INFORMAÇÃO É FORMAÇÃO

domingo, 5 de maio de 2013

UMA SINTESE SOBRE ALGUMAS CAMPANHAS POLITICAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS NO CONTEXTO INTERNACIONAL


Por: Bento dos Santos
Quem conhece as Relações Públicas (RP) como ciência certamente não ficará supresso com a afirmação de que “a arena diplomática se apresenta como o cenário propício para vigência de acções de relações públicas, principalmente pelo facto desta fazer recurso a comunicação integrada no contexto internacional”. O próprio conceito de que as Relações Publicas são o esforço deliberado, planificado e continuo para estabelecer uma compreensão mutua entre uma organização e seus públicos, (segundo o “Bristish Institute of Public Opinion, cuja definição também foi adoptada por vários países pertencentes a Commonwealth”), começa a conhecer um outro conceito não menos académico, que faz referência a mudança do paradigma conceitual das RP como sendo nada mais, nada menos do que a vigência da comunicação integrada (entenda-se uma coligação das áreas de especialização das ciências da comunicação, nomeadamente: Jornalismo, publicidade, Marketing e Relações Públicas).
Numa altura que testemunhamos um mundo ocidental a oscilar entre a contenção da crise económica que actualmente vai se ensaiando entre os mercados de algumas das maiores potências económicas mundiais (França e Alemanha) por cá, assiste-se nos últimos tempos, varias incursões de líderes de partidos políticos da oposição, a implementarem estratégias de projecção política das suas actividades no contexto internacional. É bem verdade que tais campanhas têm estado encobertas sob o manto de acções de diplomacia, que até onde se sabe perspectivam angariar alianças estratégicas para um melhor desempenho na arena da disputa politica. Apesar de tal facto ser prescindente, em nada anula a preocupação manifesta por alguns círculos de reflexão da sociedade civil no que diz respeito aos reais propósitos de tais acções.

Antes de mais, é preciso clarificarmos que a responsabilidade da elaboração e implementação das agendas dos partidos políticos é única e exclusiva responsabilidade dos seus dirigentes, assim como dos seus demais integrantes. No entanto, no que diz respeito as consequências resultantes de tais agendas ou acções destes partidos, não podem ser vistas como actos isolados quando seus efeitos massificam-se no contexto social interno de um país soberano.
A título de exemplo, subescrevemos alguns estratos dos mais recentes pronunciamentos do líder do partido UNITA Isaías Samakuva na sua mais recente digressão pela arena internacional. Salientamos que os estratos aqui transcritos são decorrentes de um seminário na Inglaterra, especificamente na cidade de Londres no Instituto Real de Relações Internacionais. Isaías Samakuva igual a si mesmo desvaira-se mais uma vez alegando que: “é a UNITA que está a segurar a paz frágil ao dizer ao povo para confiar na capacidade dos seus líderes em conseguir uma mudança profunda", fim de citação. Tal pronunciamento desmedido e irreal do líder da UNITA procurou confundir até certo ponto a percepção daqueles que acompanham indirectamente a vida política angolana, a partir do exterior.

No mesmo diapasão o líder da UNITA continuou a sua intervenção alegando que “Angola vive um clima de tensa instabilidade política e social que o actual estado politico e social, é equiparado a um barril de pólvora prestes a explodir”. Dando continuidade as suas alegações Samakuva frisou ainda, que “as distintas lideranças políticas angolanas devem evitar a promoção dos ventos da primavera árabe, referindo-se neste caso a propósito das revoltas populares ocorridas em países do norte de África e do Médio Oriente desde o pretérito ano de 2011.
Os argumentos do líder do partido UNITA transcritos em epígrafe não só evidenciam a sua pretensão maquiavélica da ascensão ao poder, como também revelam o seu perfil politico, carregado de estereótipos, pois Samakuva assume-se como promotor de gema da proliferação da exacerbação do radicalismo político social, uma vez que por cá sabemos que a UNITA é pioneira na promoção da desorganização social, e que infelizmente está é uma das principais causas dos efeitos perversos em qualquer sociedade.

É óbvio que o líder da UNITA sairia com mais vantagens nas suas acções diplomáticas, se pauta-se por um discurso de consciência colectiva, baseado no interesse nacional, pois a manutenção da paz é um objectivo nacional permanente para nós angolanos, tendo em conta que a mesma promove a união das gerações e torna mais fácil o alcance do consenso social, e sendo ela ainda muito recente, nunca é demais acções que visam a consolida-la.

 Já no que diz respeito a política externa de qualquer força política, está costuma ser considerada como a expressão da sua política interna dai o facto de não nos surpreendermos com as revelações do líder da UNITA.

 Outrossim, é da natureza humana, ou da ordem natural das coisas que pessoas e as sociedades desejam sempre retirar bem mais de uma relação do que o investimento realizado em contrapartida, por este facto, sabemos que nestas andanças de relações internacionais assiste-se o modelo de que com uma das mãos se dá e com a outra se cobra, vai-nos a filosofia tecer o que oferece um líder como Samakuva em troca, durante o seu périplo por lá onde vai (...) se quando sob holofotes das camaras da comunicação social se propõe a propagar a mensagem da desgraça, de que Angola é um país instável, e que a distância que separa a paz alcançada com muito sacrifício e sangue do povo angolano, e a guerra que se pretende promovida pelos seus intentos para o alcance da ânsia da glória desmerecida, só falta mesmo os seus galos voltarem a “Cocoriar ou Cucuricar” (...)

