INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

terça-feira, 22 de novembro de 2016

REDES SOCIAIS, O REGRESSO DA TORRE DE BABEL?!

Por: Bento dos Santos
Apesar das inúmeras desigualdades no acesso directo aos meios de comunicação social, está comprovado cientificamente que antes, nunca houve tantas e tão variadas tecnologias e suportes de comunicação e informação como os que actualmente funcionam como alternativa a esses meios.
Antes, não havia tamanha circulação de conteúdos no contexto periférico da comunicação social.
Na actualidade, não há como negar que a televisão, a imprensa escrita e falada, e a internet são potencialmente os novos espaços privilegiados para a transformação e reflexão social, muitas vezes aproximando pessoas e grupos, familiarizando o  cotidiano, sustentando ou derrubando ideologias, apontando caminhos mais criativos, denunciando deformidades sociais, como a corrupção e outros tantos problemas sociais.
Todavia, os inúmeros novos meios de comunicação e informação criaram também novos actores no espaço periférico da comunicação social e estes agem a margem do contexto formal buscando aceder as fontes de informação, o que pressupõe um novo desafio para as sociedades democráticas que tem na mobilização um dos seus principais campos de actuação. Isto porque o modelo dos estados democráticos fundamentam-se essencialmente a partir da base participativa e deliberativa, o que também pode ser entendido como um modelo que prevê o alargamento do conceito de cidadania, isto é, abrangendo o maior contingente de cidadãos portadores de direitos como nunca antes visto  na história.
Tomemos como exemplo a disseminação das informações no espaço público, sobre casos aliados a criminalidade no que concerne às matérias que apresentam uma perspectiva de uma determinada política pública. Quanto a esta questão uma das perguntas que pode ficar e que pode ser estendida às outras temáticas, é:
Em que medida esse tipo de intervenção tem colaborado efectivamente para pautar o Estado no sentido de que adopta uma política efectiva para a resolução de uma determinada questão ligada a criminalidade?
É no contexto da interação entre os cidadãos, especificamente a sociedade civil e o Estado, que surgem dispositivos que agindo na periferia do poder público  (as redes sociais sob plataforma da internet), permitem a participação na discussão e deliberação acerca dos mais variados temas públicos.
Porém, é também a partir desta imensidão de fontes e de excedente de informação e de canais de comunicação que se denota a incompreensão social sobre o foco de muitas mensagens públicas.
Assim para garantir a existência e efectividade desses fóruns, vê-se o poder público diante da necessidade de ser ele próprio o mobilizador  direccionando as suas acções para uma comunicação social mais objectiva e realista.
O alargamento da perspectiva a que nos referimos  inclui entre as suas diversas finalidades não somente a difusão das informações supostamente do interesse público. Mas também há necessidade de assegurar as relações sociais, no caso entre o Estado e os Cidadãos, assim como provocar alterações  na organização social nos regimes democráticos. Ou seja, uma prática que contribua para alimentar o  conhecimento cívico, e que venha a facilitar  à acção pública e garantir o debate público.
Outrossim, de que maneira o cidadão poderá fazer valer a sua prerrogativa de participar efectivamente dos temas em abordagem nos meios de comunicação social?
Talvez em diferentes contextos seja diferente, mas é sempre possível que um cidadão busca alcançar isoladamente essas instâncias, isto para ter a possibilidade de dar voz às suas opiniões, expectativas e interesses.
Entretanto, o que chamamos de participação nessas instâncias é na verdade uma complexa busca para a combinação de actores, no caso pessoas e instituições que podem se mobilizar para essa finalidade. Isto implica necessariamente a questão da dimensão dos temas abordados na esfera pública.  É a partir desta união que se pretende, que o espaço virtual tem permitido fundir tendências culturais e comportamentais, ausentes dos padrões sólidos aliados ao carácter e aos valores individuais de cada um. Essas digressões virtuais, muitas vezes anulam as fronteiras do bom senso e instantaneamente fazem surgir e promover a incompreensão das mensagens no espaço público.
Contudo, actualmente no contexto da comunicação social angolana se denota uma grande ausência da abrangência do tratamento das questões factuais consideradas importantes e do interesse público com base no jornalismo factual e isento.
Questões como a definição das políticas públicas  existentes e que deveriam existir, bem como o acompanhamento e avaliação das metas que devem ser cumpridas e muitas outras, têm sido deixadas de lado, o que dá consistência a uma constatada confusão perante a realidade dos factos, e as redes sociais tem então sido utilizadas como campo alternativo para a participação dos cidadãos na vida pública o que também faz renascer a histórica "Torre de Babel" versada nas temáticas bíblicas. E não é que lá (...) todos falam mas não se entende nada!!!
E agora mais esta pá!

Obs: Qualquer utilidade deste artigo deverá referenciar a fonte. Pois este texto é parte integrante da nova obra literária do autor Bento José dos Santos.

