INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

sábado, 9 de janeiro de 2016

A JUVENTUDE QUE ESTÁ NA MODA EM ANGOLA


Bento dos Santos

Nos últimos tempos tenho reflectido de forma invertida sobre uma contradição comum, principalmente no que diz respeito a algumas abordagens públicas sobre a juventude. É comum ouvir dizer que é na juventude onde vive-se a etapa dos principais conflitos, onde a rebeldia e a busca pela auto-independência, a etapa da busca do amor, da suposta liberdade (…); Contraditoriamente, escuta-se também os argumentos factuais « » que são os jovens o futuro das sociedades, a continuidade das nações.

Pior do que isto, assiste-se em inúmeros casos os jovens a adoptarem o espirito integrante de rebanho que compreende em sentir-se igual e aceite pela maioria dos jovens da sua faixa etária, perante ao cinismo e a autoritária disposição de tudo ceder em troca de ser aceite pelos outros do mesmo grupo.

Não é difícil recordar-se dos argumentos regularmente apresentados por muitos jovens que ao tentarem justificar-se das suas debilidades recordam-se, dizendo: - “Sou jovem, deixa-me viver a minha juventude” ou ainda, “sou jovem, por isso devo vestir assim” ou “deixa lá, são jovens, por isso fazem isto e aquilo…”.

Enfim, é uma imensidão de episódios que surgem, num momento ascendendo responsabilidades para os jovens e em outros justificando que talvez nesta etapa da vida se ajustaria dizer: - “Somos jovens crianças, por isso não podemos assumir estas e aquelas responsabilidades ou estas e aquelas consequências das nossas acções”!

Outra questão que parece ascender no seio da juventude actualmente, principalmente pela vaga das redes sociais mais concretamente pelo Facebook e o WhatsApp é o novo fenómeno social dos “opinam sobre tudo”… Actualmente, parece que a juventude angolana acordou com a sabedoria do emblemático “Professor Pardal”. Muitos dos jovens internautas revelam-se superdotados e mesmo sem estudos para tudo, pois a preguiça actualmente parece ser mais forte do que o culto da humildade que significa ter senso do quê real. Actualmente, assiste-se na juventude a obscuração do culto universal da verdade óbvia ao ponto de que todo mundo aparentemente já acha natural que, pelo facto de estar numa determinada rede social, independentemente dos seus conhecimentos sobre um determinado tema, o individuo já tem opiniões sobre todas coisas e miraculosamente, elas estarão mais certas do que ás dos seus progenitores e as dos seus avós.

Infelizmente, adivinha-se que o resultado desta crença generalizada poderá ser desastrosa, pois como sabemos pela história, todos movimentos totalitários e genocidas dos últimos séculos, entenda-se nazismo, fascismo, extremismo islâmico, entre outros, foram criados por jovens, e a sua militância foi aderida maciçamente nas universidades.

A pergunta: Não deviam ser os jovens (retórica extraída do livro Pensar Social, Exercer Cidadania) a quem lhes são incumbidas as responsabilidades do futuro de um determinado país, serem os maiores detentores da moralidade, da responsabilidade, ao invés de moldar-se aos caprichos da maioria onde opta pela supressão da sua personalidade?

Infelizmente não é caso. Contrariamente, o quê comum é ver-se os jovens a optarem pelo mundo da generalidade, no qual ontem adolescente emergido do pequeno mundo doméstico, pede acesso e para tal tem de optar pela adopção de simbolismos, gestos, olhares, códigos, tudo num aprendizado baseado na imitação literal e servil e sem questionamentos, se não optando pelo conformismo do “sou jovem” por isso devo e faço isto e aquilo…

E como adivinha-se o fracasso porque o grupo geralmente está desorientado, não é de espantar que as consequências do estágio nos grupos onde entre: bebedeiras ao sexo desregrado e com consequências que se adivinham entre a gravidez indesejada, até a celebração dos casamentos prematuros, porque tem receio de vir a ser apenas tia, às consequências como redigia caiem para o pode expiatório providencial de todos fracassos, no caso a família.

Tal acontece, porque a família os aceita como crianças e a sociedade os dá margem de erro com o argumento de facto de serem apenas jovens (…);

Os jovens a quem os seus julgamentos de juízo são quase sempre a inversão completa da realidade, os jovens que acham que estar a ler um livro ou artigo é um passatempo enfadonho, os jovens que acham que namorar baseando-se na conversa é burrice é coisa dos boélos ou velhice precoce, os jovens que acham que a melhor forma de celebrar o ano novo é fazendo sexo para entrar em grande, os jovens que acham que agora que terminaram a licenciatura o mundo estará aos seus pés, os jovens que acham que os seus pais já trabalharam o suficiente e eles como filhos só tem que herdar, os jovens que acham que já podem ser grandes chefes porque tiravam muitas notas altas durante a formação académica e quiçá profissional, os jovens que vestem assim, os que cortam o cabelo assim, os que conduzem assim, os das grandes máquinas e discotecas, os que têm bué de garinas, os que têm bons empregos, os jovens que conseguiram apartamentos nas centralidades e ainda não tem mulher e trocam de damas como se de roupa trata-se, as jovens que pensam que vão continuar a ser à mais bala a vida toda, os jovens e as jovens que vão no ginásio e ficam arrogantes assim-assim, os jovens que saem sempre com imagens naquelas revistas que parece que nos alimentam mas não, é só fama na pobreza mesmo, os jovens que pensam que revolução é só revindicar fazendo confusão e o resto manda “lixar” os jovens que consumem drogas licitas, muita birra, e ilícitas, a coca para dar n´ganza, porque pensam que assim estão na maior moda, a todos estes jovens, saibam que arriscam a tutelar que um mundo cujo discernimento esta nos jovens é um mundo condenado, pois não tem futuro!

