INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

segunda-feira, 11 de junho de 2012

CAMPANHA POLITICA, PERSPECTIVA MÁGICA NO PERCURSO AO PODER




Caso lhe fizessem a seguinte pergunta: - o que espera de inovador nas futuras campanhas políticas dos partidos que concorreram as eleições? Sem ser excessivamente séptico, certamente a resposta inequívoca seria: - “os partidos políticos vão intensificar, aumentar, renovar as suas promessas e mais promessas”!
Para ser mais simples e preciso a resposta seria: - promessas e mais promessas!

Faço esta previsão subsidiada pela clara evidência da falta de integração dos planos de comunicação e marketing no seio da maioria dos partidos políticos. Esta ausência provoca a inexistência de estratégias de comunicação que entre as suas variadíssimas finalidades apelariam as emoções dos eleitores facilitando as suas opções de escolha a quando do dia do pleito eleitoral nas urnas.

Se por um lado, tomamos conhecimento de alguns milagres produzidos pelas campanhas politicas em países considerados do primeiro mundo, como o caso mais recente da França onde vimos um Sarkozy a deixar a presidência pela falta de consistência nos seus argumentos durante a campanha, tendo como consequência os seus actos enquanto esteve na liderança, isto segundo o ponto de vista de muitos analistas, por outro, vamos assistindo nos Estados Unidos da América um Obama a inverter a pirâmide das sondagens favoráveis ao seu adversário, graças as estratégias integradoras das lideranças consolidadas como é caso de Bill Clinton que associou-se a campanha da recandidatura de Obama para reforçar e dissipar dúvidas de que Obama se apresenta como a opção certa para a politica dos norte americanos…Será?!

Voltando a nossa arena politica, onde a chuva de “bandeiras” começou a massificar-se após o pronunciamento do governo angolano sobre a atribuição dos financiamentos aos partidos políticos, que entre muitas ressonâncias numa primeira fase não interpretaram com precisão a finalidade do tacho que lhes cabia, pensando que era o primeiro e último, por outro lado, começaram a desnudar a sua apetência ao lucro fácil praguejando o dia em que pensaram consolidar-se como coligação politica, facto este que dá pouco espaço para o uso indevido do fundo público atribuído.

Para refrescar o foco deste artigo, refuto a questão, o que se espera de inovador nas futuras campanhas políticas? A resposta mantem-se… promessas e mais promessas! Mas se os partidos políticos não direcionarem as suas estratégias em promessas, que linha de abordagem adoptariam?

Ai é que a porca torce o focinho! A magia das campanhas políticas surge da inteiracção do societário e o cultural, baseados em episódios das diferentes conjunturas vivenciadas pelos actores políticos em disputa. Numa abordagem mais simples, pode-se afirmar que as campanhas políticas podem criar espectativas tangíveis e intangíveis. Considerando que o canal de veiculação das campanhas políticas se fará no espaço electrónico, onde se fará a luta politica e eleitoral, sem séptismo podemos prever um desfecho inovador no que tange a dimensão do fracasso, enquanto a imagem da maior parte dos seus actores (entende-se lideres dos partidos políticos) é anonima ao conhecimento da maior parte do eleitorado.
 A princípio sabemos de antemão que a maior parte dos modelos das campanhas políticas estarão versadas no actual modelo inovador onde se funde o conceito de partido e o de marketing, facto causado pela reformulação “sugeneris” registada na nossa constituição, sendo que o primeiro conceito se concentra sobre a projecção do candidato e o segundo sobre o eleitor.

Os dois modelos coexistem num mesmo sistema político, e é muito comum que os dois se enfrentam na mesma batalha eleitoral. Essa coexistência, porém, não é estática. Há uma dinâmica visível que tende a empurrar as campanhas para o pólo do marketing.

Pode-se dizer que quanto mais desenvolvido o país, região, cidade, maior é a propensão para praticar o conceito de marketing nas campanhas eleitorais. As diferenças entre eles são muito grandes e de enorme importância. No conceito de marketing, o foco da campanha está no eleitorado e não no partido, por mais que seus membros sejam experientes e conheçam o eleitorado. No marketing a pesquisa é o instrumento para determinar com precisão qual deverá ser o foco da campanha.

A situação dos pré-candidatos frente à opinião pública, medida nestas mesmas pesquisas, também é determinante para as suas chances. É um foco voltado para fora, para o eleitor. A estratégia apoia-se no que se chama de “máquina partidária”, isto é, o conjunto de cargos e funções ligados aos vários níveis de governo ocupados pelo partido, cujos titulares/militantes penetram a sociedade, numa relação interpessoal, com os representantes de massas de eleitores, organizados em função de sua ocupação, residência, etnia, etc.

Desta articulação, abrem-se aos poucos espaços políticos para os membros daquelas organizações, e o partido, as representa e com elas negocia demandas e reivindicações. A estrutura é “vertical descendente” e o conceito de marketing origina-se no eleitor. É este eleitor, dividido em segmentos distintos, que define, por seus sentimentos e opiniões, o foco da campanha do candidato, que vai moldar sua mensagem para conquistar o apoio dos diferentes segmentos que podem votar nele, e cuja expressão no eleitorado é suficiente para vencer. Neste conceito, não é o contacto pessoal o portador da mensagem e da comunicação, e sim os recursos da moderna mídia veiculando mensagens peculiares aos peculiares interesses daqueles segmentos.

Enfim, as eleições propiciam uma maior visibilidade social á política, através de dispositivos próprios do campo politico, e como torna-se cada vez mais evidente estamos todos ansiosos por campanhas políticas inovadoras, bem diferente do exuberado amadorismo que assistimos a quatro anos atrás com as produtoras da xá-xá a ensaiarem a pouca vergonha dos partidos políticos. É preciso ter sempre em conta que o impacto dos mídia quer nos processos eleitorais quer nos processos de decisão politica, assim como seio da formatação da opinião pública, desempenha um papel equiparado ao poder genericamente instituído (Comunicação Social equiparada ao 4º poder). Assim sendo a relação entre o sistema politico e o sistema mediático constitui uma única força no percurso da consolidação do poder.

Certamente as campanhas politicas a ocorrerem na nossa praça irão produzir resultados mágicos. Entretanto, esperamos que tais resultados não venham a fortalecer a nossa galeria anedótica, que talvez seja fruto da ganância de muitos líderes destes partidos que concorrem ao pleito, desprovidos da responsabilidade de assumirem uma postura digna para a governação do país, em detrimento de realizações pessoais.

Até lá…continuaremos com a esperança que a magia das campanhas da arena politica não se prende em PROMESSAS E MAIS PROMESSAS! Razão para optar aos feitos e realizações já conquistadas por quem sabe o que faz!