domingo, 13 de novembro de 2016

VICTÓRIA DE TRUMP LEVA AMERICANOS A BELISCAR A DEMOCRACIA

Os resultados das eleições presidenciais norte americanas, realizadas no passado dia 8 do mês corrente ainda não pós fim a fábrica de surpresas que os Estados Unidos da América tem vindo a revelar no seu cenário político mundial.
Se por um lado muitos prognosticavam que um dos candidatos à presidência perderia certamente por ser super "mal-criado" por outro, após o pleito, se assiste muitos especialistas  a tentarem entender porquê que a Maria não levou todos (...); entende-se a Hillary não levou todos votos. Entre pretextos e justificações, alguns entre muitos cidadãos de uma das nações mais poderosas do mundo, isto é os EUA não se conformam e revelam o que, o agora Presidente havia dito...
-"Não aceitam pacificamente os resultados das eleições".
Não vamos aqui fazer grandes incursões na história para dizer que os Estados Unidos da América se apresenta 《》como um dos países mais democráticos do mundo. Aliás o partido derrotado tem a designação de "Democratas". Importa lembrar sim, que o sistema político dos Estados Unidos da América funciona numa base de República Federal Presidencialista.
A história dos EUA ascende entre 1783 e 1815 períodos que foram caracterizados por três factos sonantes, sendo que em 1787 representantes de todos Estados Americanos reuniram e juntos escreveram a Constituição Americana. O segundo período foi da expansão territorial com anexação das treze colónias em território britânico, como parte dos termos do acordo de Paris. O terceiro período foi o das dificuldades económicas e das infra-estruturas bem como vários conflitos diplomáticos. Isto é para termos uma ideia sobre o percurso dos americanos e pararmos de pensar que lá é o paraíso perdido do Tio Adão e da Dona Eva!
Bem; história a parte! A verdade é que os Estados Unidos da América, um país com mais de 240 anos, tidos como os donos do mundo 《》 hoje dá uma "grande bandeira" e começa a revelar que não convive de forma salutar com a democracia.
Depois de inúmeros episódios desprestígiantes com várias mortes por assassinatos nos últimos meses, mortes estás de cidadãos maioritariamente da raça  negra, agora o mundo assiste como os americanos reagem mal, isto é, de estômago virado quando o resultado não agrada à alguns.
Será que Trump fez batota?
Será que a oposição americana vai chamar os observadores internacionais para fazerem uma auditoria no processo eleitoral?
Ou será que os nossos políticos da oposição, os cá do nosso país irão para lá na condição de especialistas para averiguarem onde esteve a fraude?
Ou não(...)
Será que é feitiço... Como dizem algumas vozes cá da nossa praça política?!
Com estômagos virados ou não, a verdade é que os democratas ou melhor a Hillary e o kamba dela, o mais-velho Obama e todos outros levaram uma surra nas urnas, e podemos aqui espelhar os resultados:
Embora Hillary tenha recebido mais votos populares que Donald Trump, a democrata só venceu em 20 Estados e na capital Federal, o que representa 228 votos correspondentes no Colégio Eleitoral.
Trump, por sua vez venceu em 29 Estados e somou 290 votos no colégio Eleitoral, 20 a mais que os 270 necessários para se eleger presidente.
Contas feitas e é motivo para dizer: Foi Surra ou Quê?!
Entre justificações e lamentações, a dura realidade actual é que alguns americanos resolveram agir conforme a suposta nova moda de fazer política: manifestações na área. E assim os Estados Unidos da América o tido país mais exemplar na democracia mundial vem dar uma demonstração que afinal o feitiço pode sempre voltar contra o feiticeiro...
E mais está pá!
Se fosse aqui em África?!
O que diriam os partidos da oposição?!
(...)

sábado, 29 de outubro de 2016

UM CAMINHO PARA SER LIVRE

Bento dos Santos*.
Encontrar ou mobilizar pessoas para lerem determinados textos tem sido um desafio permanente para muitos, assim como eu. De um lado os pressupostos passam por alegações que se prendem desde a suposta qualidade dos textos, que desde já, podem ser excluídos pelos potenciais leitores a partir do título, caso não seja do seu agrado.
Uns alegam ter preferência temática, outros tantos são vítimas da preguiça mental. Desculpem, mas espero que a “carapuça” não lhes tenha servido. Outros tantos, vão mas longe, e se refugiam na falta de educação para o hábito da leitura. Culpam os seus encarregados de educação, por serem hoje eles os portadores de tais défices. Outros tantos, defendem-se com a idade; dizem ainda serem jovens para lerem textos que tratam disto ou daquilo (…); Enfim, são tantas as supostas justificações para às pessoas não lerem, que em outros momentos se esquecem que no frenétismo de ser conhecido publicamente, o nada não vale. Até porque o desafio de quem é melhor que o outro já foi institucionalizado com debates sem fundamentação comprovável; como redigia, esquecem que na busca de ser aparentemente melhor que…e do que… ler facilita alcançar qualquer objectivo.
Das inúmeras mas poucas entrevistas que já concedi aos meios de comunicação social, desde a publicação da primeira obra “Pensar Social, Exercer Cidadania” algumas perguntas tem-se revelado actuais e pertinentes.
Como exemplo, porquê que escrevi o livro?
Qual foi o factor motivacional?
Bem, no meu caso particular, diferente de muitos cantores, bailarinos, políticos, escritores, advogados, engenheiros, e tantos outros que, quando questionados desta forma, revelam que já nasceram a cantar, outros revelam que desde que nasceram já tinham inclinação para escrita, outros ainda dizem já defenderem casos desde bebés por isso são advogados, e explicam com factos, por exemplo, uns tantos lembram-se que quando ainda bebés os primeiros casos a defenderem foi por exemplo o da sua progenitora, isto porque quando o seu pai estivesse a discutir com a sua mãe, ele rapidamente começava a chorar e só calava quando o seu pai parasse de gritar com a sua mãe, enfim, muitos outros tantos casos, tem sido revelados pelos iluminados que já me levaram a pensar o quanto nós, eu e vocês podemos ser diferentes por não termos a mesma historia.
Porquê escrever “Pensar Social, Exercer Cidadania”. Acho que no próprio livro eu procurei revelar os factores motivacionais. Pensar é um exercício permanente da nossa condição racional em perfeito juízo. Pensar Social vai ao encontro daquilo que tem sido a nossa realidade. Quando diariamente nos deparamos com problemas que nos afectam, não basta fazermos a transferência dos nossos problemas para às instituições de direito. Elas devem sim, cumprir com o seu papel, aliás, às instituições têm obrigação legal para o efeito, mas atenção; certamente que os mais interessados em ver os nossos problemas resolvidos atempadamente somos nós!
Dai, o porque da nossa participação. É também sobre este pressuposto que surge o exercer cidadania. Pensar Social, Exercer Cidadania não é um livro perfeito, não é o melhor livro. É apenas um exercício de cidadania que eu enquanto capaz de conceber algo material por meio da escrita vi-me no direito, na obrigação e no dever de participar na busca de soluções para os nossos problemas, cuja solução depende única e exclusivamente de nós humanos. José Mártir escreveu “Ser Culto Para Ser Livre”.
Por vezes, escrevemos milhares de palavras, textos mágicos que conseguem fazer embalar inúmeras pessoas através do desinteresse que denotam com determinados assuntos. Mas, por vezes sentimo-nos realizados, porque na imensidão de palavras uma ou duas ou três ou quatro, ou cinco ou todas são validadas e fazem eco entre muitos e muitos…
E porque, com a escrita, podemos viajar sem pagar o bilhete, podemos ser vitimas, heróis, pobres, ricos, mágicos, perfeitos ou malignos. Enfim podemos alcançar a imensidão das realizações perspectivadas nas nossas imaginações, tudo isto, através da escrita. E mais… Com a mágica da escrita podemos parar o imparável (…) E o quê isto de imparável?
O imparável é o tempo!
Com a escrita, podemos recuar e avançar o tempo. Enfim!
Com a escrita podemos trilhar um caminho para ser livre. Recordei-me agora da pergunta, que ainda não respondi. Qual foi o factor motivacional para escrever o livro Pensar Social, Exercer Cidadania?
Participar. Porque somos cidadãos, devemos participar. Esta é a resposta. Porque somos cidadãos devemos participar na resolução deste e daquele problema que nos aflige e nos atinge como seres sociais.
E quando comecei a escrever?
Não sei!
Até porque acho que ainda não sei ler, e muito menos escrever. Na realidade estou apenas a buscar um caminho para ser livre.
*Escritor e Pesquisador Social








