomeações dos membros do governo que passam a exercer as funções ministeriais e governamentais do novo executivo da nossa terceira República.

Deixando para segundo plano os “blá, blá, blá” que todos nós já sabemos, isto é que o actual governo é resultado do último pleito eleitoral de 23 Agosto, vamos ao que o presente texto se propõe a nos apresentar para reflexão, levando em consideração o facto que as pessoas não gostam muito de ler. E uma vez não serem amantes da leitura, é desnecessário dizer que não gostam de textos《massudos》ou melhor textos com uma vasta extensão de conteúdo.

Voltando a cerne da questão, uma vez nomeados e empossadas as novas “figuras públicas” muitas das quais o são “apenas por inerência de funções” temos a destacar a orientação do Sr. Presidente, General João Lourenço que após a sua investidura, isto durante a sua primeira alocução discursiva como o terceiro Presidente da República de Angola, destacou a necessidade de termos uma comunicação social mais plural e factual, o que pode-se entender que os meios de comunicação social não tem vindo a implementar um modelo de jornalismo democrático. É verdade, parece ser muito severa está interpretação mais muitos sabemos que é a mais realista.

E como podemos entender esta questão…

Primeiro podemos sustentar que esta interpretação é fundamentada por factos, se nos propusermos em analisar as pautas informativas dos meios de comunicação social.
Muitos são os espectadores ou ouvintes que sentados a ouvirem ou ao verem os programas emitidos pelos meios de comunicação social, percebem que a maior parte das grelhas de informações são baseadas no modelo do jornalismo de opinião. O excesso do uso do modelo de jornalismo  de opinião nas agendas dos meios de comunicação social, tem feito com que o jornalismo factual perca a relevância. É preciso ter em atenção que jornalismo factual é o que devia constar como o principal modelo da acção jornalística, mas tal fica para segundo plano, e assim temos assistido inúmeras grelhas de programação que priorizam o entretenimento, e os programas de opiniões sem sustentabilidade factual, manipulando a formação da opinião pública para uma imagem irreal e muitas vezes distinta dos factos que ocorrem no contexto social.
Não estamos a dizer que o jornalismo de opinião é um modelo que deve ser banido. Longe de nós meros pesquisadores fazer tal alusão. O que estamos a dizer, é que as opiniões deviam ser resultantes dos factos, logo a produção jornalística devia ser baseada primariamente nos factos, aliás é o que apreendemos ao estudar os massudos manuais das teorias da comunicação.

Pois então; como muitos de nós somos teimosos, e porque muitos são os que buscam recompensas em detrimento do seu valor profissional, foi preciso que o Presidente da República nos passasse um cartão amarelo, chamando-nos atenção para fazermos bem o nosso trabalho, quando na verdade os especialistas somos nós, e devíamos ser nós os primeiros a mostrar como é o nosso trabalho…“ pois então, fica claro nós demos bandeira”…

Entretanto, como se tem ventilado nos adágios populares, mas vale tarde do nunca, temos um novo executivo, novas políticas que se esperam ir de encontro com as perspectivas e as necessidades da população. E neste particular o novo ministro da Comunicação Social, Dr. João Melo tem o desafio de “olear” e refinar o novo rumo que a Comunicação Social pública pode ter.

É preciso retermos no nosso pensamento, que os meios de Comunicação Públicos e Privados exercem entre eles papéis directos e indirectos no jogo de influência de desempenho na esfera pública. Entenda-se por isso, que as palavras do Senhor Presidente não se limitam apenas para os meios de Comunicação Social Públicos, mas denota-se que tal referência é extensiva e abrange também os meios de Comunicação Social Privados.
E afirmamos com argumentos de razão, quem quiser arriscar-se a falhar, que pense o contrário. Por conseguinte, os profissionais da Comunicação Social tem assim criado um ambiente propício para pararem de “reclamar atrás da porta” e poderem fazer o trabalho de forma diferente e profissional, primando por um jornalismo isento, factual, responsável e actuante.