 Entretanto, é também uma Utopia, nós angolanos pensar que alcançar o desenvolvimento, a igualdade e a justiça social, é possível sem arregaçarmos as mangas para o trabalho. Como exemplo, alegamos que é falso pensarmos que por alguém ter nascido na Lunda-Norte ou em Cabinda ou mesmo pelo facto de ser cidadão angolano, torna-se logo rico sem ter que trabalhar. Realmente pelo facto de termos a potencialidade de recursos naturais que o nosso país ostenta, podemos afirmar que sermos cidadãos angolanos nos propícia logo a início mais oportunidades para alcançar a riqueza. No entanto, o realismo das transformações sociais a decorrer no nosso país assim como em outros países, cumprem com a essência da cadeia dos acontecimentos dos processos sociais, pois é factual e triunfal o nosso percurso rumo ao desenvolvimento, “Angola está no caminho certo” dai a opção do povo na eleição da razão de estado, manter-se sob governo do MPLA.
Fazendo recurso ao conceito de Realpolitik”, notamos que o mesmo faz alusão ao princípio de que as relações internacionais não apenas norteadas pela ética ou ideologias, mas sim, pela defesa dos interesses nacionais. Em suma, os estados não têm “amigos” e nem compartilham ideais, simplesmente fazem valer seus objectivos económicos e políticos. Sob este principio básico de diplomacia, nos questionamos sob a maturidade politica do líder da UNITA.

 Noutra vertente resgatamos uma velha regra do senso comum, que faz menção que quando existem muitas prioridades, não existe nenhuma prioridade bem estabelecida. Isso justifica a conveniência de se atribuir a importância devida ao que é realmente importante, não multiplicar as frentes de trabalho ao sabor das viagens supostamente diplomáticas de alto nível, quando na realidade analisada, assistimos os actores a se esbarram em contradições injuriosas, contra o seu próprio país como o fez Isaías Samakuva.

 Por fim, ficou-se por saber, se o líder da UNITA activou os quatro elementos do “jogo diplomático” que devem ser considerados em qualquer política externa que se pretenda responsável, nomeadamente: a clareza das suas intenções, a interacção entre a diplomacia do seu partido e a economia, bem como a aferição precisa quanto aos meios disponíveis que o mesmo pretende obter, ou ainda até ponto vai a flexibilidade e abertura às inovações no seio do seu partido (...) até lá muitas leituras podem ser feitas (...)!

 

 

 

segunda-feira, 4 de março de 2013

A VERDADE OCULTA: A ORIGEM DO MITO DAS REVOLUÇÕES ÁRABES

 
Por: Bento José dos Santos
 
Mais uma vez me proponho a partilhar uma das minhas reflexões introspectivas, tornando-á pública, por meio desta ferramenta estrategica  (o meu Blogue) que permite a partilha de conhecimentos.

Sei que através desde canal, em muitas ocasiões fica-se por se esgotar os assuntos que proponho partilhar. É um facto! Entretanto, a partilha dos mesmos, pode-se considerar o ponto de partida para um debate mais aprofundado, cujo os canais para tal, todos conhecemos.

 Assim sendo, não é demais convida-lo a apreciar o presente tema: A VERDADE OCULTA: A ORIGEM DO MITO DAS REVOLUÇÕES ÁRABES.

Actualmente torna-se cada vez mais difícil conceituar a palavra “revolução”. Isso deve-se ao facto de que, as experiências históricas definidas como “revolucionarias” nem sempre corresponderem com exactidão as concepções previamente estabelecidas.
 
O foco deste artigo não perspectiva criar marcos sobre a questão. No entanto, torna-se imperioso analisar em profundidade se as transformações sociais resultantes de determinados acontecimentos se estes provocaram mudanças bruscas na vida politica, económica e social de um determinado estado. Este é o paradigma das correntes marxistas que defendem que só existe revolução quando se constata uma mudança brusca no “statu quo” de uma sociedade (...) formada pelos três pilares sociais (sistema politico, económico e social).

Se por um lado torna-se mais difícil conceituar a palavra “revolução” não menos complexas, têm sido as motivações para o surgimento de fenómenos sociais auto-identificados como revoluções. Numa abordagem menos generalista da questão, delemita-mos o surgimento da corrente que globalizou a campanha apelidada massivamente nas redes sociais por “Revolução Árabe” que a meu entender, parece ter fracassado da sua meta previamente anunciada. Pois, não é novidade para os mais atentos, que na época do surgimento das ditas “Revoluções Árabes” rotulou-se como justificativa da sua emancipação “o facto das mesmas virem a actuar como estratégia mais viável para a rápida implementação da democracia” num mundo que até então persistia a mercê da vontade de regimes ditatoriais « ». Propagava-se pelos quatro cantos que a revolução traria consigo o grande despertar, um despertar para novos tempos de paz e desenvolvimento nestes países (…) Um despertar consumado na democracia (…)!

Entretanto, o tido argumento vincou como causa, hoje, muitos se questionam sobre a sua dimensão, implicação e consequências nas distintas partes do mundo. É bem verdade que o cordão umbical das revoluções árabes extendeu-se desde a Tunisia, Egipto, Líbia, Líbano, Síria, Argélia e demais países (...)

Outra realidade não menos importante para a identificação das causas do seu surgimento, preende-se á necessidade de se contextualizar o actual cenário internacional que exprimenta (va) a emancipação de uma das mais destemidas crises económicas mundiais.

Ao assistirmos uma europa demente por soluções que lhe aliviam da crise, o ambiente de instabilidade politica e social em alguns estados espalhados pelo mundo, representa também uma possibilidade de aleviar estrategicamente o sufoco económico vivido em algumas regiões atingidas pela crise. Sim! A guerra ajuda o desenvolvimento de certas economias, e num passado recente ela foi uma das principais causas do desenvolvimento indústrial também baptizada por “revolução indústrial” que foi uma das principais fontes de estabilidade económica de muitos países.

Ainda  sobre o campo (económico) importa desmestificar uma outra questão ligada ao falso mito da riqueza génerica que ficticiamente se especula existir para todo povo árabe. Apesar do petróleo gerar riqueza e prosperidade, este recurso também tem sido um dos principais  factores das grandes crises no mundo árabe.