DISPUTA POLÍTICA 2017 AQUECE O BALÃO

Vai ser interessante. Aliás; já está a ser interessante ver alguns partidos da oposição a ensaiarem às suas estratégias de mobilização. Infelizmente e abono da verdade, é sempre melhor para nós que todos eles continuem a ter às suas estratégias arroladas na imitação. A verdade porém, é que não vamos celebrar vitórias antecipadas, até porque não é menos verdade que estes tidos partidos já nos provaram muitas vezes que vendem até à própria alma na busca do alcance ao poder.
Porém, o que nos preocupa não são prioritariamente eles, tão pouco os nossos votos certos. O que nos preocupa não são os votos dos nossos militantes que trilham o caminho da vida trabalhando na zunga, ou no mercado do peixe. O que nos preocupa não são os nossos primos do mercado do sabão ou os nossos tios que não aceitaram emigrar para a grande cidade.
O que nos preocupa mesmo, são os Judas Políticos. Aqueles que na poltrona das suas casas e no conforto do bem-estar proporcionado pelo trabalho do governo, continuam a comer "Peru e arrotam Mortandela". Estes sim, nos preocupam porque geralmente votam no partido dos hipócritas que nem Judas, e vem nos dizer que está bem, mas assim também não dá!!!
Está interessante ver; e será ainda mais interessante avaliar o que mais podem fazer...
Mas a Victória,  meus Camaradas... Está podem ter a certeza que é certa. E esta victória é do MPLA.

domingo, 23 de outubro de 2016

DEZ SINAIS QUE CARACTERIZAM ÀS PESSOAS QUE NÃO GOSTAM DE LER


(OBS: Infelizmente este post contínua actual).

1º Acham e defendem que não têm tempo para ler;

2º Geralmente lêem por imposição e quando o fazem, focam-se apenas no que acham importante; exemplo: Lêem apenas às conclusões ou recomendações;

3º Lêem por imposição do contexto (provas, reuniões, apresentação, preparação da aula...etc);

4º Fingem ter preferência em géneros literários, mas não têm nenhuma leitura em curso seja ela de cabeceira ou não;

5º Pensam que já lêem muito em função das suas actividades;

6º Compram livros apenas para alimentarem o seu próprio ego, pois nunca chegam à lê-los (Autora deste Sexto ponto: Dra.Jocelina Livuvu);

7º Geralmente confundem o percurso do conhecimento com o da fama;

8º Quando fingem ler; minutos depois dizem: "-eu li mesmo...só que esqueci, mas...vou voltar a ler". São de fraca memória;

9º São atrevidos. Comentam sobre assuntos que não dominam, pois geralmente são desprovidos de conhecimentos formais.

10º Entre os seus próprios segredos conservam o pensamento que não são notórias às suas faltas do domínio da cultura geral. Mas á insegurança de serem questionados em público os torna arrogantes com posições imperativas.

Ponto Prévio (PP)- um intelectual é uma pessoa que usa o seu intelecto para estudar e reflectir acerca de ideias, de modo que este uso do seu intelecto possua uma relevância social e colectiva. Este post continuará a ser desenvolvido.
De: Bento dos Santos.

Luanda, 09/10/2016.

QUEM PODIA SALVAR DILMA


O contexto da política internacional continua a captar a atenção da imprensa internacional. Com a denúncia ainda embrionária do vazamento de informações do paraíso fiscal do "Panamá Papers", incidindo a tragédia na India que causou a morte de mais de cem pessoas que assistiam um espetáculo com fogo-de-artifício, o Brasil ressurge no contexto da opinião pública internacional com o caso "impeachment" onde os deputados poderão votar no próximo Domingo sobre a distituição ou não da Presidente Dilma sob acusação de alegada corrupção, e o risco da incerteza, perante o processo denominado como "lava jato" que envolve figuras de proa na liderança brasileira.
Num contexto de intensa crise política interna, com ascensão da instabilidade social naquele país, uma pergunta busca uma resposta prática dos inúmeros consultores, assessores, estrategas políticos, entre os demais actores da arena política brasileira.

