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terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O VALOR DA CRISE ECONÓMICA

Talvez somos muitos, os que assumimos publicamente que vivemos em permanente crise.
Talvez sempre pareça ser mais fácil dizer “é preciso ter calma e paciência, pois dias melhores virão”… Alias, neste período de crises parece que todos aqueles que assumem conviver permanentemente em crise são os melhores entre os diferentes protagonistas de grandes realizações.
Porém, a verdade ou a realidade sempre foi e é mais difícil para aqueles que vivem directamente as dificuldades, independentemente delas quais forem.
Muito recentemente fui questionado por uma criança de apenas 4 anos, a mesma pretendia saber quem era afinal a famosa crise que actualmente estava presente em todas respostas dos mais velhos. Dizia a criança em causa; que pediu brinquedos aos pais e estes justificaram não poderem atender o pedido por causa da crise. Pediu para que a mãe á compra-se um par de ténis novo, igual ao da filha da vizinha Kuzanga e a mãe alegou não o poder fazer por causa da crise. Disse também que quando liga a rádio e a televisão lá na casa dela, entre as vezes que funcionam, isto é, quando não existe a crise da luz, também ouve com permanência a falarem da Tia Crise naqueles meios de comunicação social. A pergunta da criança era pertinente, quis saber quem era a Tia Crise e porquê que ela era tão famosa. O objectivo da criança em questão era poder contactar a tal dita Tia Crise pois segundo ela, a Tia Crise tinha muito valor pela fama que possuía, e só ela podia atender os seus anseios neste período de tanta crise que nada que pedia era atendido.
Como nestas coisas de teorias por vezes torna-se difícil explicar o complexo como fácil as crianças, procurei justificar que a crise é um sistema de dificuldades que alguém vivência, no caso especifico, nós adultos nos referimos na actualidade a crise económica como sendo as oscilações em torno de uma média nos níveis de negócios da economia de um país.
Para uma melhor percepção para crianças é oportuno dizer e reiterar que ao falarmos de crise económica estamos a abordar sobre a falta de dinheiro.
Estamos em crise porque não temos dinheiro suficiente para comprar o ténis, os brinquedos, rebuçados, as bolachas etc, retorqui.
- E quanto custa uma crise económica? Qual é valor da Tia Crise?
Voltou a questionar-me a criança em causa.
Bem… Bem… Uma crise económica tem inúmeros elementos que apontam a desestabilização da cadeia produtiva de um país e ameaça levar a falência muitas empresas nacionais. Outrossim, nos próximos meses as perspectivas não são favoráveis para a nossa moeda o Kwanza, já que o dólar continuará em alta e a pressão do mercado sobre o câmbio é forte, o que faz-nos prever uma cotação do dólar em alta. Essa é a demonstração cabal da eclosão da crise e a forte desvalorização da moeda angolana frente à moeda norte-americana o que tem levado muitas empresas nacionais a situação de inadimplência.
Bem, quantificar propriamente o valor da crise é praticamente impossível, mas podemos fazer uma alusão sobre as expectativas das consequências da crise sobre a nossa economia.
Para começar podemos dizer que os tempos de crise são caracterizados como tempos difíceis. Assim poderemos ter como principais consequências da crise global na economia angolana os seguintes aspectos:
1º A queda do crescimento económico geral, medido pelo         Produto Interno Bruto “PIB”.
2º Queda das importações. Como dependemos maioritariamente das importações, a baixa do preço do petróleo afecta directamente na entrada de divisas, prevendo-se desta forma o acentuar do déficit na balança comercial.  Entenda-se que vamos gastar mais na compra, na importação, do que receberemos nas vendas, nas exportações.
3º Queda na taxa de investimento das empresas e do governo.
Diminuição dos volumes de capital disponível para crédito aos consumidores, e também para as empresas fazerem investimentos.
5º Aumento do desemprego. Isso provocará uma queda da renda, fazendo com que toda a classe trabalhadora tenha sua renda média diminuída, seja pelos salários mais baixos, seja pelo desemprego que afectará as famílias, seja pela falta de crescimento da economia em geral.
6º Outro aspecto bastante nocivo também será o aumento dos preços dos alimentos, que vão subir (alias já tem subido) mais rápido com a crise, por vários factores. Tal situação deve-se ao facto de que o comércio é controlado por grandes empresas transnacionais, que o controlam de forma monopólica e, por isso, vão controlar os preços para aumentar suas taxas de lucro.  Muitos insumos usados são importados e dependentes do petróleo e, por isso, vão aumentar de preço.
Podemos dizer que para gerir uma crise requer-se a unidade e a coesão do povo de um determinado país, e claro, custa também a sapiciência dos seus líderes que tem como missão e responsabilidade de estado definir politicas e gerir um determinado país.
Portanto, não é mensurável o valor de uma crise a nível previcionista quantitativo objectivo, pois não é mensurável prognosticar taxativamente o valor da crise económica que o nosso país vive, pois as crises económicas afectam os sectores politicos, sociais e económicos de um determinado país.
Quanto a adopção de algumas medidas para a reduzir a dimensão das suas consequências, podemos implementar estratégias para a redução do modelo de dependência do consumismo industrial externo, propriamente a importação (que realisticamente o prognóstico revela que não acabará nos próximos 4 á 5 anos) e de submissão ao sistema financeiro, aos bancos e transnacionais, para adoptarmos um outro tipo de economia, de maior valorização da produção industrial e agrícola interna (que realisticamente o prognóstico revela que não estará activa na dimensão nacional, nos próximos 3 anos, mas que temos de começar de alguma forma) assim como da elevação dos mecanismos de poupança interna para o fomento da sustentabilidade.
Não entendi nada… Respondeu a criança em causa.
Perante a este argumento, refutei… Pois é, no teu caso é compreensível, tu és uma criança, a minha preocupação prende-se a nós adultos, que somos muitos que também não entendemos nada, talvez por ignorância, e propagamos aos quatro ventos que não existe crise nenhuma, o que chega a ser de tamanha irresponsabilidade, pois não é proibido sonhar, mas é preciso sonhar com os pés no chão, caso contrário arriscamos-nos a comer mortadela e arrotar peru…
A verdade porém, é que nós angolanos, só ganharemos o pão com o suor do rosto de cada um, isto é, temos de trabalhar mais…
Quanto ao valor da crise, refutamos, crise é crise, e o seu valor é taxado no grau de dificuldades que cada povo vivência no seu país. Este é o valor da crise económica que vivenciamos.