Uma das causas primárias dá-se ao facto do petróleo só beneficiar uma franja priveligiada das elites árabes, constituida maioritariamente por governantes hereditários ( reis ) que até hoje estão no poder, acumulando bilhões de dólares em disparidade com o aumento dos níveis de desemprego, o que enfraquece a democracia e a liberdade nestes países.

Outrossim, é preciso não descurar-mos o facto de que a revolução árabe, talvez já tenha merecido um estudo mais aprofundado por parte da comunidade ciêntifica, pois na sua essência, foram vários os factores que perfilaram como motivação para uma observação mais permonizada. Entre os diversos aspectos, dois factos inovadores e consistentes na génese de tal fenómeno politico e social, certamente despertaram a atenção dos estudiosos. Por exemplo: o recrutamento gratuito que rapidamente foi-se disseminando pelas redes sociais, mobilizou inúmeros actores voluntários que se associaram como agentes de uma causa « » indefinida, propagando a intentona da instabilidade, nas vestes de “revolução” deixando para segundo plano as reais perspectivas, isto é, se tais acções seriam simétricas aos objectivos previamente anunciados.

Por estes e outros factos provocados pela géneses das revoluções, algumas perguntas não se calam, e levam-nos a esgrimi-las de forma reflectiva sobre tão ousado tema. Questões como: Qual é o actual estado político e social nos países onde se instalarão as revoluções árabes? A quem realmente interessasa (va) a instabilidade politica e social nestes países? O modelo “revolucionário” para derrube de governos, ou mudança de regimes politicos, é apropriado perante as actuais realidades mundiais? O mundo (...) ficou mais seguro após o surgimento destas revoluções?

Ao mergulhar-mos nossa inteligência sob reflexão de tais questionamentos, fomos impostos pela hierarquia da abordagem, a delimitar-mos a nossa dissertação numa pequena incursão numa das fases da expansão do povo árabe.

Neste prisma, importa realçar que embora os árabes sempre foram um povo numeroso e distribuido por uma grande extensão do mundo, o Mundo Árabe como nós conhecemos hoje, só passou a ser construido por meio da liderança do profeta Maomé.

O profeta Maomé, tido como um homem muito sábio, nasceu na Peninsula Arábica ( coração do Mundo Árabe ) no ano de 570, vindo de uma família rica de comerciantes. O que pouca gente sabe, é que além de profeta ele também foi um político que chegou a convencer e unificar todo o povo árabe da sua região. Outra contrariedade da actual imagem propagada pelo senso comum, no que diz respeito ao mundo árabe, prende-se ao facto de que Maomé não ter sido um mulçumano fanático, e não era contra as religiões que existiam no mundo naquela época, como era caso do Cristianismo e o Judaismo.

Entretanto, devido a sua forte liderança política entre os árabes, Maomé foi expulso da sua cidade natal “Meca” no ano de 622 pela Aristocracia local. Fugindo pelo deserto, Maomé chegou até a cidade de Medina, onde em segredo organizou um exército para invadir Meca e converte-la na sua nova religião.

Foram travadas batalhas sangrentas entre os exércitos de Maomé e os soldados de Meca, durante anos e anos, mas no final desta guerra Maomé saiu vitorioso e conquistou Meca, uma das principais cidades da época. Contando na altura com duas (2) cidades sobre seu comando Maomé expandiu ainda mais seus exércitos e durante os anos seguintes iniciou uma nova guerra para unificar todos os árabes, derrotando faseadamente todos os seus inimigos.

Após a sua morte, toda a Península Arábica já estava totalmente unida. Os seus seguidores agora partiriam para a conquista do mundo. Essa conquista prosseguiu por séculos, chegando a formar a base das sociedades árabes modernas. No entanto, o grande império árabe foi se dissolvendo com o tempo e os Cristãos recuperaram suas terras.

Voltando a questão suscitada anteriormente sobre o actual estado político e social nos países onde se instalarão as revoluções árabes, podemos reponder de forma simples e hierarquicamente em função temporal do surgimento dos fenómeno social designado por “Revolução Árabe”. Assim sendo, começamos pela Tunisia que actualmente vive uma intensa instabilidade politica. Egipto-Idem Ibidem, Líbia- Idem Ibidem, Líbano- Idem Ibidem, Síria- Idem Ibidem (...)
Infelizmente não podemos fechar o presente artigo com uma ideia contraria, se não uma avaliação negativa nos resultados alcançados pelas ditas “revoluções” já implantadas até os dias de hoje!
 
Assim procedemos, pelo facto destas manifestações sociais serem nada mais do uma nova forma de promover a instabilidade social, contrapondo todos argumentos que embrionariamente motivaram a sua proliferação pelo mundo. No entanto, uma verdade torna-se confessa para esclarecer a origem das apelidadas “revoluções árabes” estas são certamente as “motivações politicas inconfessas” antes mesmo do interesse de um todo “o povo”. A fundo da verdade, identificamos que a fragilidade dos actores sociais de nivel 3 (entenda-se a população) reside no espaço cada vez maior que a pobreza vai se instalando nas sociedades, o que cria o ambiente prospicio para a emanticipação da manipulação politica social no seu seio.

O que para muitos parece ser da responsabilidade do povo é sim responsabilidade das distintas lideranças governamentais espalhadas pelo mundo, que ao assumirem a liderança de um estado, devem antes de mais, ter visão e tenacidade para previnir a emanticipação destes fenómenos. Para tal, sugere-se a adopção e formulação de politicas sociais que promovam os pilares básicos para que as populações tenham uma vida mais condigna e justa. Por cá, isto só é possivel com assumpção do compromisso de lutar rigorosamente contra-corrupção (...) «»!