Quem podia salvar Dilma?

Lula chegou a cumprir com a promessa e activou àquela que supõem-se ser à sua arma estratégica mais forte: a retórica. Mas até agora o resultado parece ainda distar dos objectivos preconizados. O que Lula pretende com o activismo político é usar o último recurso que podia realmente salvar Dilma. Isto é, o povo!

Porém, a estratégia das diligências parlamentares com troca de cargos, compra de votos etc, não deram a garantia que o partido (PT) de Lula esperava. E como o risco e a incerteza política em nada ajudam nas expectativas de quem governa, a estratégia mais forte e mais complexa foi activada por Lula. Mas digamos que…foi activada tarde de mais.

Despertar a vontade do povo para defender Dilma, em nosso entender seria a melhor forma de salvaguardar Dilma como Presidente. Mas uma outra realidade jogou contra a maré de Lula. Os maiores fazedores de opinião convencional, no caso a maior imprensa brasileira "entre os quais os barões da rede globo" rumam contrariamente à esta tardia mobilização. É preciso ter em conta que a opinião pública quando activada tardiamente, geralmente adopta uma posição homogénea a opinião vinculada, e o caso de Dilma foi mais uma evidência factual deste pensamento.

 

 

TRUMP E HILLARY, UM DEBATE UM FUTURO MUNDIAL


Quem teima em não querer saber, o que acontece nas maiores potenciais mundiais, mas se diz actor político, está condenado á tormenta do fracasso político.
Já o tínhamos revelado e esgrimido que os Estados Unidos da América (EUA) é um dos países líderes da inovação. Depois de eleger o primeiro Presidente da raça negra na sua história, agora, pela primeira vez tem um candidato presidencialmente "malcriado" à concorrer a um dos principais cargos mais importantes do mundo. Presidente dos EUA.
A estratégia dos discursos e intervenções polémicas adoptada por Donald Trump como forma de mobilizar e centrar à atenção da mídia e dos eleitores americanos têm provocado um efeito contrário às expectativas de Trump e dos Republicanos.
Se no primeiro debate Hillary confirmou aos eleitores que à sua experiência acumulada na diplomacia e nas lides políticas norte-americana podem ser uma fonte de certeza para os democratas, não menos verdade, foi o descarrilar de Trump que revelou ao mundo à sua acentuada falta de preparação, incluindo falta de auto-confiança às confrontações temáticas que ele próprio ascendia.

Neste Domingo (09/10/016) voltam à confrontar-se os partidos políticos norte americanos Democratas e Republicanos; ou melhor Trump e Hillary...

O que se espera?

De Trump à audiência espera uma nova aberração polémica, o que infelizmente também tem defraudado às expectativas. Não foi em vão que na última semana os assessores e estrategas democratas puseram à circular algumas das muitas intervenções polémicas feitas por Trump contra às mulheres. Às consequências de tal acção foram e estão a ser profundamente imensas e desfavoráveis para os Republicanos. A nível interno do partido Republicano assiste-se já uma grande repulsa à candidatura de Trump e algumas peças chaves na liderança dos Republicanos como exemplo à ex-secretária de estado, a republicana Condoleezza Rice e o Vice-presidente John Mccain vieram a público sugerir a desistência de Trump e alegam que não irão votar em Trump. Entre os problemas dos Republicanos e os estragos causados por Trump uma lição revela-se para à nossa política interna:

-"Fazer política é assunto sério. Não é em vão que a ciência tem como um dos seus campos de estudo a política". O que se espera de Hillary durante o debate?
Pode-se prognósticar uma Hillary mais ofensiva. Tudo porque na última semana, que pode-se considerar catastrófica para Trump, isto depois da divulgação de um vídeo feito no ano 2005 no qual Trump menospreza às mulheres.

No vídeo, Trump diz a um apresentador de televisão durante uma conversa gravada sem o seu consentimento em um ónibus:

-"Quando você é famoso, elas deixam você fazer. Você pode fazer qualquer coisa". E disse muito mais (...); Com este cenário de escândalos de posicionamentos ideológicos revanchistas Trump arrisca-se a perder definitivamente o eleitorado feminino e certamente, neste segundo debate Hillary irá tirar grande proveito desta situação. Talvez Trump poderá apelar á humildade e contra-atacar usando a imagem do ex-presidente Bill Clinton que teve escândalos extras- conjugais durante o seu mandato presidencial.

A bandeira de Trump tem sido tão grande que até à sua esposa já veio ao público tentar amenizar, classificando de inaceitáveis e ofensivas às declarações do seu marido, mas alegou que tais pronunciamentos "não representarem o homem que ela conhece"...
Verdade porém, é que ela não tem liderança reconhecida no seio do eleitorado.
Cá para nós fica arrebatada à ideia que no meio de tanta confusão, é um grande risco ter um líder mal-criado com o poder de influência mundial que têm os presidentes dos EUA.
Outra oportuna lição, se é que a podemos assim designar, prende-se na acentuada irresponsabilidade que se tem assistido ao se fazer política no nosso contexto interno, onde muitos actores políticos da nossa praça buscam usar a estratégia da polémica para mobilizar e atrair à atenção do público eleitor esquecendo que está estratégia geralmente não significa à aprovação de determinadas visões ou ideologias políticas.
Perante a estratégia das intervenções polémicas, geralmente quando o público eleitor tem a oportunidade de homologar à sua vontade, isto pelo voto, eles regularmente fazem-no em sentido contrário ao do promotor das polémicas.

Entre os diversos riscos do constante uso da estratégia da polémica, também associa-se à necessidade da permanente da manutenção da credibilidade. Outro risco que leva a erradas avaliações do trabalho político, é a estratégia da política do umbigo, conforme palavras do jovem político cá da nossa praça.

