INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

domingo, 14 de outubro de 2012

A DIMENSÃO DO BOATO NO ESPAÇO JORNALISTICO



Por: Bento dos Santos


Tem se propagado nos últimos tempos na arena mediática angolana o fenómeno da produção de factos jornalísticos. As razões para a acentuação deste fenómeno são de vária índole, o que nem sempre é suficiente para os justificar, em função das inúmeras consequências que dele podem advir. No entanto, o seu surgimento e consequente proliferação impõem uma reflexão por parte da classe dos profissionais: Comunicólogos, Jornalistas e demais profissionais do mundo da Comunicação Social.

Reflectir sobre as causas e efeitos de tal fenómeno, não é uma prática nova, o que não descura a sua importância e actualidade, quando se perspectiva contribuir para o seu estancamento, por ser uma prática pejorativa no seio dos profissionais da classe.

Convém realçar que os factos e os acontecimentos são as formas pelo qual se incide o trabalho dos jornalistas. Diferente de os produzir, o profissional de comunicação social procura identificar os factos e acontecimentos por formas a dar-lhes tratamento jornalístico o que poderá resultar na produção de uma notícia, informação, publicidade, reportagens entre outros produtos dos géneros jornalísticos (…)

Em outra vertente, é preciso clarificarmos que o fenómeno denominado “Sensacionalismo” no mundo jornalístico não é recente, uma vez que a própria história da comunicação social, regista que os primeiros jornais norte-americanos (“Publick Occurrences”) e franceses ("Nouvelles Ordinaires" e "Gazette de France") tinham um caráter sensacionalista. Há mais de quarenta (40) anos que estudos conceituam a prática do sensacionalismo como uma imprensa que distorce informações, e procura sempre despertar sensações, ridicularizar as pessoas expondo-as em matérias de violência, escândalos, sempre utilizando ferramentas que possibilitem provocar ainda mais o interesse do leitor. Mas, há a dúvida, se esse conceito criado há várias décadas ainda serve. O sensacionalismo é usado de forma generalizada para rotular qualquer produto da mídia que provoque sensações.

Por outro lado, associar a palavra “boato ao sensacionalismo” é um exercício que se impõe quando emergimos no mundo da comunicação social, considerando que a palavra boato apresenta uma conceituação etimológica que faz alusão a noticia que corre publicamente, mas não confirmada (…) segundo o dicionário http://pt.wiktionary.org/wiki/boato

Manipular a informação de modo incompleto ou parcial e apresentar essa informação num formato exagerado, com objectivo de enganar o público-alvo são características principais que caracterizam o jornalismo sensacionalista. A exploração de notícias sensacionalistas em geral resulta em audiência. Além de termos e imagens sensacionalistas, esses veículos fazem também uso de outros recursos para manter uma proximidade maior com o leitor, por exemplo, espaços reservados para ouvir o público reclamar sobre problemas nas comunidades, serviços de utilidade pública em geral. O entretenimento também é um ponto forte nessa mídia. Notícia sobre famosos, apresentações culturais, shows, filmes, novelas, e diversos temas que possam “entreter” os leitores.

Foi com o entretenimento que surgiu a expressão “imprensa amarela”, o jornal New York World, publicava sempre aos domingos uma história em quadrinhos, e o personagem “era um menino, desdentado sorridente, orelhudo, vestido com uma camisola de dormir amarela. A fala do menino orelhudo vinha escrita na sua camisola e não em balões legendados como acontece genericamente nas histórias de quadradinhos.” (ANGRIMANI SOBRINHO, 1995, p. 21).

Por ter a roupa de cor amarela o menino personagem principal dos quadrinhos, ficou conhecido como “Yellow Kid”. O termo imprensa amarela pegou quando um jornalista escreveu um artigo se referindo à “imprensa amarela” de Nova Iorque, usando no texto um sentido pejorativo à cor.

Em Angola, alguns jornais impressos eram até bem pouco tempo os melhores exemplos deste tipo de jornalismo. Por meio de títulos excêntricos e reportagens fúteis, altamente atractivos para o público, devido à preferência do povo em assuntos polémicos aos factos de relevância pública e de espaço sócio cultural, numa primeira instância estes jornais visavam provocar polémica na sociedade e aumentar as vendas, tendo nos últimos tempos evoluído para o alcance de fins meramente políticos, associados ânsia do poder.