Por: Bento José dos Santos

 


 



domingo, 14 de outubro de 2012

A DIMENSÃO DO BOATO NO ESPAÇO JORNALISTICO



Por: Bento dos Santos


Tem se propagado nos últimos tempos na arena mediática angolana o fenómeno da produção de factos jornalísticos. As razões para a acentuação deste fenómeno são de vária índole, o que nem sempre é suficiente para os justificar, em função das inúmeras consequências que dele podem advir. No entanto, o seu surgimento e consequente proliferação impõem uma reflexão por parte da classe dos profissionais: Comunicólogos, Jornalistas e demais profissionais do mundo da Comunicação Social.

Reflectir sobre as causas e efeitos de tal fenómeno, não é uma prática nova, o que não descura a sua importância e actualidade, quando se perspectiva contribuir para o seu estancamento, por ser uma prática pejorativa no seio dos profissionais da classe.

Convém realçar que os factos e os acontecimentos são as formas pelo qual se incide o trabalho dos jornalistas. Diferente de os produzir, o profissional de comunicação social procura identificar os factos e acontecimentos por formas a dar-lhes tratamento jornalístico o que poderá resultar na produção de uma notícia, informação, publicidade, reportagens entre outros produtos dos géneros jornalísticos (…)

Em outra vertente, é preciso clarificarmos que o fenómeno denominado “Sensacionalismo” no mundo jornalístico não é recente, uma vez que a própria história da comunicação social, regista que os primeiros jornais norte-americanos (“Publick Occurrences”) e franceses ("Nouvelles Ordinaires" e "Gazette de France") tinham um caráter sensacionalista. Há mais de quarenta (40) anos que estudos conceituam a prática do sensacionalismo como uma imprensa que distorce informações, e procura sempre despertar sensações, ridicularizar as pessoas expondo-as em matérias de violência, escândalos, sempre utilizando ferramentas que possibilitem provocar ainda mais o interesse do leitor. Mas, há a dúvida, se esse conceito criado há várias décadas ainda serve. O sensacionalismo é usado de forma generalizada para rotular qualquer produto da mídia que provoque sensações.

Por outro lado, associar a palavra “boato ao sensacionalismo” é um exercício que se impõe quando emergimos no mundo da comunicação social, considerando que a palavra boato apresenta uma conceituação etimológica que faz alusão a noticia que corre publicamente, mas não confirmada (…) segundo o dicionário http://pt.wiktionary.org/wiki/boato

Manipular a informação de modo incompleto ou parcial e apresentar essa informação num formato exagerado, com objectivo de enganar o público-alvo são características principais que caracterizam o jornalismo sensacionalista. A exploração de notícias sensacionalistas em geral resulta em audiência. Além de termos e imagens sensacionalistas, esses veículos fazem também uso de outros recursos para manter uma proximidade maior com o leitor, por exemplo, espaços reservados para ouvir o público reclamar sobre problemas nas comunidades, serviços de utilidade pública em geral. O entretenimento também é um ponto forte nessa mídia. Notícia sobre famosos, apresentações culturais, shows, filmes, novelas, e diversos temas que possam “entreter” os leitores.

Foi com o entretenimento que surgiu a expressão “imprensa amarela”, o jornal New York World, publicava sempre aos domingos uma história em quadrinhos, e o personagem “era um menino, desdentado sorridente, orelhudo, vestido com uma camisola de dormir amarela. A fala do menino orelhudo vinha escrita na sua camisola e não em balões legendados como acontece genericamente nas histórias de quadradinhos.” (ANGRIMANI SOBRINHO, 1995, p. 21).

Por ter a roupa de cor amarela o menino personagem principal dos quadrinhos, ficou conhecido como “Yellow Kid”. O termo imprensa amarela pegou quando um jornalista escreveu um artigo se referindo à “imprensa amarela” de Nova Iorque, usando no texto um sentido pejorativo à cor.

Em Angola, alguns jornais impressos eram até bem pouco tempo os melhores exemplos deste tipo de jornalismo. Por meio de títulos excêntricos e reportagens fúteis, altamente atractivos para o público, devido à preferência do povo em assuntos polémicos aos factos de relevância pública e de espaço sócio cultural, numa primeira instância estes jornais visavam provocar polémica na sociedade e aumentar as vendas, tendo nos últimos tempos evoluído para o alcance de fins meramente políticos, associados ânsia do poder.

A evolução do “sensacionalismo” são limitou-se no campo do jornalismo impresso. Assiste-se actualmente no contexto social mediático angolano, a proliferação de tal fenómeno no espaço mediático cibernético. Sites, Blogues, Canais de Televisão e outros meios mediáticos eletrónicos têm sido a arena de proliferação de “Boatos” cuja dimensão se associa a perca dos valores éticos e deontológicos de uma profissão já muito banalizada na nossa praça.

A imprensa sensacionalista viola os princípios éticos do jornalista de sempre passar a informação de forma clara e verdadeira, a ponto de inventar histórias para se tornarem notícias com o intuito único e exclusivo de provocar polémica na sociedade. Entretanto, na coexistência do sensacionalismo e o mundo mediático, assiste-se como uma das principais causas, as barreiras de acesso as fontes, que muitas vezes permite a divagação conotativa de factos públicos, que carecem de esclarecimento mediático.

Noutra vertente o actual cenário social caracteriza o perfil da população como avida ao consumo das notícias sensacionalista, em função de distintos factores que sobre ela recai, como os factores culturais, sociais, económicos, demográficos, etc. Tal facto leva-nos a perspectivar que o “sensacionalismo” continuará a dominar o interesse da maior franja da população angolana, porque está contínua a se apresentar com necessidades psicológicas colectivas no que concerne ao consumo da informação adversa.

É consensual que o “sensacionalismo ou imprensa marron” empobrece cada vez mais o jornalismo no mundo. Pois além de relatar os factos, encontra-se entre as objectividades do jornalismo, a preocupação de propor soluções que ajudem a resolver os problemas apresentados socialmente.