Este conceito novo e residente, tem levado a muitos actores políticos avaliarem erradamente à aprovação dos eleitores no que concerne aos seus programas políticos, confundindo-os com à sua própria promoção de imagem. Fica o recado e às ilações...Se por lá o magnata está à dar-se mal, porque usou a estratégia da política do umbigo, por cá, ainda há muito para se ver. Pode-se dizer que este é mais um exemplo do “PODER DA RETÓRICA NA MOBILIZAÇÃO POLÍTICA”. E que fique registado o recado para todos que acham que nos tempos actuais, a mobilização política, já não se assenta na capacidade retórica. A campanha entre os candidatos Democratas e os Republicanos nos EUA tornou-se uma aula sobre o poder da retórica na mobilização política.

Fica o recado, e quiçá não vamos a prática. Trump e Hillary. Um debate um futuro mundial.

sábado, 25 de junho de 2016

REINO UNIDO FORA DA UNIÃO EUROPEIA "UMA REFLEXÃO QUE SE IMPÕEM"


Por: Bento dos Santos
Alguns talvez dirão:
-" O problema é deles, nós também temos os nossos problemas".
É bem verdade que sim. Todavia, hoje tais acontecimentos não são passíveis de um simples olhar e a desvaneio assobiar de lado, ignorando às questões, quando sabemos que hoje o mundo tal como o conhecemos é equiparado a uma aldeia global.
Podemos resumir tal acepção, percebendo que o que se faz em um determinado país, o que acontece em determinado país, o que ocorre em um determinado estado pode em muitas ocasiões influenciar em outros estados, fazendo com que estes alterem às suas políticas económicas, jurídicas, educacionais entre outras.
Com 52% dos votos a favor e 48% contra, o Reino Unido decidiu sair da União Europeia. A vontade do povo Britânico ditou mais uma vez as regras da vigência da democracia naquele país.
A opinião pública britânica demostrou a sua posição e passa a fazer história com um referendo que já marca o mês de Junho de 2016 para história internacional e que põe fim a décadas de vigência. Foi a cerca de 41 anos atrás a quando do 5 de Junho de 1975 quando o governo do então Primeiro-ministro Trabalhista Harold Wilson perguntou aos eleitores se o Reino Unido devia permanecer na Comunidade Económica Europeia "CEE".
Na época o Reino Unido já havia aderido à CEE, isto em 1973, contudo, o actual acordo também servia de modelo para os demais continentes, que sob filosofia da plataforma "juntos somos mais fortes" tentam integrar as políticas entre estados, na perspectiva de uma governação regional e continental.
Às consequências da saída do Reino Unido da União Europeia fizeram com que David Cameron, Primeiro-ministro daquele país, que defendia o não, "entenda-se o não da saída da união europeia" após os resultados, pose-se o seu cargo a disposição. Segundo o mesmo, vai deixar o cargo já no mês de Outubro do ano em curso, sob pretexto de que o presente resultado impõem uma nova liderança para o Reino Unido.
Entre as mais variadas consequências a economia britânica parece ser também aquela cujos efeitos imediatos parecem produzir efeitos imediatos, tendo a Libra conhecido já uma queda na cotação do mercado.
Por outra, o preço do barril de petróleo registou mais uma baixa. Diz-nos a experiência que o cenário de instabilidades económicas trazem sempre a reboque uma avalanche de incertezas. A questão da saída do Reino Unido não é diferente.
A única certeza que o referendo parece trazer é a própria avalanche de incertezas.
Às consequências do “fora do Reino Unido” estende-se além do próprio continente europeu, para termos uma ideia deste prognóstico, podemos basear-se na importância das contribuições económicas que o Reino Unido fazia para a União Europeia que por sua vez estendia os seus tentáculos de influência económica em todo mundo com pacotes de financiamento que permitiam ter um jogo de influência política que dispensa outros comentários neste particular.
Porém, apesar de muitos prognosticarem que a saída do Reino Unido não vai provocar o efeito dominó, para os demais países europeus ou para o mundo, a nosso entender tal efeito será sim uma realidade, tímida, mas factual.
O que assistimos com a saída do Reino Unido da União Europeia é sim uma nova configuração na geopolítica económica mundial, onde os Estados guardiões como EUA e Rússia apesar de não terem um papel directo na formatação das opiniões dos eleitores do referendo, a verdade oculta é que a nova reconfiguração geopolítica mundial estará centrada numa economia ainda mais centralizada a nível das nações mais poderosas, isto aumentando a dependência das nações no quadro da estabilidade económica e da própria segurança regional.
Quem afirma que o Reino Unido saindo da União Europeia arrisca-se a falir como estado, certamente ao fazer tal afirmação também arrisca-se em esquecer-se que o Reino Unido pode ser um balão de ensaio de um novo modelo de governação centrado na formulação de políticas exclusivas perante as instabilidades mundial (crise humanitária em função da emigração, etc).
Reafirmamos que certamente haverá também uma mudança na ideologia política Britânica. O que quer dizer que os conservadores britânicos podem emancipar-se achando que assim haverá mais uma vez a possibilidade de liderar o mastro da condução política do país.
No entanto, apesar das incertezas, podemos prognosticar que o efeito desta saída para o continente africano representa também menos ajuda no campo humanitário, mais instabilidade política e social e possivelmente a ascensão de novos conflitos armados.
Reino Unido Fora da União Europeia é questão ainda em curso.
As suas consequências? Sim! São ainda um esmerilhado de incertezas.
Mas fica a lição para todas outras intenções, como por exemplo o acordo do livre comércio na região da SADC que para está organização passa a ser uma experiência a ter conta, perante ascensão dos povos em quererem ver os seus governos a administrarem mais para dentro do que para fora...
Fica patente que com a saída da União Europeia o mundo perde um pouco a dimensão da importância do conceito que a união faz a força e consequentemente de que todos juntos é mais possível (...).