A estes jovens o meu conselho agora que fui para a velhice ao fazer os meus 66 anos de idade, digo-lhes: é preciso primeiro saber para depois julgar, pois este deve ser o primeiro princípio do dever de qualquer homem ou mulher responsável. A estes jovens fica-lhes a tarefa de descobrirem que as coisas podem não ser o que parecem.

Sim, parece que para a juventude angolana os conhecimentos cognitivos são coisas apenas para os velhos. Esquecem-se que nesta altura o conhecimento só poderá servir para lhes informar do que deviam ter feito e não o fizeram. E como o arrependimento não trás o tempo de volta, então adivinha-se que os jovens no futuro fugiram o confronto, abstendo-se de julgar-se do que fez ontem e do que agora sabe (…).

Pode-se dizer que a vida daquele que na juventude em vez de esperar e buscar compreender, cedeu a tentação lisonjeira do convite dos grupos das amizades e se tornou mais um, mais uma dos muitos que apenas assistem a vida no futuro poderá ser tarde para voltar no tempo!

 

 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O VALOR DA CRISE ECONÓMICA

Talvez somos muitos, os que assumimos publicamente que vivemos em permanente crise.
Talvez sempre pareça ser mais fácil dizer “é preciso ter calma e paciência, pois dias melhores virão”… Alias, neste período de crises parece que todos aqueles que assumem conviver permanentemente em crise são os melhores entre os diferentes protagonistas de grandes realizações.
Porém, a verdade ou a realidade sempre foi e é mais difícil para aqueles que vivem directamente as dificuldades, independentemente delas quais forem.
Muito recentemente fui questionado por uma criança de apenas 4 anos, a mesma pretendia saber quem era afinal a famosa crise que actualmente estava presente em todas respostas dos mais velhos. Dizia a criança em causa; que pediu brinquedos aos pais e estes justificaram não poderem atender o pedido por causa da crise. Pediu para que a mãe á compra-se um par de ténis novo, igual ao da filha da vizinha Kuzanga e a mãe alegou não o poder fazer por causa da crise. Disse também que quando liga a rádio e a televisão lá na casa dela, entre as vezes que funcionam, isto é, quando não existe a crise da luz, também ouve com permanência a falarem da Tia Crise naqueles meios de comunicação social. A pergunta da criança era pertinente, quis saber quem era a Tia Crise e porquê que ela era tão famosa. O objectivo da criança em questão era poder contactar a tal dita Tia Crise pois segundo ela, a Tia Crise tinha muito valor pela fama que possuía, e só ela podia atender os seus anseios neste período de tanta crise que nada que pedia era atendido.
Como nestas coisas de teorias por vezes torna-se difícil explicar o complexo como fácil as crianças, procurei justificar que a crise é um sistema de dificuldades que alguém vivência, no caso especifico, nós adultos nos referimos na actualidade a crise económica como sendo as oscilações em torno de uma média nos níveis de negócios da economia de um país.
Para uma melhor percepção para crianças é oportuno dizer e reiterar que ao falarmos de crise económica estamos a abordar sobre a falta de dinheiro.
Estamos em crise porque não temos dinheiro suficiente para comprar o ténis, os brinquedos, rebuçados, as bolachas etc, retorqui.
- E quanto custa uma crise económica? Qual é valor da Tia Crise?
Voltou a questionar-me a criança em causa.
Bem… Bem… Uma crise económica tem inúmeros elementos que apontam a desestabilização da cadeia produtiva de um país e ameaça levar a falência muitas empresas nacionais. Outrossim, nos próximos meses as perspectivas não são favoráveis para a nossa moeda o Kwanza, já que o dólar continuará em alta e a pressão do mercado sobre o câmbio é forte, o que faz-nos prever uma cotação do dólar em alta. Essa é a demonstração cabal da eclosão da crise e a forte desvalorização da moeda angolana frente à moeda norte-americana o que tem levado muitas empresas nacionais a situação de inadimplência.
Bem, quantificar propriamente o valor da crise é praticamente impossível, mas podemos fazer uma alusão sobre as expectativas das consequências da crise sobre a nossa economia.
Para começar podemos dizer que os tempos de crise são caracterizados como tempos difíceis. Assim poderemos ter como principais consequências da crise global na economia angolana os seguintes aspectos:
1º A queda do crescimento económico geral, medido pelo         Produto Interno Bruto “PIB”.
2º Queda das importações. Como dependemos maioritariamente das importações, a baixa do preço do petróleo afecta directamente na entrada de divisas, prevendo-se desta forma o acentuar do déficit na balança comercial.  Entenda-se que vamos gastar mais na compra, na importação, do que receberemos nas vendas, nas exportações.
3º Queda na taxa de investimento das empresas e do governo.
Diminuição dos volumes de capital disponível para crédito aos consumidores, e também para as empresas fazerem investimentos.
5º Aumento do desemprego. Isso provocará uma queda da renda, fazendo com que toda a classe trabalhadora tenha sua renda média diminuída, seja pelos salários mais baixos, seja pelo desemprego que afectará as famílias, seja pela falta de crescimento da economia em geral.
6º Outro aspecto bastante nocivo também será o aumento dos preços dos alimentos, que vão subir (alias já tem subido) mais rápido com a crise, por vários factores. Tal situação deve-se ao facto de que o comércio é controlado por grandes empresas transnacionais, que o controlam de forma monopólica e, por isso, vão controlar os preços para aumentar suas taxas de lucro.  Muitos insumos usados são importados e dependentes do petróleo e, por isso, vão aumentar de preço.
Podemos dizer que para gerir uma crise requer-se a unidade e a coesão do povo de um determinado país, e claro, custa também a sapiciência dos seus líderes que tem como missão e responsabilidade de estado definir politicas e gerir um determinado país.
Portanto, não é mensurável o valor de uma crise a nível previcionista quantitativo objectivo, pois não é mensurável prognosticar taxativamente o valor da crise económica que o nosso país vive, pois as crises económicas afectam os sectores politicos, sociais e económicos de um determinado país.
Quanto a adopção de algumas medidas para a reduzir a dimensão das suas consequências, podemos implementar estratégias para a redução do modelo de dependência do consumismo industrial externo, propriamente a importação (que realisticamente o prognóstico revela que não acabará nos próximos 4 á 5 anos) e de submissão ao sistema financeiro, aos bancos e transnacionais, para adoptarmos um outro tipo de economia, de maior valorização da produção industrial e agrícola interna (que realisticamente o prognóstico revela que não estará activa na dimensão nacional, nos próximos 3 anos, mas que temos de começar de alguma forma) assim como da elevação dos mecanismos de poupança interna para o fomento da sustentabilidade.
Não entendi nada… Respondeu a criança em causa.
Perante a este argumento, refutei… Pois é, no teu caso é compreensível, tu és uma criança, a minha preocupação prende-se a nós adultos, que somos muitos que também não entendemos nada, talvez por ignorância, e propagamos aos quatro ventos que não existe crise nenhuma, o que chega a ser de tamanha irresponsabilidade, pois não é proibido sonhar, mas é preciso sonhar com os pés no chão, caso contrário arriscamos-nos a comer mortadela e arrotar peru…
A verdade porém, é que nós angolanos, só ganharemos o pão com o suor do rosto de cada um, isto é, temos de trabalhar mais…
Quanto ao valor da crise, refutamos, crise é crise, e o seu valor é taxado no grau de dificuldades que cada povo vivência no seu país. Este é o valor da crise económica que vivenciamos.