Lançado o desafio que se caracterizou na identificação da pré-crise da credibilidade dos mídias angolanos, sugere-se o posicionamento da classe para estancar tal fenómeno. Quiçá um estudo mais aprofundado sobre o assunto não representaria um caminho a seguir (…)















domingo, 7 de outubro de 2012

RESPONSABILIDADE PESSOAL E A DIMENSÃO DA CORRUPÇÃO

Não pretendo ser o tal moralista, identificando as raízes ou essências dos casos descritos, o meu objectivo, em função do tema, é dinamizar este exercício. A avaliação moralista ou ética, poderá ser feita pelo próprio, amigo leitor, caberá a si, no final de cada caso, identificar “onde começou o ilícito, no caso a corrupção”…poderás ainda, enviar-me o seu ponto de vista, tomarei nota, e quiçá, futuramente poderei espelhar a sua opinião, retratando o seu ponto de vista;


A minha perspectiva filosófica para com estes ensaios, visiona especificamente sondar, até que ponto, um determinado cidadão, detém conhecimentos para saber, do seu posicionamento pessoal por formas a contribuir ou estancar a corrupção, ou ainda, participar na sua promoção.

Conto consigo, nestes simples três minutos do seu pouquíssimo tempo,

Pelo que,

Lhe agradeço.


Iº Caso:


*O voo 747 proveniente da cidade de Lisboa acabava de aterrar em solo Angolano, dos inúmeros passageiros que desembarcavam, um fazia as contas a sorte. Will Balond, atravessou continentes para chegar ao destino, não se fazia acompanhar de muitas
bagagens, apenas trazia consigo uma mochila pendurada ao ombro, os haveres que continha no interior davam a entender que o seu período de estadia seria curto.


Will Balond, era um cidadão de nacionalidade Baulmar. Sim! Não duvides, ele era um Baulmares, aquela cidade, que não existe.

Antes de viajar para Angola, Will Balond, balizou-se com informações sobre as distintas esferas do contexto socio-político angolano. Esta tarefa lhe foi facilitada, graças as novas tecnologias de informação; o recurso aos sites, serviram de barómetro para ter uma visão do que podia ser a realidade do país que seleccionou como meta.

Tinha uma ideia da fragilidade « » dos serviços de emigração, e de outras instituições do estado angolano. Treinará a língua, pelo menos as expressões mais usuais para poder comunicar-se, até arranjar um local para hospedar-se. Sabia o nome do hotel que devia mencionar como local de estadia, alegando que tinha a reserva já efectuada, sem no entanto corresponder a verdade. Quanto a questão do período de permanência, argumentou que vinte e cinco dias, era o ideal para conhecer Angola. O visto que tinha disponível dava-lhe um período de trinta dias.

Quanto ao motivo da deslocação, afirmará, que era um admirador do continente africano, e Angola, era um país que constava na sua lista para visitas turísticas. Entre outras formalidades básicas da migração, os pressupostos foram ultrapassados. Will Balond estava já em solo Angolano, e fora do aeroporto. Sabia que tinha de ter algum cuidado, pois como em todos países, Angola tinha também os seus criminosos, a sua maneira m´bora…mas tinha!

Acção seguinte foi chamar um táxi, enquanto no seu interior arriscou decidir por uma sugestão que conservava consigo, lerá em um comentário que certo internauta fez a quando da publicação de uma noticia sobre o hotéis e similares da capital do país, no caso “Luanda”.

– Pór falor lebami a iuna pensón aqui na cidadi, kinaxi ou alvaladi, pediu Will Balond ao motorista do starlet bolinha, azul metalizado.

Após acomodação em uma das hospedarias localizada no centro da cidade de Luanda, Will Balond tratou de ambientar-se com o cenário dos típicos expatriados situados em Angola. O seu itinerário correspondia, em frequentar os restaurantes mais requintados da cidade, e procurar conhecer meticulosamente os dirigentes políticos do topo, da República de Angola.

Intermitentemente a sua deslocação a uma das conservatórias de Luanda, não era por mero acaso, ai conheceu o Pin-pam, aquele que viria a ser o seu ponta de lança, esta acção de mestre, é ainda fruto das suas pesquisas as informações noticiosas, sobre Angola, publicada em um dos sites mais polémicos da praça da informação Angolana.

Tomou o cuidado de anotar inúmeros comentários, que davam por conta que as conservatórias de registo civil angolanas trabalhavam mais no exterior, o pessoal interno era apenas para dar despacho dos casos que resultariam em gasosas (…)

Na perspectiva de Will Balond, Pin-pam era o homem certo, portador da pura gema “da gera mangole 90”, era a pessoa ideal, podia se dizer, que, qualquer necessidade que se manifestava perante ele, o homem tinha uma solução: - Não se preocupa kota, eu tenho um canal para tratar deste assunto, e se não poder pelo meu canal… lá, encontro outro canal, é tudo uma questão de encontrar um canal ou criar um canal, é assim que nós criamos o fantasma chamado sistema, kota”…não liga isto é bobeira, aqui em Angola é assim, eu mbora sou um pobre desgraçado se não bumbar assim vou pitar o qué?!...

Estas eram as palavras pronunciadas por Pin-pam, o jovem do canal; a solução para Will Balond, que até bem pouco tempo não sabia como arranjar estratégias para consolidar-se em Angola, uma vez que o mesmo precisava estender de forma oficiosa « » a sua permanência em Angola, pois seu objectivo era muito mais amplo, do que o simples turismo.

