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sábado, 25 de junho de 2016

REINO UNIDO FORA DA UNIÃO EUROPEIA "UMA REFLEXÃO QUE SE IMPÕEM"


Por: Bento dos Santos
Alguns talvez dirão:
-" O problema é deles, nós também temos os nossos problemas".
É bem verdade que sim. Todavia, hoje tais acontecimentos não são passíveis de um simples olhar e a desvaneio assobiar de lado, ignorando às questões, quando sabemos que hoje o mundo tal como o conhecemos é equiparado a uma aldeia global.
Podemos resumir tal acepção, percebendo que o que se faz em um determinado país, o que acontece em determinado país, o que ocorre em um determinado estado pode em muitas ocasiões influenciar em outros estados, fazendo com que estes alterem às suas políticas económicas, jurídicas, educacionais entre outras.
Com 52% dos votos a favor e 48% contra, o Reino Unido decidiu sair da União Europeia. A vontade do povo Britânico ditou mais uma vez as regras da vigência da democracia naquele país.
A opinião pública britânica demostrou a sua posição e passa a fazer história com um referendo que já marca o mês de Junho de 2016 para história internacional e que põe fim a décadas de vigência. Foi a cerca de 41 anos atrás a quando do 5 de Junho de 1975 quando o governo do então Primeiro-ministro Trabalhista Harold Wilson perguntou aos eleitores se o Reino Unido devia permanecer na Comunidade Económica Europeia "CEE".
Na época o Reino Unido já havia aderido à CEE, isto em 1973, contudo, o actual acordo também servia de modelo para os demais continentes, que sob filosofia da plataforma "juntos somos mais fortes" tentam integrar as políticas entre estados, na perspectiva de uma governação regional e continental.
Às consequências da saída do Reino Unido da União Europeia fizeram com que David Cameron, Primeiro-ministro daquele país, que defendia o não, "entenda-se o não da saída da união europeia" após os resultados, pose-se o seu cargo a disposição. Segundo o mesmo, vai deixar o cargo já no mês de Outubro do ano em curso, sob pretexto de que o presente resultado impõem uma nova liderança para o Reino Unido.
Entre as mais variadas consequências a economia britânica parece ser também aquela cujos efeitos imediatos parecem produzir efeitos imediatos, tendo a Libra conhecido já uma queda na cotação do mercado.
Por outra, o preço do barril de petróleo registou mais uma baixa. Diz-nos a experiência que o cenário de instabilidades económicas trazem sempre a reboque uma avalanche de incertezas. A questão da saída do Reino Unido não é diferente.
A única certeza que o referendo parece trazer é a própria avalanche de incertezas.
Às consequências do “fora do Reino Unido” estende-se além do próprio continente europeu, para termos uma ideia deste prognóstico, podemos basear-se na importância das contribuições económicas que o Reino Unido fazia para a União Europeia que por sua vez estendia os seus tentáculos de influência económica em todo mundo com pacotes de financiamento que permitiam ter um jogo de influência política que dispensa outros comentários neste particular.
Porém, apesar de muitos prognosticarem que a saída do Reino Unido não vai provocar o efeito dominó, para os demais países europeus ou para o mundo, a nosso entender tal efeito será sim uma realidade, tímida, mas factual.
O que assistimos com a saída do Reino Unido da União Europeia é sim uma nova configuração na geopolítica económica mundial, onde os Estados guardiões como EUA e Rússia apesar de não terem um papel directo na formatação das opiniões dos eleitores do referendo, a verdade oculta é que a nova reconfiguração geopolítica mundial estará centrada numa economia ainda mais centralizada a nível das nações mais poderosas, isto aumentando a dependência das nações no quadro da estabilidade económica e da própria segurança regional.
Quem afirma que o Reino Unido saindo da União Europeia arrisca-se a falir como estado, certamente ao fazer tal afirmação também arrisca-se em esquecer-se que o Reino Unido pode ser um balão de ensaio de um novo modelo de governação centrado na formulação de políticas exclusivas perante as instabilidades mundial (crise humanitária em função da emigração, etc).
Reafirmamos que certamente haverá também uma mudança na ideologia política Britânica. O que quer dizer que os conservadores britânicos podem emancipar-se achando que assim haverá mais uma vez a possibilidade de liderar o mastro da condução política do país.
No entanto, apesar das incertezas, podemos prognosticar que o efeito desta saída para o continente africano representa também menos ajuda no campo humanitário, mais instabilidade política e social e possivelmente a ascensão de novos conflitos armados.
Reino Unido Fora da União Europeia é questão ainda em curso.
As suas consequências? Sim! São ainda um esmerilhado de incertezas.
Mas fica a lição para todas outras intenções, como por exemplo o acordo do livre comércio na região da SADC que para está organização passa a ser uma experiência a ter conta, perante ascensão dos povos em quererem ver os seus governos a administrarem mais para dentro do que para fora...
Fica patente que com a saída da União Europeia o mundo perde um pouco a dimensão da importância do conceito que a união faz a força e consequentemente de que todos juntos é mais possível (...).