domingo, 6 de dezembro de 2015

AMEAÇAS INTERNAS E O PAPEL DA SEGURANÇA DE ESTADO 3


Bento dos Santos

Este é o terceiro e último dos três artigos que me comprometi redigir, sobre o tema: “Ameaças Internas e o Papel da Segurança de Estado”. No entanto, espero que os textos anteriores tenham contribuído em certo modo para motivar a reflexão inerente ao tema em questão.

Como já fiz referência em outros artigos, refuto que apesar do nosso país vivenciar os primeiros anos de paz efectiva, a percepção sobre as ameaças não devem estar desvanecida para muitos angolanos, pois, é imprudente imaginar que um país com o potencial de Angola não enfrenta antagonismos ao perseguir seus legítimos interesses. Porém, realçamos que um dos propósitos dos órgãos de defesa e segurança é conscientizar todos os segmentos da sociedade angolana da importância da defesa do País e de que este é e deve ser um dever de todos os angolanos.

Assim sendo, a Segurança Nacional de um determinado país é a condição que permite ao País, preservar a sua soberania e integridade territorial, assim como promover os seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças, e garantir aos cidadãos o exercício dos seus direitos e deveres constitucionais. Por conseguinte, a Defesa Nacional será o conjunto de medidas e acções do Estado, com ênfase no campo militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas.

É importante resgatar os conceitos transcritos no parágrafo anterior, dado o facto de que as ameaças aqui apresentadas de forma genérica podem constar na configuração da ordem internacional, caracterizada por assimetrias de poder, que em muitas ocasiões produzem tensões e instabilidades indesejáveis para a paz em determinados países. Neste particular, destaca-se a actual redução internacional do preço do petróleo que ocasionou a estagnação de muitas economias nacionais tornando-as mais vulneráveis às crises ocasionadas pela instabilidade económica e financeira em todo o mundo.