Passaram trinta dias, desde o seu desembarque em Angola, não lhe passava pela cabeça que aquele dia, seria o seu primeiro grande teste…sabia que a conjectura social angolana vivenciava um período de transição, alguns órgãos da soberania do estado, experimentavam uma reestruturação, nunca antes vista, alguns dos novos dirigentes, saíram do mundo das sombras, e conheciam inúmeros actores de ilícitos, nas vestes de homens do direito… este facto, constitui, uma das vantagens de trabalhar na sombra, permite ter informações privilegiadas, o trabalho na sombra, é mais ou menos como o conhecer o futuro (…), e assim vagueava Will Balond sobre os seu pensamentos, quando de repente…

Continua (...); mas não esqueça… envia a sua opinião sobre “onde começou o ilícito, no caso a corrupção” na narrativa descrita.

*PS: qualquer similitude dos factos narrados, e uma situação real, é mera coincidência, pelo que descarto qualquer responsabilidade, pois este ensaio é mera ficção.




sexta-feira, 20 de julho de 2012

QUANDO SE CONFUNDE POLITICA COM ARRUAÇARIA (…)

Aristóteles defendeu a tese filosófica de que o homem é um animal político, fundamentando que: “o homem é um ser que necessita de coisas e dos outros. O ser humano em sua própria natureza seria incapaz de sobreviver isolado dos outros, o que gera a necessidade de constituir associações, e o próprio Estado comum a todos, sendo, por isso, um ser carente e imperfeito, buscando a comunidade para alcançar a completude”. É a partir desta hipótese, que Aristóteles deduziu que o homem é naturalmente político.

Apesar da tese de Aristóteles vir a ser comprovada factualmente a posterior, o seu estudo, não descurou em nenhum momento a assimetria existente entre a convivência dos homens e as normas que regulam estas relações.

Ortografando factualmente sobre o actual ambiente político vigente, notamos que alguns actores políticos da nossa arena (entenda-se actores do contexto politico angolano) tem usado irreflectidamente a estratégia da produção de factos políticos que infelizmente não contribuem positivamente para o ganho da estabilidade social que muito merecemos enquanto povo e cidadãos desta pátria que muito já perdeu com martírio da guerra.

Eis alguns factos;

Na sequência de uma digressão pelas províncias do Namibe e Huíla, no pretérito dia 12 de Maio do ano 2011, o secretário-geral da UNITA, Abílio Kamalata Numa propagou que “os mais velhos devem sair do poder”. Tal pronunciamento viria ser proferido num ambiente de incentivo e coagitação a agitação para subversão por parte da juventude daquela região. Na mesma senda da busca do protagonismo politico, o dirigente da UNITA que procura não deixar em mãos alheias o seu activismo a prática da subversão chegou a instar a instabilidade social no pretérito dia 17 de Janeiro do ano 2007 na província do Kwanza Sul.

Felizmente, não constitui o foco deste artigo abordar de forma analítica os discursos ou intervenções dos líderes da UNITA ou de outra formação politica, apesar de recorrer-se a alguns extratos da intervenção destes ou de outros políticos em algumas ocasiões. No entanto, o ultimo episódio de péssimo conteúdo protagonizado pelo membro e dirigente da UNITA em plena sessão na Assembleia Nacional, no caso o senhor Makuta Nkondo provocou o transbordo dos limites da atenuação formal institucional.

O senhor Makuta Nkondo que a bem pouco tempo revelou publicamente estar mais preocupado com os bens materiais, provando ser um servidor do clientelismo politico, pela justificação da sua posição a favor da UNITA por causa dos bens postos a sua disposição pelo líder da referida organização partidária (visão errada do Senhor Makuta uma vez que o carro 0 km que o mesmo ostenta é propriedade pública) protagonizou um acto de pleno desrespeito aos cidadãos que se revém na liderança do Presidente, José Eduardo dos Santos. Talvez o Sr. Makuta Nkondo não fez o costumeiro dever de casa. Parece ser prática do Senhor Makuta antes de sair da sua casa, receber orientação por parte da sua esposa de como deverá se comportar publicamente por formas a mostrar gratidão ao seu mano Samakuva (...); O argumento que o Senhor Makuta Nkondo apresentou em forma de justificação do seu acto irresponsável, de que falava em nome do povo enquanto deputado não é valido. Os deputados do MPLA também representam o povo e não violam normas para transmitir disparates pessoais do que pode-se pensar de um determinado líder da UNITA ou de outro partido qualquer. Tornou evidente que o Senhor Makuta Nkondo esta desprovido de educação de berço. Atenção é diferente da instrução académica ou formação profissional.

No entanto, a UNITA tem sido vítima de si mesma, e hoje paga um preço muito alto pelo facto de investir na estratégia da liderança tribal. O povo Bacongo não é estupido e não se pode ter a ideia de que só Senhor Makuta Nkondo pode representar o povo Bacongo pois no MPLA e em outros partidos existem inúmeras pessoas oriundas desta etnia. Por este facto a vergonha e a baixaria é só mesmo da UNITA e do Senhor Makuta Nkondo.

Outra questão prende-se a estratégia da UNITA em incitar a REVOLTA POPULAR. Apesar da UNITA faze-lo de forma omissa, torna-se cada vez mais claro que não tem condições psico-morais para concorrer numa disputa democrática. Dai a frequente instigação do fantasma da fraude eleitoral. Este investimento no fantasma da fraude não é involuntário, é sim uma reserva estratégica da UNITA para mobilizar grupos que criam um cenário de instabilidade social pela contestação realizando manifestações por formas a invalidar ou descredibilizar a realização do pleito.

Quanto a estratégia de investir fortemente nos ataques pessoais aos governantes sob acusação de enriquecimento ilícito através da corrupção, isto para afectar na imagem destes e consequentemente na credibilidade junto dos eleitores. É preciso a UNITA ter capacidade de analisar a possibilidade dos seus efeitos. Acima disto está o interesse nacional, o compromisso da manutenção da Paz e da estabilidade social. É necessário não confundir política com arruaçaria!