Não vamos aqui procurar dar aulas de jornalismo, para tal existem instituições para os referidos fins. Mas também não podemos deixar de revelar, que o Sr. Presidente, General João Lourenço quando fez a referência aos meios de Comunicação Social, no que concerne as suas expectativas, acabou por dar uma grande ajuda ao sector, pois não é segredo que muitos destes órgãos se encontram a vivenciar uma crise grave de credibilidade, e muitos deles já não são tidos como os mais confiáveis no que concerne a busca da informação. Para ajudar a reflexão sobre estas afirmações, basta-nos analisar a acentuada proliferação de informações infundadas e consumida massivamente nas redes sociais. Tal acontece porque muitos factos que ocorrem no meio social e que deviam ser classificados com valor-notícia, acabam por serem ignorados, sendo apenas validados no espaço periférico dos sistemas convencionais dos meios de Comunicação Social.

Esperamos que com este cenário criado, venhamos a ter um jornalismo mais factual, onde por exemplo o repórter informa a opinião pública sobre a real falta de água que vivemos diariamente e que não se limitem a ouvir o parecer da Epal.

Assim, esperamos que muitos jornalistas que até onde sabemos também vivem as mesmas dificuldades que nós, façam as suas matérias com factos, como por exemplo, reportarem que estamos sem energia a mais de X dias sem terem que nos impingir o ponto de vista da falta da subida do caudal de água. Esperamos que os jornalistas reportem que temos mais bandidos lá no bairro que os polícias da esquadra, e que os bandidos parecem estar mais motivados, pois são mais pontuais e não falham, como acontece infelizmente com os nossos polícias que parecem ter medo da escuridão; e reportem os factos sem medo de serem presos na via; se necessário paguem as taxas de circulação e tratem toda documentação para evitarem viver da troca de favores e assim possamos ser todos bons profissionais. Deixem que a polícia se preocupe com a gestão da sua própria imagem.

Assim esperamos que àquelas pessoas mais preocupadas e preocupados em serem filmados pela televisão para serem apresentados no telejornal com a esperança de virem a ser ainda mais promovidos pela incompetência do que pela competência.

Esperamos que com o surgimento da hora do jornalismo mais factual, todos possam vir a se beneficiar do trabalho jornalístico isento e responsável, pois os meios de Comunicação Social também tem a função de fiscalizadores das acções do estado, porquanto são os meios que possibilitam a formação da opinião pública (ler o livro Comunicação e Opinião Pública).

Estamos todos assim; todos mais para assim, de uma comunicação mais factual.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O PRESIDENTE DOS OUTROS FOI BAIRRISTA?

Por: Bento dos Santos

Quando o meu camarada olhou para mim, e disse-me: "-para de procurar adjectivos que embelezam isto... isto é bairrismo!"

Eu cheguei a ficar perplexo!

Vindo dele, um colega e amigo, tarimbado pelo carisma de ter sido apelidado de não ter papás na língua, podia se pensar que era mais um aforismo linguístico, então promovido pelo meu ilustre amigo Nkuvo. Mas não era bem assim!

Quer dizer; até era um aforismo, mas não se tratava simplesmente de um aforismo como tal, pois a palavra não se limitava a designar um pensamento moral. Era um pouco mais, era sim a enunciação de um novo paradigma, era a enunciação de um novo conceito assente numa nova forma, que algumas pessoas assumiram, perante a determinadas situações da vida cotidiana.

Sabemos que apesar das imensas acepções que podem derivar de uma mesma palavra, no que concerte ao comportamento das pessoas, temos que ter em atenção, que uma postura nem sempre pode ser confundida com o carácter de uma pessoa.

Pelo mundo, já foram e tem sido muitos os casos de pessoas notórias, como por exemplo as inúmeras situações protagonizadas pelo ex-presidente norte americano, Barack Obama, ou mesmo pelo Papa Francisco, e mais recentemente, cá no nosso país pelo Presidente Português, onde vimos figuras públicas a assumirem publicamente, posturas pouco comuns, que podiam ser mesmo classificadas como "inaceitáveis" para aqueles mais conservadores quanto identificam a falta da observância das regras protocolares, instituídas para regulamentar a gestão da imagem de determinadas figuras públicas.