Porém a exclusão de parcela significativa da população mundial dos processos de produção, consumo e acesso à informação constitui também uma das várias situações que podem vir a configurar-se em conflito. Outro aspecto aliado a diversidade das ameaças que pairam sobre os interesses inconfessos de muitos estados sobre o nosso país, integra as questões ambientais, que permanecem como uma das preocupações da humanidade. As mudanças climáticas têm graves consequências sociais, com reflexos na capacidade estatal de agir e nas relações internacionais Países detentores de grande biodiversidade como é o caso do nosso “Angola” que também possui enormes reservas de recursos naturais e imensas áreas para serem incorporadas ao sistema produtivo, podem tornar-se objecto de interesse internacional.

Não menos importante, identificamos uma entre as várias questões geopolíticas que afectam o nosso país, que também importa realçar. Por exemplo, a segurança de um país é afectada pelo grau da estabilidade da região onde ele está inserido. Assim, é desejável que ocorra o consenso, a harmonia política e a convergência de acções entre os países vizinhos para reduzir os delitos transnacionais e alcançar melhores condições de desenvolvimento económico e social, tornando a região mais coesa e mais forte.

A existência das zonas de instabilidade e de ilícitos transnacionais pode provocar o início de conflitos para outros países da região. A persistência desses focos de incertezas é, também um elemento que justifica a prioridade à defesa do Estado, de modos a preservar os interesses nacionais, a soberania e a independência.

Como consequência da nossa situação geopolítica, é importante para Angola que se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmónico da África Austral, que se estende, naturalmente, à área da defesa e segurança regional. A vivificação das fronteiras, a protecção do meio ambiente e o uso sustentável dos recursos naturais são aspectos essenciais para o desenvolvimento e a integração da região.

Enfim, a dimensão das ameaças são tão diversas e inúmeras que não poderemos menciona-las conclusivamente neste exercício, no entanto, a persistência das ameaças à paz mundial requer a actualização permanente do aparelhamento das nossas Forças Armadas e dos demais órgãos de manutenção da soberania nacional. Por assim ser, os planos aliados a segurança nacional devem incluir todos os sectores da vida activa da sociedade angolana e, em particular, as áreas vitais onde se encontra a maior concentração do poder político e económico. Precisamos ver a nação identificada com a causa da defesa. Toda a estratégia nacional repousa sobre a conscientização do povo angolano quanto à importância central dos problemas de defesa e segurança interna e externa, pois a nação deve compreender que são inseparáveis as causas do desenvolvimento e da defesa.

O compromisso nacional da nação angolana, sempre foi e é um projecto do povo angolano, “Um Só Povo Uma Só Nação”. Neste âmbito, o projecto político do MPLA partido no poder no nosso país, sempre abraçou a ideia de nacionalidade e lutou para converter essa ideia para os distintos sectores da sociedade angolana. Esse facto também tem sido a garantia profunda da identificação da nação com as forças de segurança nacional e dessas com a Nação.

Por tudo exposto no presente artigo, reitero que a acção dos serviços de segurança de estado deve estar focada na antecipação dos factos. Por meio da inteligência, busca-se que todos os planeamentos políticos, estratégicos, operacionais e tácticos e a sua execução desenvolvam-se com base em dados que se transformam em conhecimentos confiáveis e oportunos por formas a salvaguardar os pilares da estabilidade da nação.

A busca pelas informações precisas é uma condição essencial para o emprego adequado dos distintos meios a disposição destes órgãos. A inteligência ou os serviços de segurança de estado são também desenvolvidos desde o tempo de paz, pois são eles que possibilitam superar as incertezas. É da sua vertente prospectiva que procedem os melhores resultados, permitindo o delineamento dos cursos de acção possíveis e os seus desdobramentos. A identificação das ameaças é o primeiro resultado da actividade da inteligência, por este facto, todas as instâncias do Estado devem contribuir para o incremento do nível de Segurança Nacional, dai a necessidade de se abortar iniciativas que fomentam a instabilidade social.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

OS DEBATES TELEVISIVOS TÊM CONTRIBUIDO NA DEMOCRATIZAÇÃO DA POLITICA NACIONAL?


Bento dos Santos

 

Os desafios da gestão política nacional tem aumentado o seu nível de complexidade em todos sectores do ambiente social angolano. Muitos entre os diferentes actores políticos nas vestes de partidos políticos, assim como os actores individuais integram na actualidade os interesses estratégicos externos de alguns estados do mundo ocidental, baseado numa influência de uma política pós-neocolonialista.

Apesar de que na actualidade assiste-se uma ascensão nas distintas formas de comunicação virtual, neste particular entende-se o crescimento exponencial das formas de comunicação interactiva baseadas nas novas tecnologias de comunicação e informação que promovem às transformações das modalidades com que se estabelecem às relações entre os diversos actores, a televisão, enquanto meio tradicional, ainda constitui um dos principais meios de informação de dimensões e inovações que funcionam como estratégia da amplificação da comunicação politica.

Por conseguinte, algumas vozes tentam de forma empírica defender que a televisão tem tido um efeito mínimo na formatação e formação da opinião pública, porquanto augura a vigência de um mal-estar mediático, argumentos que se incidem na preferência pela televisão em contraste com os jornais que actuam também como fonte de informação politica, o que tem causado o maior afastamento dos cidadãos em relação aos factos políticos difundidos pela televisão.