domingo, 6 de dezembro de 2015

AMEAÇAS INTERNAS E O PAPEL DA SEGURANÇA DE ESTADO 3


Bento dos Santos

Este é o terceiro e último dos três artigos que me comprometi redigir, sobre o tema: “Ameaças Internas e o Papel da Segurança de Estado”. No entanto, espero que os textos anteriores tenham contribuído em certo modo para motivar a reflexão inerente ao tema em questão.

Como já fiz referência em outros artigos, refuto que apesar do nosso país vivenciar os primeiros anos de paz efectiva, a percepção sobre as ameaças não devem estar desvanecida para muitos angolanos, pois, é imprudente imaginar que um país com o potencial de Angola não enfrenta antagonismos ao perseguir seus legítimos interesses. Porém, realçamos que um dos propósitos dos órgãos de defesa e segurança é conscientizar todos os segmentos da sociedade angolana da importância da defesa do País e de que este é e deve ser um dever de todos os angolanos.

Assim sendo, a Segurança Nacional de um determinado país é a condição que permite ao País, preservar a sua soberania e integridade territorial, assim como promover os seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças, e garantir aos cidadãos o exercício dos seus direitos e deveres constitucionais. Por conseguinte, a Defesa Nacional será o conjunto de medidas e acções do Estado, com ênfase no campo militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas.

É importante resgatar os conceitos transcritos no parágrafo anterior, dado o facto de que as ameaças aqui apresentadas de forma genérica podem constar na configuração da ordem internacional, caracterizada por assimetrias de poder, que em muitas ocasiões produzem tensões e instabilidades indesejáveis para a paz em determinados países. Neste particular, destaca-se a actual redução internacional do preço do petróleo que ocasionou a estagnação de muitas economias nacionais tornando-as mais vulneráveis às crises ocasionadas pela instabilidade económica e financeira em todo o mundo.