É claro que este é um assunto polêmico, e não cabe a nós reprimir, tão-pouco temos capacidade de esgota-lo.

Porém, por ser um assunto, cuja dimensão e interesse se assiste para todos, nos importa sim, buscar decifrar as ilações que se podem aplicar na leitura semiótica dos tempos, onde se assiste a vontade dos políticos, e também dos demais interessados em acções mobilizadoras, que devem olhar para os sinais do tempo, e não se deixarem levar por aparências, pois no fim somos todos cidadãos do mundo, e nem sempre a nossa interpretação é a mais acertada para entender determinadas situações que vão ocorrendo nas nossas vidas.

Atente que, se por um lado se diz que o "bairrista" é uma pessoa desprovida de princípios éticos, cívicos e morais, e pode ser comparado a “um marinheiro bêbado”- que distribui o peixe para população a sua sorte, por outro, talvez melhor, se assiste a necessidade que as figuras públicas caracterizadas como pessoas simples, talvez sejam "populistas" um novo conceito em ascensão no contexto político, mas que não se apregoa a enunciação do tema deste texto.

Se hoje assistimos alguns "delírios" de satisfação pelo facto de vermos um presidente como foi caso do presidente português Dr. Marcelo Rebelo de Sousa a descortinar o seu protocolo, e a atender os anseios da população angolana, em assumir uma postura comum na convivência com os cidadãos angolanos, fica-se por se saber, como seria se tais acções fossem regulares, ou até onde iria a normalidade da convivência com os demais.

Em momento nenhum queremos dizer que o presidente vulgarizou a imagem presidencial, longe de nós tal pensamento, até porque para nós, é sempre melhor quando os políticos fazem política com o povo e para o povo. Mas a nossa profissão, não nos permite deixar de analisar também, o outro lado da moeda, onde se busca entender a permanente necessidade que os políticos têm de fazer política, produzindo factos políticos, que acabam por mobilizar os meios de comunicação social, e por esta via estratégica massificar a projecção de uma determinada imagem na esfera pública.

Se perguntar-mos como eram vistas as acções do actual Presidente Português, antes de ser o Presidente que é, certamente a memória teria que rebuscar na investigação, se houve casos similares que mereceram a cobertura da mídia.
Que fique assim expressa a nossa opinião. Foi bom ter visto o Presidente Português a comportar-se como pessoa comum que todos no fundo somos, foi bom olhar e saber que houve interacção do Presidente Português com muitos dos nossos concidadãos.

Foi bom o Presidente Português aumentar o valor da estima e da auto-estima que cada um de nós temos e devemos ter, nesta permanente luta de nos sentirmos cada vez mais importantes como pessoas.

Foi bom, e é bom, quando assim acontece; mas fica o recado, o Presidente Português não é, e não pode ser caracterizado ou classificado como uma pessoa bairrista, como aquele, ou como aquela, ou como ele, ou como ela, ou como eles, ou como elas...

Pois bairrista, todos gostariam de ser, talvez apenas para ganhar protagonismo; mas ser bairrista de forma permanente não se apregoa, pois é uma designação pejorativa que mais uma vez emerge dos desvios da língua que frequentemente ocorre.

COM O NOVO PRESIDENTE COMEÇAMOS ASSIM

Por: Bento dos Santos
O dia 26 de Setembro de 2017, passou a constar nos registros da história política angolana. O facto que tutelou este dia como histórico, foi a formalização da alternância da liderança política.

A saída do então Presidente, Engenheiro, José Eduardo dos Santos deu lugar a uma nova liderança, saída das eleições realizadas a 23 de Agosto do mesmo ano, da qual o povo elegeu por maioria qualificada o candidato do partido MPLA, no caso, o agora investido e  Presidente, General João Manuel Gonçalves Lourenço.