No entanto, tais argumentos caiem no descredito a quando da actualização da grelha dos programas emitidos pelos diversos canais televisivos, onde na actualidade existe no meio mediático nacional a TPA1, TPA2, TV ZIMBO, ZAP TV. No caso específico dos debates televisivos a título de reconhecimento de inovação criativa na grelha de programas, o mérito recai a TV ZIMBO que a tempo oportuno ascendeu a visibilidade da chama dos debates políticos televisivos, não pela sua originalidade na concepção, mas pela sua acutilância temática, o que certamente originou com que o debate político em televisão constitui-se um espaço privilegiado no plano da apresentação da discussão dos temas de interesse para a opinião pública.

A pergunta: será que os órgãos de comunicação que promovem o debate político estão a alcançar os seus objectivos perante a sociedade?

Á prior convém elucidar que os debates televisivos certamente objectivam aproximar os cidadãos, isto a nível de “audiências” que consequentemente afectaram no aumento da rentabilidade para um determinado órgão, assim como ajudam a clarificar às omissões e dúvidas entre os governados e os governantes, sempre sob uma plataforma de discussão democrática.

Porém, não podemos esquecer o factor espectáculo no seio da televisão, aqui contextualizado subjectivamente como a constituição dos espaços da realização dos debates políticos no seio da televisão. Tal facto associado ao cenário, o grafismo, e não menos importante o papel do jornalista enquanto moderador do painel constituem os componentes do cenário do espectáculo no seio da televisão.

Paralelismos a parte, podemos afirmar que a estratégia tem alcançado os seus objectivos primários a nível de audiência e de participação dos distintos actores políticos, pesa o facto de muitos revelarem a suas debilidades. Entretanto, tal evidência “pode ser um sol de pouca dura” em função da ascensão das perspectivas dos espectadores que têm neste meio a busca da oportunidade para conhecerem melhor os seus actores políticos, fazendo crer que os debates políticos televisivos representam uma ampla transacção do desenvolvimento da cultura política democrática no nosso país, porquanto sabemos que um debate é um drama humano no seu estado original que do ponto de vista estrutural pode ser considerado como uma estratégia para a informação de massas.

Segundo Walter Lippmann a televisão pode servir como a máquina da verdade. Este formato “debate televisivo” estimula de forma directa a discussão politica entre os cidadãos e pode ser um dos principais meios estratégicos da disputa política mediática no momento das campanhas eleitorais. Assim sendo, os debates não tem existência isolada, pois englobam um fluxo de informação e comentários mediáticos que ocupam inúmeros media em concorrência, como a própria TV, a Rádio, a Imprensa, os Suportes de Publicidade Politica, a Internet, entre outros meios.

Neste âmbito, acreditamos que a iniciativa é salutar mas o desafio para manter a audiência é ainda maior em função das elevadas expectativas dos telespectadores, uma vez que estes podem transportar os argumentos de razão abordados nestes eventos mediáticos de forma equiparada ao impacto da economia na vida social das comunidades. Assim sendo, os actores e intervenientes destes eventos têm sobre si, um desafio ainda maior, pautado na necessidade da permanente gestão da credibilidade do órgão televisivo.

Até lá, vamos ao debate. Os debates televisivos têm contribuído na democratização política do nosso país?

Eu respondo afirmativamente que SIM! Afinal os que participam nos debates e os que assistem são grupos diversos, individualidades, cidadãos de diversas heterogeneidades políticas, o que nos leva a concluir que em Angola existem e sempre existiram canais para os principais actores políticos poderem actuar de forma democrática e permanente, sugerindo desta forma que aqueles nas vestes de mercenários políticos abandonem imediatamente ás suas acções contra a pátria, e criem partidos políticos para concorrerem de forma democrática no alcance do poder, assim como fazem os outros actores políticos.

sábado, 21 de novembro de 2015

AMEAÇAS INTERNAS E O PAPEL DA SEGURANÇA DE ESTADO 2


Bento dos Santos


Este é o segundo dos três artigos que me comprometi redigir, sobre o tema: “Ameaças Internas e o Papel da Segurança de Estado”. Importa aqui esclarecer o paralelismo que emprega-se ao conceito de segurança de estado, tema de maior conhecimento junto do senso comum, aqui abordado na mesma óptica, sob alegação de serviços de inteligência.


Os últimos acontecimentos no contexto da segurança mundial perante as acções dos terroristas em França no pretérito dia 13/11/2015, assim como as acções terroristas desenvolvidas na Nigéria e no Egipto, e muito recentemente a ocupação de um hotel em Bamako no Mali onde mais de cento e cinquenta pessoas tinham sido feitas reféns e cerca de vinte e uma (21) pessoas foram mortas, têm revelado a importância da necessidade da desmitificação de temas ligados a segurança dos estados, junto da opinião pública, tanto no contexto interno, quanto no contexto externo.


Tal facto deve-se ao risco de que nenhuma nação está isenta da possibilidade de tornar-se vítima das acções dos terroristas espalhados pelo mundo.

