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domingo, 21 de agosto de 2011

FACTOS E ACONTECIMENTOS PERANTE AS REALIZAÇÕES EM ANGOLA: DESENVOLVIMENTO DO ESTADO OU UTOPIA? (1)

Por: Bento José dos Santos *









A semana que findou foi rica na produção de factos e acontecimentos, políticos, económicos, culturais, entre outros. Em Angola e pelo mundo…para generalizar, podemos resumir que foi rica na produção de distintos factos sociais.

Obviamente, devemos reconhecer que o pragmatismo se retém ao homem enquanto principal actor social, sendo que o contrario poderia se especular a sua extinção no que concerne ao seu papel de propulsor do dinamismo social.

Muitos dos factos e acontecimentos ocorridos na última semana podiam ser repercutidos neste ensaio…entretanto, sua dimensão não permitiria a extinção e a objectividade, a qual me propus exercitar. Assim sendo, não me arrisco a emergir na ambiguidade, sabendo que a hierarquização dos factos ou acontecimentos possibilita a produção de uma analogia no que concerne a abordagem de um tema específico.

Logo, delimito o meu exercício de sapiência, ao nosso estado “aos factos e acontecimentos, contrapondo-os as realizações produzidas pelo nosso governo, cuja análise suscita a formulação de uma pergunta: tais realizações correspondem ao desenvolvimento do estado angolano ou se observa uma utopia genericamente social?”

Ainda sobre a interacção e conceitualização das duas designações sociais “factos e acontecimentos” importa aclarar a sua diferenciação; esta identifica-se na natureza, dimensão e finalidade dos mesmos. Sintetizando o conceito de Émile Durkheim, factos são todas as maneiras de ser, fazer, pensar, agir e sentir desde que compartilhadas colectivamente, isto é manifestadas no meio social.

Os factos variam de cultura para cultura e tem como base a moral social, estabelecendo um conjunto de regras e determinando o que é certo ou errado, permitido ou proibido.

No que tange a conceituação de acontecimentos, podemos defini-los como as ocorrências naturais ou humanas com características revelantes para as sociedades, cujo carácter pragmático é amplificado pela intervenção dos media.

Voltando ao foco deste ensaio, grafava que a semana finda foi rica em factos e acontecimentos na nossa arena social, destacando: a aprovação do pacote legislativo eleitoral, a reunião dos estados membros da SADC, a nossa estreia no campeonato africano de basquetebol, e já na pontinha, o anúncio da venda das casas existentes na nova cidade do Kilamba.

Espero não desvirtuar nenhum leitor, pois sei que também a semana foi rica em mujimbos e incertezas entre muitos assuntos de cariz social…

Voltando aos acontecimentos, a meu ver a aprovação conturbada “pelo posicionamento da Unita” quanto ao pacote legislativo eleitoral, desnudou a fragilidade democrática de muitos actores políticos, independentemente dos partidos em questão, uma vez que, ficou patente do lado da Unita, que os interesses partidários sobrepõem aos interesses do povo.

Não me refiro ao posicionamento pelo facto de não concordarem com alguns pontos manifestados no pacote legislativo eleitoral, refiro-me a forma oportunista de tentarem fazer politica demagógica, confundindo o povo, criando factos sensacionalistas. “Talvez nesta altura, poucos se recordam da maka interna que o partido Unita vivência, onde parece que a democracia interna, já era”…razão para questionar, alguém viu um numa por ai?

Ainda sobre este assunto, também foi negativo o comportamento menos ético de alguns camaradas do “MPLA” que se deixaram levar pelo extremismo idealista da boleia das raízes tribais que enfermam os países africanos.

A estes, mesmo indo na boleia do suposto mal-entendido “em nome do povo soberano” conotado para “em nome do povo do sul”… também estas coisas de querer embelezar o feio…acabam sempre por cair na banalidade gratuita.

Como grafava, estes camaradas “salienta-se que muitos deles também são oriundos da parte sul de Angola” devem ser chamados pelo comité de ética e disciplina do partido para que internamente, sejam advertidos que nas vestes de representantes do povo a tolerância e auto-domínio são qualidades excepcionais.