A evolução do “sensacionalismo” são limitou-se no campo do jornalismo impresso. Assiste-se actualmente no contexto social mediático angolano, a proliferação de tal fenómeno no espaço mediático cibernético. Sites, Blogues, Canais de Televisão e outros meios mediáticos eletrónicos têm sido a arena de proliferação de “Boatos” cuja dimensão se associa a perca dos valores éticos e deontológicos de uma profissão já muito banalizada na nossa praça.

A imprensa sensacionalista viola os princípios éticos do jornalista de sempre passar a informação de forma clara e verdadeira, a ponto de inventar histórias para se tornarem notícias com o intuito único e exclusivo de provocar polémica na sociedade. Entretanto, na coexistência do sensacionalismo e o mundo mediático, assiste-se como uma das principais causas, as barreiras de acesso as fontes, que muitas vezes permite a divagação conotativa de factos públicos, que carecem de esclarecimento mediático.

Noutra vertente o actual cenário social caracteriza o perfil da população como avida ao consumo das notícias sensacionalista, em função de distintos factores que sobre ela recai, como os factores culturais, sociais, económicos, demográficos, etc. Tal facto leva-nos a perspectivar que o “sensacionalismo” continuará a dominar o interesse da maior franja da população angolana, porque está contínua a se apresentar com necessidades psicológicas colectivas no que concerne ao consumo da informação adversa.

É consensual que o “sensacionalismo ou imprensa marron” empobrece cada vez mais o jornalismo no mundo. Pois além de relatar os factos, encontra-se entre as objectividades do jornalismo, a preocupação de propor soluções que ajudem a resolver os problemas apresentados socialmente.

Lançado o desafio que se caracterizou na identificação da pré-crise da credibilidade dos mídias angolanos, sugere-se o posicionamento da classe para estancar tal fenómeno. Quiçá um estudo mais aprofundado sobre o assunto não representaria um caminho a seguir (…)















domingo, 7 de outubro de 2012

RESPONSABILIDADE PESSOAL E A DIMENSÃO DA CORRUPÇÃO

Não pretendo ser o tal moralista, identificando as raízes ou essências dos casos descritos, o meu objectivo, em função do tema, é dinamizar este exercício. A avaliação moralista ou ética, poderá ser feita pelo próprio, amigo leitor, caberá a si, no final de cada caso, identificar “onde começou o ilícito, no caso a corrupção”…poderás ainda, enviar-me o seu ponto de vista, tomarei nota, e quiçá, futuramente poderei espelhar a sua opinião, retratando o seu ponto de vista;


A minha perspectiva filosófica para com estes ensaios, visiona especificamente sondar, até que ponto, um determinado cidadão, detém conhecimentos para saber, do seu posicionamento pessoal por formas a contribuir ou estancar a corrupção, ou ainda, participar na sua promoção.

Conto consigo, nestes simples três minutos do seu pouquíssimo tempo,

Pelo que,

Lhe agradeço.


Iº Caso:


*O voo 747 proveniente da cidade de Lisboa acabava de aterrar em solo Angolano, dos inúmeros passageiros que desembarcavam, um fazia as contas a sorte. Will Balond, atravessou continentes para chegar ao destino, não se fazia acompanhar de muitas
bagagens, apenas trazia consigo uma mochila pendurada ao ombro, os haveres que continha no interior davam a entender que o seu período de estadia seria curto.


Will Balond, era um cidadão de nacionalidade Baulmar. Sim! Não duvides, ele era um Baulmares, aquela cidade, que não existe.

Antes de viajar para Angola, Will Balond, balizou-se com informações sobre as distintas esferas do contexto socio-político angolano. Esta tarefa lhe foi facilitada, graças as novas tecnologias de informação; o recurso aos sites, serviram de barómetro para ter uma visão do que podia ser a realidade do país que seleccionou como meta.