A alegação da necessidade da desmistificação de alguns temas ligados aos objectivos dos serviços de inteligência deve-se ao facto de que muitos são os que pensam que os temas ligados aos serviços de inteligência estão sempre associados a aventuras baseadas na espionagem e por ai adiante. Talvez porque os filmes tratam destes temas associando-os quase sempre às aventuras subsidiadas nas técnicas de publicidade e marketing, sob uma perspectiva futurística o que acaba por incidir ainda mais o tabu do enigma do que é realmente o âmbito dos serviços de inteligência.


Porém, na vida factual o papel dos serviços de inteligência de um determinado estado não se limitam apenas na troca de informações, tão-pouco em acções operacionais de âmbito preditivo ou preventivo.


Para facilitar a elucidação da nossa abordagem recorremos a alguns antecedentes históricos aliados ao tema. Podemos partir do período da Idade Média onde as informações continuaram a ser utilizadas, quase que exclusivamente, com objectivos militares e com características muito mais defensivas do que na antiguidade. Os reis e os chefes militares entendiam que as contendas armadas deveriam travar-se apenas entre cavalheiros, não admitindo o emprego de espiões como eram entendidas limitadamente, na época, tais actividades eram para se conhecer o inimigo.


Daquela época, pouco se tem efectivamente sobre o uso das informações. A não ser abordagem nítida de contra-informar que se constata no tratado militar “DERE MILITARI”, escrito por Flavius Vegetius Renatus, e que tem muito valor até Napoleão.


Na Idade Moderna, durante o Renascimento e com o advento dos Estados modernos, a actividade de Inteligência passou a ser desenvolvida de forma contínua e de modo generalizado. Estabeleceu-se o hábito de troca de agentes diplomáticos entre os principais Estados da Europa. Está prática de interesse das maiores potências, visando a se obter informações sobre seus prováveis inimigos.


O valor das informações cresce primeiro porque o homem passou a dispor de melhores meios de comunicações e segundo, porque passou a ter necessidade de saber mais e mais oportunamente, enquanto a evolução técnico-científica integra cada vez mais todas as actividades humanas dentro dos grupos socais.


No período do pós-guerra, as informações passaram a exercer grande influência nos acontecimentos em geral, provocando até mesmo, e somente devido a elas a mudança no equilíbrio político. É no período da Guerra Fria que as informações constituem verdadeira arma, se não forem a principal entre todas.


Entretanto, o fim da Guerra Fria tinha posto fim a questão ideológica que durante muitos anos fez com que as maiores potenciais mundiais gladiam-se entre si. No entanto, muito embora ainda não se tenha inimigos bem definidos, entre às maiores potenciais mundiais, surge também uma nova Ordem Mundial, caracterizada pelo fenómeno da globalização, onde os países ricos pretendem ficar cada vez mais ricos às custas de sacrifícios, cada vez maiores, dos países em via de desenvolvimento, ou ainda dos também estigmatizados como países mais pobres. É com base a este contexto de interesses que interligam o campo diplomático nas relações entre estados.


Aliada aos aspectos abordados no parágrafo anterior que identifica-se também como objecto de actuação do campo dos serviços de inteligência questões do âmbito da área criminal, o que exige conhecimentos e dados sobre os criminosos em geral, “modus operandi” criminal, área de incidência de delitos penais ou administrativos, pontos de receptação de bens, uso e tráfico de drogas e de armas, o crime organizado, os crimes contra o meio e estabelecimentos penais, dados sobre eventos públicos (esportivos, culturais e políticos), manifestações públicas (sindicais, estudantis, funcionário público, motorista de autocarros e táxi, minorias, torcidas organizadas não governamentais, associações de bairro etc), crimes contra pessoas, crime contra o património, demais crimes e contravenções penais.


Por este motivo, os serviços de inteligência devem produzir informações precisas, seguras e oportunas de modo eficaz, no momento preciso, no local com o valor adequado, em torno do facto ou o evento e/ou elementos adversos devidamente configurados e identificados, e com o indispensável amparo legal.


Tais conhecimentos devem relacionar as circunstâncias de tempo e espaço dos factos e/ ou situações a que se referem, exigindo um permanente e criterioso acompanhamento de suas variáveis e implicações nos diferentes segmentos da sociedade.


Tendo por base os pressupostos que norteiam a Teoria Geral do Sistema desenvolvido por Ludwing Von Bertalanffy, pode-se entender como um Sistema de Inteligência (SI) como sendo o conjunto de Órgãos de Inteligência (OI) que interagem entre si formando um todo regular e estável, tendo como objectivo maior, a produção de conhecimentos necessários à correcta tomada de decisão aos formuladores e executores da (s) política (s) de Segurança Pública. Todos sectores aqui referenciados constam no objecto de actuação dos serviços de inteligência porquanto modelam a segurança nacional.


Contudo, a dimensão e a complexidade do campo de actuação dos serviços de inteligência é simétrica aos distintos ramos de especialidade dos serviços de inteligência. Outrossim, é preciso advertirmos que as questões aliadas aos serviços de inteligência não se esgotam com a elaboração de um artigo ou mesmo de um estudo mais aprofundado.