Fala-se muito em imitar os actos de subversão social que ocorrem alguns países africanos e do ocidente. Os tidos como cabeças das instigações não têm capacidade de ver que o ocidente nunca se predispôs a imitar os longos anos de guerra que causou sofrimento e dor a todos nós angolanos?!

Neste espaço já abordamos temas interligados a este. Não o fizemos directamente como agora, no entanto seu conteúdo advertiu inúmeras vezes que na política não vale tudo! Também existem normas! Dai a razão dos políticos não poderem confundir política com arruaçaria, isto é errado Senhor Makuta Nkondo!

A arruaçaria tem consequências muito perigosas, não só no campo politico mais a todos os níveis da convivência social.





segunda-feira, 11 de junho de 2012

CAMPANHA POLITICA, PERSPECTIVA MÁGICA NO PERCURSO AO PODER




Caso lhe fizessem a seguinte pergunta: - o que espera de inovador nas futuras campanhas políticas dos partidos que concorreram as eleições? Sem ser excessivamente séptico, certamente a resposta inequívoca seria: - “os partidos políticos vão intensificar, aumentar, renovar as suas promessas e mais promessas”!
Para ser mais simples e preciso a resposta seria: - promessas e mais promessas!

Faço esta previsão subsidiada pela clara evidência da falta de integração dos planos de comunicação e marketing no seio da maioria dos partidos políticos. Esta ausência provoca a inexistência de estratégias de comunicação que entre as suas variadíssimas finalidades apelariam as emoções dos eleitores facilitando as suas opções de escolha a quando do dia do pleito eleitoral nas urnas.

Se por um lado, tomamos conhecimento de alguns milagres produzidos pelas campanhas politicas em países considerados do primeiro mundo, como o caso mais recente da França onde vimos um Sarkozy a deixar a presidência pela falta de consistência nos seus argumentos durante a campanha, tendo como consequência os seus actos enquanto esteve na liderança, isto segundo o ponto de vista de muitos analistas, por outro, vamos assistindo nos Estados Unidos da América um Obama a inverter a pirâmide das sondagens favoráveis ao seu adversário, graças as estratégias integradoras das lideranças consolidadas como é caso de Bill Clinton que associou-se a campanha da recandidatura de Obama para reforçar e dissipar dúvidas de que Obama se apresenta como a opção certa para a politica dos norte americanos…Será?!

Voltando a nossa arena politica, onde a chuva de “bandeiras” começou a massificar-se após o pronunciamento do governo angolano sobre a atribuição dos financiamentos aos partidos políticos, que entre muitas ressonâncias numa primeira fase não interpretaram com precisão a finalidade do tacho que lhes cabia, pensando que era o primeiro e último, por outro lado, começaram a desnudar a sua apetência ao lucro fácil praguejando o dia em que pensaram consolidar-se como coligação politica, facto este que dá pouco espaço para o uso indevido do fundo público atribuído.

Para refrescar o foco deste artigo, refuto a questão, o que se espera de inovador nas futuras campanhas políticas? A resposta mantem-se… promessas e mais promessas! Mas se os partidos políticos não direcionarem as suas estratégias em promessas, que linha de abordagem adoptariam?

Ai é que a porca torce o focinho! A magia das campanhas políticas surge da inteiracção do societário e o cultural, baseados em episódios das diferentes conjunturas vivenciadas pelos actores políticos em disputa. Numa abordagem mais simples, pode-se afirmar que as campanhas políticas podem criar espectativas tangíveis e intangíveis. Considerando que o canal de veiculação das campanhas políticas se fará no espaço electrónico, onde se fará a luta politica e eleitoral, sem séptismo podemos prever um desfecho inovador no que tange a dimensão do fracasso, enquanto a imagem da maior parte dos seus actores (entende-se lideres dos partidos políticos) é anonima ao conhecimento da maior parte do eleitorado.
 A princípio sabemos de antemão que a maior parte dos modelos das campanhas políticas estarão versadas no actual modelo inovador onde se funde o conceito de partido e o de marketing, facto causado pela reformulação “sugeneris” registada na nossa constituição, sendo que o primeiro conceito se concentra sobre a projecção do candidato e o segundo sobre o eleitor.

Os dois modelos coexistem num mesmo sistema político, e é muito comum que os dois se enfrentam na mesma batalha eleitoral. Essa coexistência, porém, não é estática. Há uma dinâmica visível que tende a empurrar as campanhas para o pólo do marketing.

Pode-se dizer que quanto mais desenvolvido o país, região, cidade, maior é a propensão para praticar o conceito de marketing nas campanhas eleitorais. As diferenças entre eles são muito grandes e de enorme importância. No conceito de marketing, o foco da campanha está no eleitorado e não no partido, por mais que seus membros sejam experientes e conheçam o eleitorado. No marketing a pesquisa é o instrumento para determinar com precisão qual deverá ser o foco da campanha.

A situação dos pré-candidatos frente à opinião pública, medida nestas mesmas pesquisas, também é determinante para as suas chances. É um foco voltado para fora, para o eleitor. A estratégia apoia-se no que se chama de “máquina partidária”, isto é, o conjunto de cargos e funções ligados aos vários níveis de governo ocupados pelo partido, cujos titulares/militantes penetram a sociedade, numa relação interpessoal, com os representantes de massas de eleitores, organizados em função de sua ocupação, residência, etnia, etc.

Desta articulação, abrem-se aos poucos espaços políticos para os membros daquelas organizações, e o partido, as representa e com elas negocia demandas e reivindicações. A estrutura é “vertical descendente” e o conceito de marketing origina-se no eleitor. É este eleitor, dividido em segmentos distintos, que define, por seus sentimentos e opiniões, o foco da campanha do candidato, que vai moldar sua mensagem para conquistar o apoio dos diferentes segmentos que podem votar nele, e cuja expressão no eleitorado é suficiente para vencer. Neste conceito, não é o contacto pessoal o portador da mensagem e da comunicação, e sim os recursos da moderna mídia veiculando mensagens peculiares aos peculiares interesses daqueles segmentos.