domingo, 12 de junho de 2016

A RETÓRICA DE TRUMP EM CAMPANHA ELEITORAL


Por: Bento dos Santos
Já passam alguns anos que defendo o seguinte pensamento: Para ser reconhecido pela opinião pública existem duas possibilidades, ou ser muito bom ou ser muito mau... Uma das condições certamente lhe transportará para fama.
Cépticos ou não, a verdade é que os estrategas de Trump já podem festejar a primeira etapa. O objectivo primário foi alcançado. Trump já é um dos fortes candidatos a casa Branca, e certamente vai concorrer a um dos cargos mais cobiçados do mundo. Trump já está nos holofotes da midia mundial, e em muitas ocasiões, gratuitamente. O cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, um dos países mais poderoso do mundo tem agora um candidato com perfil de mal-educado, dizem alguns analistas internacionais.
Mas o que podemos aqui retratar, são as abordagens polémicas de Donald Trump o pre-candidato da esquerda republicana. Suas abordagens são quase sempre acompanhadas de insultos que chegam a dividir as opiniões no seio do seu Partido "Os Republicanos".
Por conseguinte a imprensa mundial, encontrou uma máquina grátis de produção de factos. Está máquina 《》 chama-se Donald Trump. Quando o homem abre a boca para falar ao público, deixa quase sempre um rastro de contradições e polémicas que a prior muitos políticos cá da nossa praça tidos como experimentados, já o consideravam como um difundo político. Diziam que Trump não passaria para a segunda fase...
E porque que tinham está visão?
Muitos confundiam, e talvez continuaram a confundir o que pode ser considerado como as perspectivas estratégicas dos estrategas de Trump que não se prenderam nas suas próprias convicções. Outros alegavam que Trump estava a fazer "show of", ou política para si mesmo...
Foram infelizes, pois com a chegada de Trump a concorrer a presidência da Casa Branca é claro que vão ter de baixar a crista e engolir a arrogância e talvez apreenderem a ouvir, pois vão ter de supotar a surdina mais uma falha de leitura e desenho de cenários o qual revelam que não estiveram habilitados para tal.
A pergunta:
- Como pode um candidato que ataca o eleitorado, destratando-o ser escolhido?
A resposta a está pergunta, centra-se precisamente no sucesso de Trump.
Enquanto uns se prendem avaliando o seu perfil, muitos entre o eleitorado se revejam nele, pois acreditam que Trump fala de tal forma porque sabe das coisas. Podemos dizer que a polémica de Trump faz ascender a sua própria credibilidade.
A estratégia da polémica discursiva de Trump centrou-se nas expectativas do próprio eleitorado. Não devemos esquecer que o sensacionalismo tem-se revelado como táctica muito forte para a estratégia da propaganda política nos últimos tempos. 
As acções e factos sensacionalistas têm mobilizado mais pessoas do que temas e factos recheados de valores sociais. Trump foi apelidado de mestre do insulto: - "Construiria um grande muro" prometeu Trump em certa ocasião...ao referir-se ao combate à imigração ilegal no seu país.
Outrossim, o eleitorado norte-americano ainda mantém elevada a ânsia da vingança, pos 11 de Setembro. O Presidente Obama teve dois mandatos que certamente vão ficar para história pela positiva, principalmente no campo das relações internacionais, mas ficou por resgatar o orgulho patriótico dos norte-americanos que anseiam voltar a ter a hegemonia da prepotência mundial, até num simples acto de identificação pelo passaporte. 
Outro factor a termos em consideração baseia-se na projecção da imagem no seio da opinião pública. Contrariamente ao modelo de liderança baseado na arrogância, o discurso musculado projecta uma falsa imagem de força para o eleitorado. Neste estágio de perspectivas associada a ansiedade, a projecção da força, sob estratégia discursiva anula a avaliação de outras qualidades que devia ter-se em conta por parte do eleitorado.
Atenção não estamos a assumir que o perfil do eleitorado seja composto por leigos, mas o uso do jogo da inteligência cognitiva de supostamente fazer e dar o que o próprio eleitorado quer.
Em muitas ocasiões, neste caso específico da época pré eleitoral, a referida estratégia funciona como uma massa de bolo posto numa forma a medida.
Assim, fica a lição. Para aqueles que ainda acham que uma boa estratégia discursiva já não mobiliza o eleitorado, seria bom que revessem as suas posições, pois em diversas ocasiões existem e sempre existiram, palavras que alteraram de forma drástica inúmeras situações. Tanto para o lado positivo como também para o negativo. E na política tal possibilidade não é excepção.