No entanto, as crescentes acções neste campo, promovidas por forças adversas suscita-nos amplificar a necessidade de promover a cultura de segurança nacional, junto da opinião pública, por formas a que o nosso país não continue a ser fragilizado pela posição que muitos cidadãos que optam por acções que comprometem a segurança interna e externa do nosso país, sob pretexto de serem activistas da promoção da democracia ou da liberdade de expressão ou do activismo dos direitos humanos, quando na realidade os interesses e objectivos nacionais do nosso país “Angola” ficam submetidos a um segundo plano, o que acaba por prejudicar os interesses da maioria dos cidadãos angolanos.


Assim sendo, e mesmo sabendo-se que a segurança é responsabilidade de todos, cabe aos serviços de contra-inteligência tomar as medidas necessárias para evitar os comprometimentos no acesso, prevenir vazamentos e detectar e neutralizar as ameaças de possíveis forças adversas. Por isso, a actividade de contra-inteligência não se restringe às acções desenvolvidas por um grupo de servidores especialistas, analistas e seus auxiliares de contra-inteligência, mas por todos os integrantes da comunidade de inteligência. É nesse contexto, que a actividade de inteligência revela a tomada de decisão orientando a busca de conhecimentos oportunos, amplos e seguros, imprescindíveis para á segurança e o desenvolvimento de qualquer Estado ou instituição.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

O ATENTADO TERRORISTA EM FRANÇA E ÀS NOSSAS PERCEPÇÕES PERANTE A COBERTURA MEDIATICA (…)


Bento dos Santos

Fui tentado, sem atentado, e confesso que acedi a auto-tentação de escrever este breve artigo sobre algumas ilações e percepções sobre o tema referenciado em epígrafe. Tal facto deveu-se a constante similaridade entre vários pronunciamentos de alguns ciclos de discussão, sobre temas de índole político e social, neste caso específico sobre a forma como alguns países europeus reagiram em solidariedade a tamanha barbaridade quando ocorrida no seu espaço territorial (continente europeu). Neste particular, refiro-me a reacção «» da cobertura da media europeia perante aos acontecimentos nefastos que tiraram a vida a mais de uma centena de cidadãos, entre franceses, portugueses e demais nacionalidades do mundo.

Não farei deste artigo, mais uma voz da amplificação dos factos ocorridos no dia 13 de Novembro em França, até porque, entre os muitos, vários não se encontram. Procurarei sim, reflectir sobre o tema na perspectiva de algumas ilações perceptivas de fórum interno.

Entre a solidariedade internacional, onde mais uma vez o valor da vida fica patente pelo repúdio das vozes da humanidade, uma questão se tem levantado, consistindo na suposta razão da motivação dos terroristas para a prática de acções tão nefastas para a humanidade. Entre estás incompreensões injustificadas às potências mundiais parecem ficar reféns de si mesmas quando por um lado promovem a destituição de regimes e por outro defendem a não ingerência nos assuntos dos estados soberanos. Já agora suscita-me uma outra questão. Existem estados ou nação não soberana? Parece-me que sim… Talvez a Palestina…Mas este é outro assunto para outras linhas ortográficas.

De momento a questão prende-se mesmo na cobertura jornalística a tempo integral e numa pauta de 24/24 horas das ocorrências terrorista em França cuja dimensão despertou algumas críticas cá entre nós, do tipo: é lamentável, mas situações similares e mais graves ocorrem diariamente em países africanos e não se conhece tão ampla cobertura da media. Por exemplo, até que ponto os países africanos são solidários entre si, com manifestações de repulsa contra as acções dos grupos radicais como por exemplo o Boko Haram?

Pórem, hoje a media ocidental faz eco que sob forma de retaliação o governo Francês através do seu ministério da defesa fez saber que cerca de vinte bombas foram lançadas na Síria onde supostamente está localizado o bastião do auto designado estado islâmico, e vários alvos foram atingidos. Segundo o governo Francês às bombas destruíram os seguintes alvos: um centro de comando, um depósito de munições e um campo de treino para combatentes.

Entretanto, o jornal The Guardian faz referência que foi identificado um dos alegados cabecilhas dos ataques de Paris, no caso o cidadão belga Abdelhamid Abaaond de 27 anos que estará actualmente na Síria. Ainda pela negativa mais acentuada o cidadão mais conhecido do bairro Molenbeek é Abdelhamid Abaaond, um cidadão belgo-marroquino que vive a cerca de dois anos na Siria e ficou conhecido quando postou uma serie de fotos “sorrindo” ao volante de um camião carregado de cadáveres.

Abaaond é considerado o líder de uma célula de terrorismo desmembrada em Janeiro na cidade de Verviers e suspeita-se que foi ele quem planificou os atentados de Paris.

E não é tudo. O ministério da justiça da Bélgica estima que entre os 500 e 800 Belgas se envolveram no conflito Sírio, o que faz do país o principal fornecedor de combatentes europeus em relação a sua população.

Importa frisar que este mesmo individuo já estaria referenciado pelas autoridades como sendo altamente perigoso. O bairro Molenbeek-Saint-Jean localizado em Bruxelas (Bélgica) tido como o celeiro do terrorismo na europa não foi bombardeado como forma de demostrar a força bélica dos franceses. Tão mau quanto outros males, às bombas que desfradaram na Síria não matam apenas terroristas, são inúmeras às vezes que vimos crianças, bebés, mulheres, idosos, entre outros a serem vitimas destas atrocidades.