Porém a exclusão de parcela significativa da população mundial dos processos de produção, consumo e acesso à informação constitui também uma das várias situações que podem vir a configurar-se em conflito. Outro aspecto aliado a diversidade das ameaças que pairam sobre os interesses inconfessos de muitos estados sobre o nosso país, integra as questões ambientais, que permanecem como uma das preocupações da humanidade. As mudanças climáticas têm graves consequências sociais, com reflexos na capacidade estatal de agir e nas relações internacionais Países detentores de grande biodiversidade como é o caso do nosso “Angola” que também possui enormes reservas de recursos naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao sistema produtivo, podem tornar-se objecto de interesse internacional.

Não menos importante, identificamos uma entre as várias questões geopolíticas que afectam o nosso país, que também importa realçar. Por exemplo, a segurança de um país é afectada pelo grau da estabilidade da região onde ele está inserido. Assim, é desejável que ocorra o consenso, a harmonia política e a convergência de acções entre os países vizinhos para reduzir os delitos transnacionais e alcançar melhores condições de desenvolvimento económico e social, tornando a região mais coesa e mais forte.

A existência das zonas de instabilidade e de ilícitos transnacionais pode provocar o início de conflitos para outros países da região. A persistência desses focos de incertezas é, também um elemento que justifica a prioridade à defesa do Estado, de modos a preservar os interesses nacionais, a soberania e a independência.

Como consequência da nossa situação geopolítica, é importante para Angola que se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmónico da África Austral, que se estende, naturalmente, à área da defesa e segurança regional. A vivificação das fronteiras, a protecção do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais são aspectos essenciais para o desenvolvimento e a integração da região.

Enfim, a dimensão das ameaças são tão diversas e inúmeras que não poderemos menciona-las conclusivamente neste exercício, no entanto, a persistência das ameaças à paz mundial requer a actualização permanente do aparelhamento das nossas Forças Armadas e dos demais órgãos de manutenção da soberania nacional. Por assim ser, os planos aliados a segurança nacional devem incluir todos os sectores da vida activa da sociedade angolana e, em particular, as áreas vitais onde se encontra a maior concentração do poder político e económico. Precisamos ver a nação identificada com a causa da defesa. Toda a estratégia nacional repousa sobre a conscientização do povo angolano quanto à importância central dos problemas de defesa e segurança interna e externa, pois a nação deve compreender que são inseparáveis as causas do desenvolvimento e da defesa.

O compromisso nacional da nação angolana, sempre foi e é um projecto do povo angolano, “Um Só Povo Uma Só Nação”. Neste âmbito, o projecto político do MPLA partido no poder no nosso país, sempre abraçou a ideia de nacionalidade e lutou para converter essa ideia para os distintos sectores da sociedade angolana. Esse facto também tem sido a garantia profunda da identificação da nação com as forças de segurança nacional e dessas com a Nação.

Por tudo exposto no presente artigo, reitero que a acção dos serviços de segurança de estado deve estar focada na antecipação dos factos. Por meio da inteligência, busca-se que todos os planeamentos políticos, estratégicos, operacionais e tácticos e a sua execução desenvolvam-se com base em dados que se transformam em conhecimentos confiáveis e oportunos por formas a salvaguardar os pilares da estabilidade da nação.

A busca pelas informações precisas é uma condição essencial para o emprego adequado dos distintos meios a disposição destes órgãos. A inteligência ou os serviços de segurança de estado são também desenvolvidos desde o tempo de paz, pois são eles que possibilitam superar as incertezas. É da sua vertente prospectiva que procedem os melhores resultados, permitindo o delineamento dos cursos de acção possíveis e os seus desdobramentos. A identificação das ameaças é o primeiro resultado da actividade da inteligência, por este facto, todas as instâncias do Estado devem contribuir para o incremento do nível de Segurança Nacional, dai a necessidade de se abortar iniciativas que fomentam a instabilidade social.