domingo, 12 de junho de 2016

A RETÓRICA DE TRUMP EM CAMPANHA ELEITORAL


Por: Bento dos Santos
Já passam alguns anos que defendo o seguinte pensamento: Para ser reconhecido pela opinião pública existem duas possibilidades, ou ser muito bom ou ser muito mau... Uma das condições certamente lhe transportará para fama.
Cépticos ou não, a verdade é que os estrategas de Trump já podem festejar a primeira etapa. O objectivo primário foi alcançado. Trump já é um dos fortes candidatos a casa Branca, e certamente vai concorrer a um dos cargos mais cobiçados do mundo. Trump já está nos holofotes da midia mundial, e em muitas ocasiões, gratuitamente. O cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, um dos países mais poderoso do mundo tem agora um candidato com perfil de mal-educado, dizem alguns analistas internacionais.
Mas o que podemos aqui retratar, são as abordagens polémicas de Donald Trump o pre-candidato da esquerda republicana. Suas abordagens são quase sempre acompanhadas de insultos que chegam a dividir as opiniões no seio do seu Partido "Os Republicanos".
Por conseguinte a imprensa mundial, encontrou uma máquina grátis de produção de factos. Está máquina 《》 chama-se Donald Trump. Quando o homem abre a boca para falar ao público, deixa quase sempre um rastro de contradições e polémicas que a prior muitos políticos cá da nossa praça tidos como experimentados, já o consideravam como um difundo político. Diziam que Trump não passaria para a segunda fase...
E porque que tinham está visão?
Muitos confundiam, e talvez continuaram a confundir o que pode ser considerado como as perspectivas estratégicas dos estrategas de Trump que não se prenderam nas suas próprias convicções. Outros alegavam que Trump estava a fazer "show of", ou política para si mesmo...
Foram infelizes, pois com a chegada de Trump a concorrer a presidência da Casa Branca é claro que vão ter de baixar a crista e engolir a arrogância e talvez apreenderem a ouvir, pois vão ter de supotar a surdina mais uma falha de leitura e desenho de cenários o qual revelam que não estiveram habilitados para tal.
A pergunta:
- Como pode um candidato que ataca o eleitorado, destratando-o ser escolhido?
A resposta a está pergunta, centra-se precisamente no sucesso de Trump.
Enquanto uns se prendem avaliando o seu perfil, muitos entre o eleitorado se revejam nele, pois acreditam que Trump fala de tal forma porque sabe das coisas. Podemos dizer que a polémica de Trump faz ascender a sua própria credibilidade.
A estratégia da polémica discursiva de Trump centrou-se nas expectativas do próprio eleitorado. Não devemos esquecer que o sensacionalismo tem-se revelado como táctica muito forte para a estratégia da propaganda política nos últimos tempos. 
As acções e factos sensacionalistas têm mobilizado mais pessoas do que temas e factos recheados de valores sociais. Trump foi apelidado de mestre do insulto: - "Construiria um grande muro" prometeu Trump em certa ocasião...ao referir-se ao combate à imigração ilegal no seu país.
Outrossim, o eleitorado norte-americano ainda mantém elevada a ânsia da vingança, pos 11 de Setembro. O Presidente Obama teve dois mandatos que certamente vão ficar para história pela positiva, principalmente no campo das relações internacionais, mas ficou por resgatar o orgulho patriótico dos norte-americanos que anseiam voltar a ter a hegemonia da prepotência mundial, até num simples acto de identificação pelo passaporte. 
Outro factor a termos em consideração baseia-se na projecção da imagem no seio da opinião pública. Contrariamente ao modelo de liderança baseado na arrogância, o discurso musculado projecta uma falsa imagem de força para o eleitorado. Neste estágio de perspectivas associada a ansiedade, a projecção da força, sob estratégia discursiva anula a avaliação de outras qualidades que devia ter-se em conta por parte do eleitorado.
Atenção não estamos a assumir que o perfil do eleitorado seja composto por leigos, mas o uso do jogo da inteligência cognitiva de supostamente fazer e dar o que o próprio eleitorado quer.
Em muitas ocasiões, neste caso específico da época pré eleitoral, a referida estratégia funciona como uma massa de bolo posto numa forma a medida.
Assim, fica a lição. Para aqueles que ainda acham que uma boa estratégia discursiva já não mobiliza o eleitorado, seria bom que revessem as suas posições, pois em diversas ocasiões existem e sempre existiram, palavras que alteraram de forma drástica inúmeras situações. Tanto para o lado positivo como também para o negativo. E na política tal possibilidade não é excepção.

 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

FILOMENA FRANCISCO JOSÉ DOS SANTOS. "A MINHA MÃE"!




“Em memória de Filomena Francisco José dos Santos

Texto reeditado aos 15/02/2016”
Minha mãe, naquele dia voltou sem nada.
Não tinha vendido nada. Parece que os clientes adivinharam e resolveram participar na maldade.
Sabias que é maldade não comprares nada do negócio do pobre?
Parecia que a pouca sorte se multiplicará, e todos resolveram nos castigar. O negócio da minha mãe era pesado em quilos mas levíssimo no preço.
Era de fácil aquisição e tornava-se humilhante por vezes.
Eu e a mãe vendíamos garrafas vazias, e uma das muitas responsabilidades que a mãe me incumbiu naquele grande negócio, era tratar da área logística.