Enfim, as eleições propiciam uma maior visibilidade social á política, através de dispositivos próprios do campo politico, e como torna-se cada vez mais evidente estamos todos ansiosos por campanhas políticas inovadoras, bem diferente do exuberado amadorismo que assistimos a quatro anos atrás com as produtoras da xá-xá a ensaiarem a pouca vergonha dos partidos políticos. É preciso ter sempre em conta que o impacto dos mídia quer nos processos eleitorais quer nos processos de decisão politica, assim como seio da formatação da opinião pública, desempenha um papel equiparado ao poder genericamente instituído (Comunicação Social equiparada ao 4º poder). Assim sendo a relação entre o sistema politico e o sistema mediático constitui uma única força no percurso da consolidação do poder.

Certamente as campanhas politicas a ocorrerem na nossa praça irão produzir resultados mágicos. Entretanto, esperamos que tais resultados não venham a fortalecer a nossa galeria anedótica, que talvez seja fruto da ganância de muitos líderes destes partidos que concorrem ao pleito, desprovidos da responsabilidade de assumirem uma postura digna para a governação do país, em detrimento de realizações pessoais.

Até lá…continuaremos com a esperança que a magia das campanhas da arena politica não se prende em PROMESSAS E MAIS PROMESSAS! Razão para optar aos feitos e realizações já conquistadas por quem sabe o que faz!


sábado, 26 de maio de 2012

NA HORA “H” DAS ELEIÇÕES, CAÇA AO VOTO, VALE TUDO?

A actual busca pelo poder político no contexto das nações é realmente algo extraordinário para análise no campo das ciências humanas. Se por um lado ela chega a revelar o lado mais versátil do ser humano, por outro, ela suscita vários questionamentos sobre a dimensão egocêntrica do homem.

A complexidade do xadrez político (entenda-se jogo das palavras na arena politica) é tão ampla, que por vezes chega a ser mesmo obscura, obrigando o homem a ensaiar uma hermenêutica para ajudar a sua compreensão.

O século XX foi sem dúvida, o século dos grandes acontecimentos e das grandes mudanças políticas, nele destacam-se factos como: a Primeira Grande Guerra, o Comunismo, o Fascismo, o Nacional-socialismo, o 25 de Abril em Portugal, a independência das colónias portuguesas, a independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, e mais recentemente, as eleições em Angola do início do século XXI, e já lá vamos para o segundo pleito eleitoral a 31 de Agosto do presente ano.

No entanto, todo este percurso histórico factual tornou evidente que a luta pela conquista do poder político nunca esteve remetida apenas, à informação e divulgação ideológica. É assim que em pleno ambiente político sensível, vamos assistindo a intensificação da propaganda de choque, massificada por alguns partidos que nas vestes dos seus actores procuram mobilizar psicologicamente a população, com mensagens de apelo emocional com natureza agressiva ordenando a subversão social pela falsa alusão da existência da fraude, promovendo subjectivamente estratégica a descredibilização da organização do pleito eleitoral.

Por tal facto, são suscitadas algumas questões de caracter reflectivo:

– Quem realmente ganha com a descredibilização do pleito eleitoral, com a falsa alusão da existência da fraude?

– Que consequências podem advir por parte da população quando se depara com discursos incendiários e de agitação a subversão social?

– Porque que nos últimos tempos alguns líderes políticos procuram ressuscitar os “slogans” incendiários do líder histórico da UNITA Dr. Jonas Savimbi?

– Porque que alguns partidos mantem o permanente apelo a revitalização do tribalismo regional?

– Quais foram os feitos produzidos pelos partidos políticos nos últimos Dez anos cujos resultados se faz sentir na população?

– Que modelos de governação podemos perspectivar por parte de alguns partidos políticos quando analisamos o histórico dos seus modelos, confrontados com a democracia no seio?

– Politicamente que vantagens obtêm com a instalação de um clima de instabilidade?

– Qual é o actual programa de alternância social promovido por estes partidos cujo resultado poderá perspectivar melhoria nas condições sociais da população?

Enfim! No entanto, ainda importa sublinhar que a estratégia de penetração e manipulação a nível intelectual e moral das populações, levado a cabo por alguns partidos na oposição não se centra, apenas, na técnica do descredito do pleito eleitoral, ela é mais intensa, abrangendo a diminuição das realizações sociais alcançadas ao longo dos últimos Dez anos por parte do executivo angolano.

Esta é uma distorção propositada, pois torna-se cada vez mais evidente que muitos deles estão mergulhados em actos de desespero político, por este facto activaram as suas estratégias do vale tudo!

No que diz respeito ao MPLA, este enquanto partido no poder deverá manter a sua enorme capacidade de efectivação da manutenção da Paz, já que foram capazes de mudar a orientação da opinião pública do isolacionismo para o intervencionismo, assim como de manter a coesão interna a nível social e politico.

Noutro prisma, sabemos que não é fácil manter os níveis de desenvolvimento social que vamos alcançando actualmente, mesmo sob efeitos da repercussão dos longos anos de guerra que nos vimos envolvidos.

Também estamos cientes da realidade dos problemas sociais que vivenciamos, que carecem de soluções pontuais. Entretanto a nossa postura enquanto actores sociais tem demostrado na prática adopção do caminho certo, tanto pela critica, assim como na adesão ao trabalho para o desenvolvimento social. 

A preocupação do momento prende-se ao facto dos indicadores actuais demonstram que “Na Hora H do Jogo Politico, Muitos Pensam Que Vale Tudo!”. E as vítimas somos todos nós. Já parece um filme…”TODOS CONTRA UM”!