Contudo o cientista político Dave Sinardat da universidade livre de Bruxelas (VUB) afirma que a composição social do bairro também contribui para torna-lo um terreno fértil para radicalização. O mesmo afirma: “é um dos bairros mais pobres e mais jovens do país, com um alto nível de desemprego”.

Infelizmente às bombas de represarias não matam apenas os inimigos da paz, aliás às bombas são também inimigas da paz. Nesta altura às Nações Unidas (ONU) o quê faz?

Quanto a retórica suscitada, voltamos a questão… - Reclamar a cobertura da media europeia ou da solidariedade europeia, porque nos apegarmos a boleia da europa, nós africanos não temos imprensa? Nós africanos não temos meios e órgãos da comunicação social? A quem devemos culpar ou responsabilizar se não darmos a devida dignidade no tratamento dos nossos problemas, junto da opinião pública?

Sem respostas de outros fóruns, acho que perante às retóricas transcritas enquadra-se o pensamento de William J. Bennett que importa transcrever “Nada de bom pode vir a uma nação, cujo povo reclama e espera que outros resolvam os seus problemas. Deus concede os seus dons a quem trata dos seus problemas por conta própria”. Conforme consta na obra literária “Pensar Social, Exercer Cidadania” pág. 147.

Refuto: - Só dimensiona a perca, quem realmente está ligado a ela. Por isso, acho que este pensamento aplica-se nas mais distintas inquietações que enquadram-se ao tema em referência. Portanto, boa reflexão.

 

sábado, 14 de novembro de 2015

AMEAÇAS INTERNAS E O PAPEL DA SEGURANÇA DE ESTADO 1


Bento dos Santos

Uma ameaça é sempre uma questão que suscita uma prévia avaliação da dimensão do risco e por conseguinte definir-se as possíveis acções que podem terminar ou anular tais riscos ou ameaças. Se uma ameaça proferida para um determinado cidadão já constitui motivo para preocupação, o que dizer de uma ameaça para um país?!


Os desafios de um mundo globalizado são inúmeros, e por este facto, torna-se cada vez mais difícil obter consenso sobre quais seriam os problemas prioritários na agenda de um determinado país (defesa e segurança ou áreas sociais?).

Angola, o nosso país, vem ampliando a sua actuação no cenário internacional, e não raro, algumas acções de interesse estratégico para o nosso país são executadas sobre cenários de tensão politica e social interna e externa.

Por assim ser, a posição mais revelante do nosso país no cenário nacional e internacional aumenta o risco de Angola se tornar alvo de acções de sabotagem que visam impedir ou dificultar a consecução dos seus interesses estratégicos.
Assim sendo, o trabalho de inteligência deve permitir que o estado, de forma antecipada, mobiliza os esforços necessários para fazer frente às adversidades futuras e para identificar oportunidades para às acções do executivo.

A segurança nacional é assim uma matéria de interesse geral, que deve envolver toda sociedade. Outrossim, os actuais cenários internacionais e nacionais revelam peculiaridades que induzem a possibilidade da ocorrência de situações potencialmente prejudiciais á sociedade e aos interesses estratégicos nacionais. A sua dimensão compreende ameaças como: a espionagem, a sabotagem, a interferência externa, as acções contrárias a soberania nacional, os ataques cibernéticos, o terrorismo, a criminalidade organizada, a corrupção, às acções contrárias ao estado democrático de Direito. Neste âmbito, o aspecto preventivo integra toda actividade de inteligência e de contra-inteligência.


Neste artigo, de forma muito sintetizada e especificamente genérica, procurarei abordar a nível de conteúdo ortográfico algumas questões associadas às ameaças internas alineadas aos objectivos da segurança interna do nosso país, assim como o compromisso do estado perante aos cenários ameaçadores da realidade operacional, sob perspectiva síntese do conceito de contra-inteligência, definida como como uma actividade que objectiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar acções adversas que constituem ameaças a pessoas, áreas e instalações de interesse de toda sociedade e do estado.

Porém, às actividades da inteligência devem possuir uma abrangência tal, que lhe possibilite identificar ameaças, riscos e oportunidades para o país e a sua população. Paralelamente, potencializa-se o interesse da inteligência frente aos riscos definidos como problemas sociais, como a violência, a instigação a desordem, as organizações criminosas, o narcotráfico, os crimes financeiros e transfronteiriços, as violações dos direitos humanos, o terrorismo e o seu financiamento, assim como as actividades ilegais que envolvem o comércio de bens de uso dual e de tecnologias sensíveis que desafiam estados democráticos.

 A título conclusivo deste primeiro artigo sobre o referido tema (penso escrever mais dois artigos com este tema) salientamos que é imprescindível e urgente fortalecer no âmbito da sociedade, a cultura da protecção nacional, visando estabelecer práticas que salvaguardam os interesses nacionais, optando por uma actuação prospectiva e preventiva nas diversas áreas de interesse nacional.