Eu transportava na cabeça o saco com mais de cem (100) garrafas de várias qualidades, e tinha de estar sempre em forma. No meu currículo descrevia-se a performance ideal para aquela profissão. Tinha as vantagens para admissão imediata para aquela vaga, pois a mãe não segmentava-se nas novas barreiras nacionais para pobre não “bumbar” os famosos requisitos profissionais como: “ inglês fluente, falado e escrito ou os famosos mil e cem (1100) anos de experiência profissional comprovada”.
Para seres admitido pela minha mãe, tinhas de ser angolano, saber andar, e de preferência correr, mas correr bem. Se possível correr mais que o compadre “Saiovo”. Tinhas também de agir com rapidez e perspicácia, características raras, só vistas nos currículos e nas acções dos muitos mádies do Kumbú aqui na nossa praça.
Nós zungueiros tínhamos de às ter, entenda-se os requisitos da corrida, pois os fiscais eram dotados em apropriações ilícitas, e nos tinham como principais alvos.
A mãe não me maltratava, afinal onde arranjaria ela força para tal, pois apesar de ela ser ainda muito jovem, aparentava a minha avó que nunca conheci.
Eu transportava às garrafas na cabeça apesar da minha tenra idade, assim como o povo transporta a luxaria e a falsidade dos incrédulos banhados da hipocrisia daqueles que nada querem saber em troca da fome e do sofrimento diário.
Quanto a venda das garrafas, naquele dia não pude fazê-lo, a mãe foi sozinha vender aquelas garrafas todas, às revendedoras de petróleo ou as cazucuteiras do óleo do motor e da gasolina lá na então praça dos sonhos, o Roque Santeiro.
A mãe me deixou em casa aos cuidados da minha prima Mãezinha que aos catorze anos já transportava quarenta de malandragem, e dela para mim os cuidados foram só de boca. Ela gozou comigo naquele dia, dizendo-me: “- Vais morrer. Isto é fome. Andas a te alimentar de sonhos. Saco vazio não fica em pé. Agora vais dar o caldo, vais ver!”.
Em seguida ela me abandonou, minutos depois, da mãe sair, pois apareceu um dos muitos amigos dela, que não tinham hora, e foram, para onde não sei, mas de certeza “um dos dois havia de ficar sem fome”- disse-me ela na despedida.
Eu já estava nas últimas a fome me apertava, os órgãos internos do meu corpo reclamavam, manifestando dores internas. Eu já tinha a doença da moda na época, e era um dos poucos no mundo com cólera mas sem os sintomas pois não tinha nada no organismo para exteriorizar. Ainda pensei no meu primo N´guexi que sempre me tentou moralizar, alegando que era só uma questão de calma e paciência, pois em breve as coisas mudariam. Grande primo. Mas a sorte também lhe foi madrasta. Muito estudo e nada. Era licenciado, mestrado e doutorado em cazucutas, mas mesmo assim nada! Até a dama já lhe abandonou, sem sequer lhe dizer basta, foi viver com um outro homem, assim mesmo tipo nada. Coragem, precisa ele também pensei.
A mãe regressou finalmente. Percebi pelo ruído do portão de chapa ao abrir-se. Após a entrada, ela dirigiu-se até ao local onde me encontrava e olhou para mim, e eu para ela, seu olhar vencia-me pois ainda tinha lágrimas. Eu estava falido até mesmo em lágrimas.
Queria a mãe levar-me ao hospital. Percebi pelos gritos de desespero que ela proferia, como se de um discurso politico se trata-se, mas o autocarro para me transportar também paga-se, e lá no nosso bairro 78, telefone era ainda um sonho. Ainda não tínhamos a antena, e sem o sinal, os telefones não funcionam, diziam os entendidos na matéria.
A mãe lastimava. No seu rosto lia-se a mensagem de fracasso como se de um soldado se trata-se, no regresso de uma delicada missão. E não era? (…)
Mais nada! Era o fim, o meu fim!
A mãe pegou-me ao colo gritando e lamentando, eu não sentia nada, ainda belisquei-lhe para fazer silêncio. Convidei-lhe a ver comigo alguém que já a muito ouvia falar, e finalmente estava presente, junto a mim.
Sim, pude conhecer finalmente o famoso diabo. Estava nu a assar sardinha com uma faca no bolso. A mãe parece que não entendeu o que lhe falei, e aumentou o delírio. Até achei graça, mas o sorriso era já interno. E como a mãe já não me ouvia, concentrei-me naqueles que comigo haviam de conviver, dai em diante.
Falei com o senhor diabo, perguntei-lhe do porque do meu fim nas suas malhas. Ele não respondeu prontamente, mas deu-me um panfleto onde lia-se:
- “Pobreza também é pecado, punido com inferno! O sofrimento não provém do inferno, é autoria dos pobres”.
Percebi que terminava assim a minha pouca sorte. No panfleto lia-se também que às pessoas que acabavam mortas, como eu, certamente gozariam do poder de disseminar a maldade pela terra, mas só mesmo sobre os outros pobres. Pensei (…)
Agora em diante sim, eu também fiquei poderoso, e poderei propor mais sofrimento na terra (…)
Ai, a minha mãe!

sábado, 9 de janeiro de 2016

A JUVENTUDE QUE ESTÁ NA MODA EM ANGOLA


Bento dos Santos

Nos últimos tempos tenho reflectido de forma invertida sobre uma contradição comum, principalmente no que diz respeito a algumas abordagens públicas sobre a juventude. É comum ouvir dizer que é na juventude onde vive-se a etapa dos principais conflitos, onde a rebeldia e a busca pela auto-independência, a etapa da busca do amor, da suposta liberdade (…); Contraditoriamente, escuta-se também os argumentos factuais « » que são os jovens o futuro das sociedades, a continuidade das nações.

Pior do que isto, assiste-se em inúmeros casos os jovens a adoptarem o espirito integrante de rebanho que compreende em sentir-se igual e aceite pela maioria dos jovens da sua faixa etária, perante ao cinismo e a autoritária disposição de tudo ceder em troca de ser aceite pelos outros do mesmo grupo.