O acto de investidura decorreu dentro das expectativas. Porém, entre os muitos factos que dai foram notórios, à que destacar a nova assunção do presidente cessante, a quem o povo angolano agradece pela dedicação e empenho ao longo dos anos, e que deixou de forma indelével feitos incontornáveis como é o caso da conquista da paz.

Com a realização do referido acto, outras situações se vislumbram; por exemplo, as expectativas em torno dos futuros dirigentes que vão formar o novo governo, que é um bom indicativo para sabermos, como o novo presidente poderá realizar na prática a "diferença do querer e fazer".

As vírgulas altas nas últimas palavras "diferença do querer e fazer" foram propositadas. Tal deve-se as perspectivas motivadas pelo povo, a quando do primeiro discurso do novo Presidente da República de Angola, o General João Lourenço. Na sua primeira intervenção como Presidente de todos angolanos, o Senhor Presidente reagiu quase como se estivesse sicronizado, com os apelos feitos pelo Juiz Conselheiro do Tribunal Constitucional, Dr. Rui Ferreira, sobre quem recaiu mais uma vez a missão de formalizar as leis constitucionais de investir o poder ao novo Presidente, tal como já havia ocorrido na investidura do mandato presidencial de 2012.

A alegria ou o manifesto da satisfação foi notória por parte de muitos cidadãos, e a ênfase em particular vai para os dirigentes cessantes, e quadros do MPLA, entre os quais, muitos agora alegam que com o novo Presidente, se espera que tudo vai mudar, e dão ênfase que vai mudar para “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”... entretanto, este é também um problema!

Por conseguinte, muitos formadores de opinião também foram no mesmo diapasão. Porém tal alegação de previsão, contradiz as realidades políticas, pois querer não é fazer. Atente que nos parágrafos anteriores nos referimos a importância da análise da composição do novo governo. E porquê?

Porque com a composição do novo governo, iremos poder avaliar o perfil dos seus componentes e consequentemente poderemos ter uma ideia mais objectiva dos critérios que estiveram na base das acções do Senhor Presidente, e por conseguinte, poderemos melhor perspectivar que tipo de governação teremos.

E quanto a euforia do povo...
E quanto as perspectivas do povo?

Sobre estas questões temos de ter em atenção o seguinte: "existe um pensamento que tem sido confundido quando se diz que o povo faz política. O povo não faz política; o que geralmente acontece é que o povo é levado pelos políticos na política".

Esclarecendo, o povo é influenciado pelas acções políticas e as suas perspectivas dificilmente são atendidas pelos políticos, pois muitas delas são complexas em função da extensa dimensão do seu universo sempre condicionadas a factores de vária ordem…

Os discursos políticos são manifestações de intenções, e o povo geralmente os interpreta como compromissos de acções. Até ai pode-se entender; mas a verdade é que uma intenção não é uma acção.
Uma outra questão prende-se no binômio causas e consequências.

Atenção!

Não estamos aqui a analisar ou a desconstruir o discurso do Senhor Presidente. Apenas estamos a procurar contribuir, fazendo o nosso papel cidadão, de ajudar a quem quiser entender, o momento político que vivenciamos.

Dizíamos que durante o longo e cansativo discurso do Senhor Presidente, “que parece que ninguém até agora notou que os discursos do Senhor Presidente, são longos e chegam a ser cansativos” podemos perceber que o referido discurso fez inúmeras referências sob a forma das perspectivas que se tem, em resolver-se os problemas da corrupção, fome, pobreza assim como a emergente necessidade da valorização dos recursos humanos etc, etc.

Foram muitas as áreas mencionadas, das quais se levantaram várias perspectivas, e todas as perspectivas apontadas como possíveis de soluções positivas. Até ai tudo bem.

Aliás, não devemos ser cépticos, mas atenção, para resolvermos os problemas temos de ser realistas e concretos, e quando somos realistas e concretos geralmente atacamos as causas e não as consequências; o que chega a ser melhor.

Contudo, quando se busca resolver as consequências dos problemas sociais, acentua-se o risco de se implementar soluções efêmeras.