Alias o apelo ao protagonismo tribal é estratégia permanente da Unita, se não, os selos dos seus pronunciamentos são sempre catalogados pelos povos e etnias de certas regiões do país como se eles vivem-se isolados de Angola…

Quanto ao evento politico da semana, se não mesmo do ano, a reunião dos estados membros da SADC, importa destacar o desempenho e posicionamento do executivo angolano no antes e agora, do leme politico da SADC, demonstraram que somos detentores de lucidez e maturidade politica, não reagindo por impulsos do imediatismo o qual muito foi propagado por analistas da nossa praça de que “devemos integrar já as propostas da SADC, comercio livre etc.” o que no meu entender viria a contrapor os nossos objectivos internos “estratégicos”, acima da ilusória realidade do desenvolvimento a curto prazo.

Sobre a nossa estreia no campeonato africano de basquetebol, embora superficialmente menos esclarecido nestes assuntos, devo afirmar que a nossa selecção de basquetebol não esta bem! E a culpa de tal facto, é dos nossos dirigentes desportivos, seguidamente a culpa recai ao treinador. No que cabe aos nossos dirigentes desportivos, a culpa lhes pesa duas vezes, pois estes, insistem como muitos outros angolanos em não acreditar no nosso potencial interno.

Uma das poucas vezes que não vi, um único dirigente angolano a catalogar as nossas competências internas como negativas, é quando o assunto faz referencia a guerra ou temas a ela inerentes…de resto somos sempre incapazes dai, porque não buscar a experiencia externa, justificam…

Gostaria que os nossos dirigentes reflectissem um pouco para concluírem como se absorve a bendita experiência, ou competência se preferirem?!

Os técnicos expatriados merecem todas as condições e mordomias os nacionais, como sempre quando pedem os que lhes é de direito são sempre conotados ao dito oportunismo…por isso, acho que os sinais que a nossa selecção evidenciou, mesmo ganhando o Madagáscar transpareceu a nossa fragilidade competitiva, ou melhor não temos uma boa selecção para ganhar este campeonato! E isto não é ser céptico, é realismo!

Agora já na pontinha, a questão da venda das casas da cidade do Kilamba! Mamaué, outra maka mais!

Quem vai comprar as casas ao preço de 125.000,00 USD?


Fazendo contas básicas torna-se evidente que os salários praticados por alguns sectores da função pública, como exemplo o sector da educação, o qual tem sido descriminado em deterimento dos outros tidos como especiais...


Se numa primeira perspectiva se achou o indicador de 60.000, 00 USD para venda das casas, em que indicador os senhores magnificos da Sonachip ou Sonas-casas, fundamentaram as suas pesquisas para negociarem estas casas nestes valores?


Qual é a real finalidade, a quando da construção desta cidade, quem é o público-alvo a qual foi direccionado?


Será que dentro da estrutura do governo, não se observa que desta forma estamos a suicidar-nos socialmente?


E depois de comprar?! Como fica a questão do pagamento do condóminio. E quanto será?!


No entanto, mais uma vez fica evidente que o principal problema que afunda a governação do nosso país, consiste na formulação das estratégias de fórum social público, uma vez que quem tem o poder de as elaborar, vive num país diferente do nosso, dai não ter a capacidade de diagnosticar a nossa dura e profunda realidade...


Cento e Vinte Cinco Mil Dólares Norte Americanos...é muito dinheiro, só mesmo que dorme e gasta a seu bell-prazer, desconhece que tal valor, é miragem para nós, POVO!

Eu também quero uma destas casas, afinal não tenho casa, e o meu nobre emprego faz com que eu não ostente um salário que permite recorrer a um empréstimo tão avultado, para mim!

Sobre as benditas casas do Kilamba, muito ainda havemos de abordar.