Não é difícil recordar-se dos argumentos regularmente apresentados por muitos jovens que ao tentarem justificar-se das suas debilidades recordam-se, dizendo: - “Sou jovem, deixa-me viver a minha juventude” ou ainda, “sou jovem, por isso devo vestir assim” ou “deixa lá, são jovens, por isso fazem isto e aquilo…”.

Enfim, é uma imensidão de episódios que surgem, num momento ascendendo responsabilidades para os jovens e em outros justificando que talvez nesta etapa da vida se ajustaria dizer: - “Somos jovens crianças, por isso não podemos assumir estas e aquelas responsabilidades ou estas e aquelas consequências das nossas acções”!

Outra questão que parece ascender no seio da juventude actualmente, principalmente pela vaga das redes sociais mais concretamente pelo Facebook e o WhatsApp é o novo fenómeno social dos “opinam sobre tudo”… Actualmente, parece que a juventude angolana acordou com a sabedoria do emblemático “Professor Pardal”. Muitos dos jovens internautas revelam-se superdotados e mesmo sem estudos para tudo, pois a preguiça actualmente parece ser mais forte do que o culto da humildade que significa ter senso do quê real. Actualmente, assiste-se na juventude a obscuração do culto universal da verdade óbvia ao ponto de que todo mundo aparentemente já acha natural que, pelo facto de estar numa determinada rede social, independentemente dos seus conhecimentos sobre um determinado tema, o individuo já tem opiniões sobre todas coisas e miraculosamente, elas estarão mais certas do que ás dos seus progenitores e as dos seus avós.

Infelizmente, adivinha-se que o resultado desta crença generalizada poderá ser desastrosa, pois como sabemos pela história, todos movimentos totalitários e genocidas dos últimos séculos, entenda-se nazismo, fascismo, extremismo islâmico, entre outros, foram criados por jovens, e a sua militância foi aderida maciçamente nas universidades.

A pergunta: Não deviam ser os jovens (retórica extraída do livro Pensar Social, Exercer Cidadania) a quem lhes são incumbidas as responsabilidades do futuro de um determinado país, serem os maiores detentores da moralidade, da responsabilidade, ao invés de moldar-se aos caprichos da maioria onde opta pela supressão da sua personalidade?

Infelizmente não é caso. Contrariamente, o quê comum é ver-se os jovens a optarem pelo mundo da generalidade, no qual ontem adolescente emergido do pequeno mundo doméstico, pede acesso e para tal tem de optar pela adopção de simbolismos, gestos, olhares, códigos, tudo num aprendizado baseado na imitação literal e servil e sem questionamentos, se não optando pelo conformismo do “sou jovem” por isso devo e faço isto e aquilo…

E como adivinha-se o fracasso porque o grupo geralmente está desorientado, não é de espantar que as consequências do estágio nos grupos onde entre: bebedeiras ao sexo desregrado e com consequências que se adivinham entre a gravidez indesejada, até a celebração dos casamentos prematuros, porque tem receio de vir a ser apenas tia, às consequências como redigia caiem para o pode expiatório providencial de todos fracassos, no caso a família.

Tal acontece, porque a família os aceita como crianças e a sociedade os dá margem de erro com o argumento de facto de serem apenas jovens (…);

Os jovens a quem os seus julgamentos de juízo são quase sempre a inversão completa da realidade, os jovens que acham que estar a ler um livro ou artigo é um passatempo enfadonho, os jovens que acham que namorar baseando-se na conversa é burrice é coisa dos boélos ou velhice precoce, os jovens que acham que a melhor forma de celebrar o ano novo é fazendo sexo para entrar em grande, os jovens que acham que agora que terminaram a licenciatura o mundo estará aos seus pés, os jovens que acham que os seus pais já trabalharam o suficiente e eles como filhos só tem que herdar, os jovens que acham que já podem ser grandes chefes porque tiravam muitas notas altas durante a formação académica e quiçá profissional, os jovens que vestem assim, os que cortam o cabelo assim, os que conduzem assim, os das grandes máquinas e discotecas, os que têm bué de garinas, os que têm bons empregos, os jovens que conseguiram apartamentos nas centralidades e ainda não tem mulher e trocam de damas como se de roupa trata-se, as jovens que pensam que vão continuar a ser à mais bala a vida toda, os jovens e as jovens que vão no ginásio e ficam arrogantes assim-assim, os jovens que saem sempre com imagens naquelas revistas que parece que nos alimentam mas não, é só fama na pobreza mesmo, os jovens que pensam que revolução é só revindicar fazendo confusão e o resto manda “lixar” os jovens que consumem drogas licitas, muita birra, e ilícitas, a coca para dar n´ganza, porque pensam que assim estão na maior moda, a todos estes jovens, saibam que arriscam a tutelar que um mundo cujo discernimento esta nos jovens é um mundo condenado, pois não tem futuro!

A estes jovens o meu conselho agora que fui para a velhice ao fazer os meus 66 anos de idade, digo-lhes: é preciso primeiro saber para depois julgar, pois este deve ser o primeiro princípio do dever de qualquer homem ou mulher responsável. A estes jovens fica-lhes a tarefa de descobrirem que as coisas podem não ser o que parecem.

Sim, parece que para a juventude angolana os conhecimentos cognitivos são coisas apenas para os velhos. Esquecem-se que nesta altura o conhecimento só poderá servir para lhes informar do que deviam ter feito e não o fizeram. E como o arrependimento não trás o tempo de volta, então adivinha-se que os jovens no futuro fugiram o confronto, abstendo-se de julgar-se do que fez ontem e do que agora sabe (…).

Pode-se dizer que a vida daquele que na juventude em vez de esperar e buscar compreender, cedeu a tentação lisonjeira do convite dos grupos das amizades e se tornou mais um, mais uma dos muitos que apenas assistem a vida no futuro poderá ser tarde para voltar no tempo!