E no nosso caso, atacar as causas implica olhar para o único ser capaz de identificar, caracterizar, classificar e resolver os problemas; no caso deve-se olhar para o homem.

Somos nós, os únicos seres capazes de ajudar a tornar possíveis as perspectivas e aspirações suscitadas pelo Sr. Presidente, General João Lourenço transformando-as assim em acções.

Temos de parar imediatamente fazer uso da estratégia do culto da personalidade na busca da recompensa dos prêmios do favoritismo, pois esta cultura política, é a porta de entrada dos outros males sociais que nós já vivenciamos.

Fala-se das avaliações, baseando-se nos critérios da competências. Sinceramente...

Que critérios serão estes, se muitos detentores dos cargos políticos e executivos e tantos outros utentes de títulos académicos não têm feitos práticos que os tornariam credíveis para as responsabilidades que almejam?!

Temos um novo Presidente, e muitos são os que agora acomodam-se a espera que o Sr. Presidente pegue na varinha mágica e acabe com a fome, com a pobreza e que todos nós angolanos passemos a viver na utópica riqueza que temos.

A referida metáfora nos lembra da euforia a quando da eleição do primeiro presidente negro nos Estados Unidos. Na ocasião muitos africanos festejaram e outros tantos pensaram que agora sim, seriamos todos americanos, e o presidente americano iria privilegiar a resolução de todos problemas africanos; não é preciso escrever sobre a dimensão da decepção que tiveram...

Conseguir o que se quer, significa tomar decisões que se tem de tomar de forma a obter-se o que se quer; é preciso termos os pés no chão e pararmos de sonhar quando devemos estar acordados.

Precisamos que a nossa política seja mais realista e concreta, por exemplo, não faz sentido manter-se a proibição da exportação de peças de viaturas, não faz sentido não podermos importar carros com mais de cinco anos, estas proibições têm impacto negativo na economia e tem consequências directa na vida das populações. E podemos citar algumas; com a falta de peças aumentam os roubos de viaturas para serem desmontadas e vendidas a retalho; com a falta de importação de viaturas temos maior dificuldade na mobilidade da população e reduz-se os postos de trabalho que este segmento de negócios geralmente proporciona. E não nos venham falar da fábrica de montagem das viaturas chinesas, porque todos nós sabemos a dimensão da necessidade de corrigir o que está mal neste particular, pois nem os chineses gostam e aceitam usar tais carros.

Certamente tal lei foi aprovada para salvaguardar interesses de grupos, mas acabou por prejudicar a maioria. E brevemente ainda teremos problemas semelhantes com a tal história das chapas de matrículas electrónicas.

São situações como as que aqui exemplificamos que podem dar uma visão de uma governação para o povo.

Por enquanto ficamos por aqui, na perspectiva de contribuir, participando na melhoria do que está bom e corrigindo o que esta mal.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

SOMOS “COMUNICÓLOGOS” SIM, DOA A QUEM DOER!