Se estamos perante a um cenário de inúmeras realizações que se traduzem em factos e acontecimentos para permitir o acesso as melhores condições de vida para população, não seria também ilusório proceder com realismo quando se sabe que estamos desprovidos de alternativas para abraçar as ditas oportunidades…

Caso contrário podemos concluir que perante aos factos e acontecimentos produzidos ao longo da semana, o desenvolvimento do estado angolano para o tempo presente é sim uma realidade, mas para o futuro nossas realizações não passam de uma utopia!

Afinal, quem dominará o que era suposto ser-mos nós a dominar?

sábado, 13 de agosto de 2011

INTEGRAÇÃO REGIONAL DOS PAÍSES MEMBROS DA SADC UM PIRILAMPO DA POLITICA AFRICANA



Por: Bento José dos Santos

A semana que agora finda congregou no repertório nacional a abertura da reunião dos membros da SADC. A reunião que terá o seu encerramento no próximo dia 18 do mês corrente junta peritos, conselhos de Ministros da SADC e culminará com a cimeira dos chefes de Estado e do Governo dos países da região.

Tenho acompanhado o dossier, e por isso achei oportuno ensaiar as minhas opiniões sobre esta temática, uma vez que na actualidade, este tema domina algumas pautas informativas da região.

As Cimeiras da SADC são realizadas todos os anos e servem para avaliar a implementação dos programas da organização, e analisar questões da actualidade inerentes a estabilidade na região, assim como questões económicas, mais concretamente, a análise do impacto da crise económica e financeira internacional na nossa região.

Por outro lado, pretende-se também com esta reunião, analisar com profundidade questões ligadas a segurança e o processo da integração regional dos estados membros da organização.

No que tange a questão da segurança regional, países como Madagáscar (suspenso na sequência do golpe de Estado, que levou Rajoelina ao poder), República Democrática do Congo (que tem as portas realização das eleições), Zimbabué (onde as forças partidárias nomeadamente o NDC e Zanu PF continuam a negociar no sentido de se alcançar consenso para a nova Constituição, que pode abrir caminho para as eleições), Lesotho (que vive a véspera da realização das eleições), dominaram a agenda de trabalho dos estadistas.

Conforme se pode notar, os assuntos ora enunciados são de natureza complexa, e o grau da sua complexidade se aprofunda com a inserção das políticas internas dos países membros, uma vez que cada um tem a sua realidade diferente da outra.

Ao reflectir a integração regional dos países membros da SADC importa resgatar o programa indicativo de desenvolvimento regional (RISTP), que define algumas metas a ser alcançadas pelos estados membros, nomeadamente, a criação da zona de comércio livre no período 2008 a 2010, a união aduaneira até o ano de 2015, assim como a criação do mercado comum em 2018, e a implementação da moeda única, como estratégia da união monetária.

A avaliação destas metas pode servir de barómetro quanto a posição na assumpção dos compromissos imediatos e futuros para os estados membros.

Ressalvando o facto muito discutido, onde Angola se apresenta como país potencialmente forte para integrar a zona de comércio livre, importa-me defender que o momento ainda não é o melhor, uma vez que o ecossistema comercial interno do nosso país oferece mais garantias de oportunidades para os mercados externos.

A adopção do comércio livre na região por parte de Angola, não pode ser vista apenas no campo político monetário, mas sim deve ser dimensionado na perspectiva social e económica do mercado, uma vez que os agentes intervenientes neste último são os influenciadores directos dos sistemas económicos dos países.

Paradoxalmente, apesar de na actualidade o nosso país continuar a apresentar-se como um mercado simplesmente consumista, não se pode desvirtualizar o volume de investimentos em infra-estruturas realizados pelo estado angolano.

Assim sendo, refuto que o momento para integração de Angola ao sistema de comércio livre na região só seria mais propício com a operacionalidade de algumas infra-estruturas internas, o que a meu ver, poderá transpor para um nível de competitividade interna (em termos de auto-produção) razoável com as economias de grande porte, como a da África do Sul, que se apresenta como uma das principais forças de pressão para que Angola integra a curto prazo este processo.

Por enquanto, o executivo angolano deverá contrabalançar as negociações, pois até lá, acho, que algumas discussões levantadas na cimeira da SADC são Pirilampos da Nossa Politica Africana.