Tinha uma ideia da fragilidade « » dos serviços de emigração, e de outras instituições do estado angolano. Treinará a língua, pelo menos as expressões mais usuais para poder comunicar-se, até arranjar um local para hospedar-se. Sabia o nome do hotel que devia mencionar como local de estadia, alegando que tinha a reserva já efectuada, sem no entanto corresponder a verdade. Quanto a questão do período de permanência, argumentou que vinte e cinco dias, era o ideal para conhecer Angola. O visto que tinha disponível dava-lhe um período de trinta dias.

Quanto ao motivo da deslocação, afirmará, que era um admirador do continente africano, e Angola, era um país que constava na sua lista para visitas turísticas. Entre outras formalidades básicas da migração, os pressupostos foram ultrapassados. Will Balond estava já em solo Angolano, e fora do aeroporto. Sabia que tinha de ter algum cuidado, pois como em todos países, Angola tinha também os seus criminosos, a sua maneira m´bora…mas tinha!

Acção seguinte foi chamar um táxi, enquanto no seu interior arriscou decidir por uma sugestão que conservava consigo, lerá em um comentário que certo internauta fez a quando da publicação de uma noticia sobre o hotéis e similares da capital do país, no caso “Luanda”.

– Pór falor lebami a iuna pensón aqui na cidadi, kinaxi ou alvaladi, pediu Will Balond ao motorista do starlet bolinha, azul metalizado.

Após acomodação em uma das hospedarias localizada no centro da cidade de Luanda, Will Balond tratou de ambientar-se com o cenário dos típicos expatriados situados em Angola. O seu itinerário correspondia, em frequentar os restaurantes mais requintados da cidade, e procurar conhecer meticulosamente os dirigentes políticos do topo, da República de Angola.

Intermitentemente a sua deslocação a uma das conservatórias de Luanda, não era por mero acaso, ai conheceu o Pin-pam, aquele que viria a ser o seu ponta de lança, esta acção de mestre, é ainda fruto das suas pesquisas as informações noticiosas, sobre Angola, publicada em um dos sites mais polémicos da praça da informação Angolana.

Tomou o cuidado de anotar inúmeros comentários, que davam por conta que as conservatórias de registo civil angolanas trabalhavam mais no exterior, o pessoal interno era apenas para dar despacho dos casos que resultariam em gasosas (…)

Na perspectiva de Will Balond, Pin-pam era o homem certo, portador da pura gema “da gera mangole 90”, era a pessoa ideal, podia se dizer, que, qualquer necessidade que se manifestava perante ele, o homem tinha uma solução: - Não se preocupa kota, eu tenho um canal para tratar deste assunto, e se não poder pelo meu canal… lá, encontro outro canal, é tudo uma questão de encontrar um canal ou criar um canal, é assim que nós criamos o fantasma chamado sistema, kota”…não liga isto é bobeira, aqui em Angola é assim, eu mbora sou um pobre desgraçado se não bumbar assim vou pitar o qué?!...

Estas eram as palavras pronunciadas por Pin-pam, o jovem do canal; a solução para Will Balond, que até bem pouco tempo não sabia como arranjar estratégias para consolidar-se em Angola, uma vez que o mesmo precisava estender de forma oficiosa « » a sua permanência em Angola, pois seu objectivo era muito mais amplo, do que o simples turismo.

Passaram trinta dias, desde o seu desembarque em Angola, não lhe passava pela cabeça que aquele dia, seria o seu primeiro grande teste…sabia que a conjectura social angolana vivenciava um período de transição, alguns órgãos da soberania do estado, experimentavam uma reestruturação, nunca antes vista, alguns dos novos dirigentes, saíram do mundo das sombras, e conheciam inúmeros actores de ilícitos, nas vestes de homens do direito… este facto, constitui, uma das vantagens de trabalhar na sombra, permite ter informações privilegiadas, o trabalho na sombra, é mais ou menos como o conhecer o futuro (…), e assim vagueava Will Balond sobre os seu pensamentos, quando de repente…

Continua (...); mas não esqueça… envia a sua opinião sobre “onde começou o ilícito, no caso a corrupção” na narrativa descrita.

*PS: qualquer similitude dos factos narrados, e uma situação real, é mera coincidência, pelo que descarto qualquer responsabilidade, pois este ensaio é mera ficção.