Por: Bento dos Santos
Apesar das resistências retrogradas, não nos vimos presos em antagonismos assépticos, seguimos assim como a água corrente segue o curso da dinâmica da vida. Todavia, apreendemos que as coisas novas, mesmo sendo boas e de grande valor, muitas vezes têm de confrontar-se com as barreiras sociais, isto é, até serem aceites e aprovadas por muitos. E como a sociedade sempre transporta a sua heterogeneidade, a qual a ciência deslumbra certezas, deixamo-nos de conservadorismos e partamos para as realidades, pois a necessidade humana de gerenciar informações por meio da comunicação proporcionou o desenvolvimento de uma ciência social aplicada, no caso a comunicação social.
Uma acepção integra diversos significados e usos que pode ter uma palavra em função do contexto em que se insere. Através do dicionário informal (www.dicio.com.br) podemos encontrar a classificação morfossintática da palavra Comunicólogo como sendo um substantivo, masculino singular, cujo feminino forma a palavra Comunicóloga e em uma das suas definições pode-se interpretar o Comunicólogo como a designação genérica dos formandos superiormente no curso de Comunicação Social, particularmente daqueles com habilitação em jornalismo, cinema, rádio, televisão, relações públicas, publicidade e propaganda, entre outras áreas profissionalizantes do curso superior de Comunicação Social.
O Comunicólogo é um especialista em comunicação de massa. O papel principal do Comunicólogo está ligado à formação da opinião pública. O Comunicólogo presta serviços de utilidade pública, participa da cobertura periódica dos factos e acontecimentos de relevância, com o objetivo de transmiti-los à sociedade, actua na difusão de ideias associadas às instituições do estado ou empresas, actua na relação das empresas e organizações públicas ou privadas com o público, escreve artigos, ensaios, resenhas, monografias, relatórios de pesquisa, etc.
De facto, sabemos que a formação da opinião pública é reconhecidamente um dos atributos dos meios de comunicação social. Todavia, outra temática que também alia-se ao papel das funções dos Comunicólogos é a problemática da tão almejada liberdade de imprensa que é também um dos desafios que os Comunicólogos enfrentam no exercício de suas atividades profissionais que, diariamente, lidam com o difícil trabalho de manter em equilíbrio a relação entre informação e poder, no contexto social.
Portanto, agir com ética e responsabilidade ao transmitir a informação deve ser o objetivo principal dos Comunicólogos.
A ética deontológica é dos principais baluartes do exercício da profissão dos Comunicólogos, a ética profissional será a parte da filosofia da profissão que se dedicará à análise e implementação técnica dos próprios valores e das condutas humanas, indagando sobre seu sentido, sua origem, seus fundamentos e finalidades” para reforçar o verdadeiro papel dos profissionais da comunicação que devem ter o compromisso de promover os interesses da colectividade. E assim reafirmamos somos Comunicólogos sim, estudamos a comunicação com ciência e não nos limitamos em fazer a sociedade ouvir as informações porque temos boa aparência ou uma boa voz…
Neste início de um novo século marcado pela aceleração da evolução tecnológica, o Comunicólogo apresenta-se como um dilema de fórum epistemológico. Mas não nos limitemos ai, pois a denominação do nosso campo de estudo pelo termo “comunicação” que também é usado para designar os próprios meios que dão suporte as actividades técnicas de produção e emissão de informações, sugere um conjunto de actividades e técnicas com recurso a ciência para as implementar no meio social.
O próprio termo “Comunicador” fica limitado ao agente do processo, ao sujeito da acção caracterizado frequentemente como profissional que actua na área. Não se aplica igualmente ao receptor, que é visto como público-alvo, ou objecto da acção que se desenvolve. O Comunicador será aquele que realizará intencionalmente e competentemente o ato comunicativo. E aqui convém incorporar à comunicação o sentido da prâxis, superando a dicotomia entre a prática e a teoria, entre fazer e pensar, ampliando assim o carácter meramente técnico dos seus agentes. Aliás, mais do que agente da comunicação, o Comunicador deve se ver como sujeito que pensa o que faz, que actua de forma critica e autocritica em relação aos fenómenos dos quais faz parte.
No entanto, em função dos factos, ocorre que muitos insistem na separação entre o sujeito cientificamente capaz e o objecto de estudo. E para tal, apoiam-se em razões epistemomológicas que cobram objectividades no fazer investigativo. O método dialético se configura em alternativa a essa tendência. Assim como a confrontação entre a teoria e a prática pode ser realizada com a valorização das suas dimensões da relação do ser humano com a realidade, é necessário reconhecer esta interdependência entre o sujeito e o objecto no campo das ciências da comunicação, e assim sendo a práxis não pode ser vazia de conceito. Quando isto ocorre, o que se tem é um activismo acrítico.
Os Comunicólogos são cientistas que se ocupam do estudo da relação dos meios de comunicação social e a própria sociedade, e regulamentar está profissão é uma necessidade que se impõe desde a própria classe dos Comunicólogos e se estende ao tribunal supremo, no que é, a necessidade do atendimento de formalizar a referida profissão.